sábado, 20 de novembro de 2010

Saudade

Estava com saudade de escrever por aqui. E acho que continuarei, por um bom tempo. Vim apenas tirar um pouco da poeira acumulada... a faxina geral ainda demorará alguns dias...

Mal comentei sobre as eleições por aqui.

Enfim, muito trabalho, muito estudo, muitas dúvidas.

Uma encruzilhada.

É bom, nessas horas, ter fé. Assim posso voar um pouco mais alto e ver que a encruzilhada em que estou, lá do alto, nada mais é do que uma pequena cruz, distante, irrelevante dentro do contexto. Apenas uma parte do meu caminho que passará.

Até chegar a próxima encruzilhada...

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Salvaremos o mundo?

É frequente, aqui na universidade, ser abordado por membros de algum projeto de voluntariado. Alguns chegam com slogans do tipo "vamos melhorar o mundo". Tenho a impressão que isso é de uma pretensão exagerada.

Eu, isoladamente, não posso melhorar nada. A não ser que, em primeiro lugar, melhore a mim mesmo. Falo de virtudes. É muito estranho pensar que uma pessoa que mal consiga levantar da cama pela manhã vá melhorar o mundo. Ou que alguém que não tenha coragem de dizer um "não", quando exigido, salve as crianças da África da fome. O que falar do mentiroso de conveniência? Não dá! Uma pessoa que torna a vida dos demais mais complicada dificilmente poderá ajudar a outros. Ele é que precisa de ajuda!

Quando indagado sobre qual o problema do mundo, Chesterton escreveu simplesmente: "Eu". É bem por aí.

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Não que essas iniciativas sejam inócuas, pelo contrário. Estimulam a generosidade das pessoas e no fim muitos dizem que foram mais ajudados do que ajudaram. Mas as pretensões precisam ser menores, algo do tipo: vamos melhorar um pouquinho a vida de alguns e, assim, melhorar muito a própria vida. É uma visão mais honesta.

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Preciso aprender a cozinhar além do básico. Vou me aventurar pelo fantástico mundo das sobremesas. Alea jacta est!

terça-feira, 1 de junho de 2010

Fifa proíbe manifestações religiosas durante a Copa

Sim, é isso mesmo que está no título.

Não, a Fifa não é a federação cubana de futebol.

Isso é o politicamente correto levado às últimas consequências. Por um suposto pudor de não ofender a religião alheia, proíbe-se qualquer manifestação religiosa.

Qual o problema de um jogador, caso campeão, exibir uma camiseta do tipo "I belong to Jesus"? Qual ofensa tal item apresenta a um muçulmano, por exemplo? Isso só incomoda aos ateus radicais. Qual tipo de problema tais manifestações causaram, até hoje, em estádios de futebol? Desconheço um exemplo sequer.

Toda religião possui uma dimensão social, o que implica em manifestação pública da fé. E isso não é ofensa a ninguém.

Ofensa é querer impor uma proibição absurda.

Por fim, para mim é muita frescura sentir-se ofendido por uma camiseta escrito "I belong to Jesus". O politicamente correto é isso: é imposição da frescura à toda sociedade.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

E o divórcio?

Esses recentes escândalos de pedofilia envolvendo o clero trouxeram consigo alguns aspectos positivos, por mais contraditório que isso possa parecer. Cito, por exemplo, a atuação enérgica e ao mesmo tempo tenra do Papa, que se mostra verdadeiramente um 'pai' para a Cristandade. Qualquer pessoa com honestidade intelectual percebe o verdadeiro sofrimento do Pontífice, aliado a um real empenho em resolver a situação onde quer que ela tenha aparecido.

Triste é ver certos 'intelequituais' postulando o fim do celibato, associando-o como eventual causa da pedofilia.

São os mesmos que não possuem coragem suficiente para serem coerentes e defender, junto com o fim do celibato, o fim do divórcio. Sim, pois é sabido que boa parte dos abusos de menores ocorre em casa, no seio familiar, e muitas vezes são perpetrados por padrastos. Note-se ainda que se trata de um número maior daquele de abusos de clérigos.

