quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O melão

Há um livro do espanhol Alfonso Lopéz Quintás que trata de literatura. O nome eu não lembro, mas depois posso consultar aqui na biblioteca de casa e indicar. Ali há a explicação do que o autor denomina de "âmbitos de realidade". Sendo suscinto, é quando um acontecimento transcende seu significado inicial, restrito.

Um exemplo claro está na peça MacBeth. Quando Lady MacBeth tenta lavar manchas de sangue nota-se um impressionante transtorno nela. Tal efeito não é consequência de um incômodo com a sujeira do sangue, mas com a sujeira dos crimes cometidos. O sangue é, portanto, um âmbito de realidade.

Eu, que não sou assassino, impressiono-me com coisas bem mais sutis. O melão é, para mim, uma fruta que diz muito além de seu sabor. Antes era assim: apenas uma fruta doce e suculenta. Contudo, hoje, ao comer melão, vêm-me à memória recordações de momentos marcantes, de grandes alegrias. Hoje, o melão é capaz de fazer com que eu tenha sensações muito além do que seu sabor. O melão me faz feliz não por ser melão, mas pelas recordações que é capaz de causar.

3 comentários:

Liana Clara disse...

Rodolfo, indiquei "Meus pensamentos e minhas reflexões" para o selo Blog de Ouro, ok? Acho que você merece.
Abraços Liana

Liana Clara disse...

Rodolfo, indiquei "Meus pensamentos, minhas reflexões " para o selo Blog de Ouro, ok? Acho que você merece. Seu Blog sempre nos trás boas notícias e bem escritas.

KarolBitten disse...

Oi. Gostei do blog. Nao sei se entendi bem o seu post, mas o q vc quis dizer é que objetos/pessoas/momentos são guardados não pelos conceitos em si, mas pela associação que fazem a alguma lembrança? Interessante... Nunca parei pra pensar porque gosto tanto de lambreta, ja que a comida em si não me chama tanto atenção...rsrs
Adorei. Vou voltar aqui sempre.