sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

E o buraco na camada de ozônio?

Em minha infância e pré-adolescência um bom programa para sentir medo era assistir ao Fantástico. Naquela época era frequente, com certa regularidade, haver alguma reportagem anunciando o iminente apocalipse. Não que hoje seja diferente. Claro, mudaram os vilões, mas a história é a mesma. Desastres climáticos que mudarão drasticamente a rotina humana no planeta, ameaçando inclusive nossa existência...

O que há de aterrorizante nesse sensacionalismo ecochato? Bem, quando se tem 12 anos somos muito mais suscetíveis a grandes medos. Por exemplo, o filme "Pânico" era então a grande moda entre os adolescentes. Confesso que, então, o filme tinha uma face assustadora mesmo. Hoje parece no máximo uma piada de mal gosto (aliás, vi um trailer no cinema esses dias sobre mais uma sequência dessa série...). As ditas catástrofes climáticas tomaram o mesmo curso em minha vida. Afinal, parece paradoxal falar em aquecimento global sabendo que está nevando até no Texas...

Pois bem, o que me causava enorme pânico no fim dos anos 90 não era o filme "Pânico", mas o buraco na camada de ozônio. Lembram dele? Os malvados seres humanos estávamos lançando na atmosfera uma quantidade excessiva do gás CFC e por isso havia surgido uma perigoso buraco na camada de ozônio sobre a Antártida. Assim a vida na Terra estaria ameaçada pela exposição à nocivas radiações solares, então livres para nos atingir devido à ausência de ozônio. O Fantástico dizia que logo o buraco alcançaria o Brasil e, para desespero das mulheres, não poderíamos expor-nos ao sol por longos períodos. Bom, ou poderíamos, mas desenvolveríamos um câncer de pele. Ou seja, adeus bronzeamento no verão, meninas!

Pois é, cadê esse buraco? Eu cresci e estou com saudade dele. O que aconteceu? O problema, na verdade, nunca foi significativo? Ou simplesmente foi extinto o CFC da face da Terra e, assim, adeus buraco na camada de ozônio?

Agora que já não sou mais pré-adolescente (não sou ¬¬), o Fantástico continua assustador para nossos jovens. Não, não estou falando do Dráuzio Varella. A história macabra persiste, com o mesmo enredo. Só mudaram os personagens. O vilão, é claro, continua a ser o homem. A causa do problema é a emissão de um gás, não mais o CFC, mas o dióxido de carbono. E a consequência não é mais um buraco, mas o aquecimento global. E assim a vida humana na Terra, pelo menos como a conhecemos, estaria ameaçada. Ao invés de câncer na pele, vemos geleiras derretendo. Logo os veranistas argentinos abandonarão as praias catarinenses e curtirão férias na Antártida.

O enredo da história é o mesmo, só mudaram os personagens. A mesma praça, o mesmo banco...