sábado, 16 de maio de 2009

Criança, a alma do negócio


O vídeo acima vale a pena ser visto com atenção - aliás, não deixem de ver as outras partes no Youtube, pois está ali na íntegra. É uma reflexão sobre a publicidade voltada às crianças. O tom do documentário é fortemente contrário à propaganda voltada ao público infantil, e elenca uma série de malefícios que isso tem causada nas crianças. O filme serve de alerta para muitos pais por aí, que mimam os filhos: não é à toa que há tantos pamonhas por aí.

Concordo que se uma criança ainda não tem condições de decidir o que é melhor e pior para sua vida, não pode decidir o que comprar para comer. Pelo menos não frequentemente. Afinal, até mesmo eu, se decidisse comprar o que quero, viveria a base de doces, especialmente o chocolate. Mas aí entra uma coisa que vem com a idade - a virtude - e a gente acaba comendo o que preciso: repolho, couve e outras coisas muito piores que chocolate. Mas a criança ainda não possui essas virtudes, e como boa parte dos pais hoje em dia são uns molengões, o resultado é que a obesidade infantil cresce assustadoramente. A desnutrição já é um problema alimentar muito inferior à obesidade. Pasmem!

Agora, o pior de tudoé o que estão fazendo com as meninas. Elas já querem ser 'mulherezinhas', e aí há um festival de horrores pela frente. Todas maquiadas. Algumas que chegam a parecer uma dessas pequas insuportáveis de shopping center. Vestem-se muito mal, afinal, precisam valorizar o corpo e fazer seus namoradinhos... isso para crianças de 10, 12 anos! O pior é que tem quem chegue aos 30 ainda com essa mentalidade...

O grande problema é a educação: as pessoas não são educadas a adquirir virtudes, fazem o que sentem ser melhor. Isso para mim é frescura. Mas enfim, a situação é caótica. Um autor que analisou com propriedade a situação foi MacIntyre. Estou bastante interessado em ler "Depois da Virtude".

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O documentário defende a proibição da publicidade voltada ao público infantil. Aliás, esse é o projeto de lei proposto pelo deputado Hauly (PSDB-PR). Não sei se é uma boa o Estado intervir dessa forma... sinceramente, não sei. O fato é que os publicitários foram além do limite do tolerável.

Agora, que as famílias deveriam desligar suas televisões também é fato. A criança brasileira assiste, em média, 4:50 h de televisão por dia! Não é à toa que o grande educador hoje é a mídia, e não a família. E esse fato é bizarro e lamentável.

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Um dos entrevistados que mais gostei foi um professor de psicologia da USP, aquele que lembra o Raul Seixas. Ele diz algo muito interessante sobre celulares: esses aparelhos deveriam unir mais as pessoas, mas naverdade as distancia. Cada um coloca seu fone e vive ali, dentro da sua bolha.

Muito interessante a análise, e qualquer um pode constatar isso saindo em uma rua movimentada.

Penso o mesmo da internet. Ela de fato une muita gente - quantas pessoas não conheci através do blog! -, contudo afasta muitas outras que deveriam estar próximas.

O fato é que nenhum destes instrumentos tecnológicas é capaz de um realacionamento humano pleno. Para tanto, a convivência é e continuará a ser indispensável.

2 comentários:

Julie Maria disse...

Caro irmão,

quanto para falar e pensar neste tema...

Ainda vou ver o vídeo, mas desde já obrigada pelo post. Como faz bem à alma escutar, ler, meditar sobre a verdade!

Tem algo realmente anormal nesta des-virtuação da educação das crianças. Que anormalidade os pais deixarem a infância de seus filhos se perveter assim.

Quem dera se esperasse até os 12! Aos 3 anos estão com seu estojo de maquiagem e bolsinha... sim, algo disso é "normal" (pois imitam a mãe) mas o equilibrio, o momento para dizer "basta" é obrigação da mãe e do pai... mas cadê eles neste momento? Ou como naquele vídeo onde a menina "ensina" a maquiar (tadinha, dá até dó dela... virando uma monstrinha com aquelas sombras pretas)... onde está a mãe? Esperamos que não esteja no outro lado, segurando a camera...

Olha, a coisa tá no limite... ontem vi uma propaganda da Claro, fazendo um menino, máximo 8 ou 9 anos posar de apaixonado para uma menina de uns 11, 12 anos. Foi na revista Veja, será que não tem nada que regula esta palhaçada não? Porque se depender do governo atual, a pornografia deveria ser obrigatória! sic.

Julie Maria

Lelê Carabina disse...

Vi os vídeos, eu que pouco vejo tevê, não faço idéia da quantidade de propaganda voltada às crianças. Porém, não gosto da idéia de demonização da "mídia", é como se a salvação tivesse no extremo controle (de quem?) sobre esta. Mas isso não significa que não deva existir limites legais, etc. A preocupação maior não está no foco do documentário, que é a falta dos pais onde deveriam estar mais presentes ou a exagerada "presença", em forma de permissões (que é aquela mãe levando a criança no salão de beleza?) e sacrifícios exagerados para presentear o filho. Eu lembro que quando era criança ganhar presente bom era em datas muito especiais, e ainda tinha que dividir com as irmãs, o que era um estímulo bom da fantasia e desejo pelo objeto e pela surpresa se íamos mesmo ganhar o presente no aniversário ou no natal, se seria naquele ano ou no outro. Enfim, eu creio que o ambiente está mais difícil para educar crianças, o que exigem pais melhores. Boa indicação, um abraço.