terça-feira, 23 de março de 2010

É proibido sofrer

A ditadura do prazer que atualmente impera tem como corolário uma ditadura da felicidade. As pessoas parecem esquecer de que o oposto de felicidade é a tristeza, e não o sofrimento. Contudo, como felicidade está vinculada ao prazer, e como o sofrimento não traz prazer - acho que não escrevo para masoquistas, correto? - então o sofrimento torna-se uma barreira importante para a felicidade.

Nada mais falso do que isso. O sofrimento faz parte da condição humana, não há como fugir disso. E, penso eu, um dos motivos pelos quais as pessoas estão cada vez mais frustradas é justamente na dificuldade da resolução do dilema sofrimento x felicidade. E o hedonismo fracassa nessa questão. Se o sofrimento afasta a felicidade e eu sofro, bem, então sou um pobre infeliz. Errado.

É mais ou menos frequente encontrar pessoas muito felizes em seu leito de morte, permeadas de grande sofrimento. Como isso é possível? Acho que seria muita pretensão querer dar uma resposta precisa a essa questão. Pensando desde um ponto de vista meramente humano, comparativo, investigativo, fica claro, ao menos para mim, que a melhor resposta foi dada por Cristo. O cristianismo não quer abolir o sofrimento, como faz o hedonismo, mas torna-o caminho de redenção e, assim, traz uma felicidade profundamente enraizada na dor. Esse poderia ser mais um dos paradoxos do cristianismo apontados por Chesterton.

Por outro lado, em uma sociedade cada vez mais pagã, cria-se um ambiente de felicidade extremamente imaturo, baseado em momentos de farra e similares. Enfim, lembra muito uma famosa musica do início dos anos 90:

terça-feira, 9 de março de 2010

Mulheres

Com atraso, uma justa homenagem às mulheres.

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Sempre identifiquei, desde pequeno, as mãos como um traço evidente de feminilidade ou masculinidade. Talvez pelo fato de ser de família de agricultores, em que as mãos masculinas realmente não são nada delicadas em comparação às femininas.

As primeiras mãos que apertaram as minhas foram as de minha mãe. E sempre, sempre, apertarão. É como um ritual, que começou lá atrás na minha vida, e vá durar o tempo que Deus permitir. Independente da aflição do momento, apertar aquelas mãos traz paz. São as mãos que, na noite de pesadelos, acariciavam meu cabelo para eu poder pegar no sono.

Que dizer das mãos dEla? Num dos locais em que mais falo com Ela e com Ele, lá estão as mãos delicadíssimas que seguraram-No, em contraste com as mãos fortes de um São José.

E todos os dias cruzo com tantas outras mãos, completamente alheias à minha vida, mas com certeza tão essenciais na vida de muitos outros.

E, mesmo no ônibus lotado, quando estão quase lado a lado com minhas mãos, aquelas estão na verdade distantes, completamente alheias à minha vida.

Há, contudo, aquelas mãos que estão fisicamente distantes agora. Por enquanto. E que são as mais próximas de mim. Se eu ganhei de presente umas mãos como a de minha mãe, que tanto me confortaram, aquelas escolhi para, um dia, segurar forte e não mais soltar.