Há um compromisso com a verdade ou contra a Igreja?

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Amigos, este blog ficou às traças, mas pretendo tirar a poeira daqui e seguir adiante. Mesmo nestes meses de ostracismo recebi comentários, e agradeço a atenção de todos. Espero conseguir uma frequência de postagens razoável.

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O duro de ser muito jovem e sair escrevendo por aí é que, conforme passa o tempo, você potencialmente tem mais o que dizer, mas descobre que vale a pena falar menos. Com certeza há coisas que escrevi e publiquei aqui das quais me arrependo. Não no conteúdo, talvez, mas na forma com certeza.

Adiante!

terça-feira, 23 de março de 2010

É proibido sofrer

A ditadura do prazer que atualmente impera tem como corolário uma ditadura da felicidade. As pessoas parecem esquecer de que o oposto de felicidade é a tristeza, e não o sofrimento. Contudo, como felicidade está vinculada ao prazer, e como o sofrimento não traz prazer - acho que não escrevo para masoquistas, correto? - então o sofrimento torna-se uma barreira importante para a felicidade.

Nada mais falso do que isso. O sofrimento faz parte da condição humana, não há como fugir disso. E, penso eu, um dos motivos pelos quais as pessoas estão cada vez mais frustradas é justamente na dificuldade da resolução do dilema sofrimento x felicidade. E o hedonismo fracassa nessa questão. Se o sofrimento afasta a felicidade e eu sofro, bem, então sou um pobre infeliz. Errado.

É mais ou menos frequente encontrar pessoas muito felizes em seu leito de morte, permeadas de grande sofrimento. Como isso é possível? Acho que seria muita pretensão querer dar uma resposta precisa a essa questão. Pensando desde um ponto de vista meramente humano, comparativo, investigativo, fica claro, ao menos para mim, que a melhor resposta foi dada por Cristo. O cristianismo não quer abolir o sofrimento, como faz o hedonismo, mas torna-o caminho de redenção e, assim, traz uma felicidade profundamente enraizada na dor. Esse poderia ser mais um dos paradoxos do cristianismo apontados por Chesterton.

Por outro lado, em uma sociedade cada vez mais pagã, cria-se um ambiente de felicidade extremamente imaturo, baseado em momentos de farra e similares. Enfim, lembra muito uma famosa musica do início dos anos 90:

terça-feira, 9 de março de 2010

Mulheres

Com atraso, uma justa homenagem às mulheres.

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Sempre identifiquei, desde pequeno, as mãos como um traço evidente de feminilidade ou masculinidade. Talvez pelo fato de ser de família de agricultores, em que as mãos masculinas realmente não são nada delicadas em comparação às femininas.

As primeiras mãos que apertaram as minhas foram as de minha mãe. E sempre, sempre, apertarão. É como um ritual, que começou lá atrás na minha vida, e vá durar o tempo que Deus permitir. Independente da aflição do momento, apertar aquelas mãos traz paz. São as mãos que, na noite de pesadelos, acariciavam meu cabelo para eu poder pegar no sono.

Que dizer das mãos dEla? Num dos locais em que mais falo com Ela e com Ele, lá estão as mãos delicadíssimas que seguraram-No, em contraste com as mãos fortes de um São José.

E todos os dias cruzo com tantas outras mãos, completamente alheias à minha vida, mas com certeza tão essenciais na vida de muitos outros.

E, mesmo no ônibus lotado, quando estão quase lado a lado com minhas mãos, aquelas estão na verdade distantes, completamente alheias à minha vida.

Há, contudo, aquelas mãos que estão fisicamente distantes agora. Por enquanto. E que são as mais próximas de mim. Se eu ganhei de presente umas mãos como a de minha mãe, que tanto me confortaram, aquelas escolhi para, um dia, segurar forte e não mais soltar.