domingo, 31 de maio de 2009

Tecnologia, relacionamentos e distância

No documentário que eu postei ali embaixo, "Criança, a alma do negócio", um dos momentos que mais chamou a atenção foi a idéia do psicólogo da USP de que o telefone celular, que deveria aproximar as pessoas, as distancia. Essa idéia é interessante, e penso que pode ser expandida para muitos aspectos da revolução das comunicações que vivemos, especialmente com o advento da internet nas últimas décadas.

É fato que, com a internet, posso conhecer pessoas do mundo todo. E conheço mesmo. Alguns de meus melhores amigos eu conheci, primeiramente, pela internet. As possibilidades são fantásticas. Tenho contato fácil com meu primo que mora na Itália; conheço inúmeras pessoas com os mesmos interesses que eu. Aliás, não fosse a internet, não teria com quem conversar sobre Rock Progressivo. É um novo mundo, que merece ser desbravado. Há até quem tenha encontrado a esposa pela internet. Eu não considero isso ruim, muito pelo contrário.

Ocorre que um relacionamento humano 'virtual' é, bem, digamos, 'virtual'. Muitos aspectos da vida não são abarcados na internet. Quando eu vejo um amigo, e ele está triste, imediatamente percebo. A expressão da pessoa demonstra isso, claramente. Mas, para perceber isso, é preciso um conhecimento profundo do outro, e a internet não o permite nesse grau. As expressões, o modo como a pessoa reage, sua gesticulação, tudo isso diz muito sobre nós. E isso só pode ser alcançado através de um relacionamento constante, profundo e sincero. O contato humano é algo maravilhoso e insubstituível. Pergunte para sua mãe ou namorada(o) se ela trocaria um abraço por uma simples imagem de webcam. A resposta é óbvia.

Isso não exclui o valor de sites de relacionamentos ou mensageiros instantâneos. Mas é preciso ficar claro que eles jamais substituirão a convivência das pessoas.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

O preço da novidade

Esses dias um amigo estava analisando preços dos televisores de LED, a nova tecnologia de reprodução de imagens. São caros, muito caros. Alguns milhares de reais, para ser um pouco mais preciso. Imediatamente lembrei do preo dos televisores de plasma, quando surgiram: em média, o preço era o mesmo do que um carro popular. Pouquíssimas pessoas têm condições de adquirir um produto desses. E todos sabem que passa um ou dois anos e esses aparelhos já estão em um padrão de preço razoável.

Mas eu estive pensando: o que leva um ricaço a gastar 10 mil reais em uma televisão? Certamente não é necessidade, pois esse tipo de aparelho está longe de ser um bem necessário. É o luxo, o privilégio de ser o primeiro a tê-lo. O status. E isso custa caro. E também é fútil. Novidades custam caro; a qualidade só é necessariamente cara quando vem com o status de novidade. E como tem quem queira pagar por isso...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Dia Sem Imposto

Hoje foi o dia para protestar contra a abusiva carga tributária no país. Saiu até no UOL. A idéia era que os consumidores pagassem gasolina sem o preço dos tributos, o que representa um combustível aproximadamente 40% mais barato. Aposto que um dos motivos da aprovação do governo Lula é a ignorância da população sobre a quantidade de tributos que se paga para manter o Leviatã Petista vivo e operante. Por isso é fundamental a luta para que o preço dos impostos venha discriminado em nossas contas do preço do produto.

Como foi comentado, acho que no Ordem Livre, inserir o preço dos tributos nos produtos, sem discriminar, é uma forma cruel de alienação da população.

E, caramba, foi uma das primeiras ações efetivas da Direita no país, desde que me conheço por gente! Que surjam mais e mais iniciativas concretas como essas!

sábado, 23 de maio de 2009

Proselitismo ateu

Não sei se sempre houve ateus. Ao menos, indiferentes ou pessoas que não levassem a sério as religiões e mitos de seus povos existiram em algumas civilizações. Basta ler a história e ver a crise da religião romana, por exemplo. Chegou um momento em que ela não dizia mais nada a seus fiéis - tanto que o Império tornou-se cristão. Um ateísmo sistemático, porém, parece-me invenção mais recente, algo de, no máximo, uns três ou quatro séculos atrás.

A grande questão é que os ateus de hoje querem fazer que os outros sejam ateus, e desconheço algum registro histórico de um fenômeno semelhante precedente à esse. O cúmulo, evidentemente, são os comunistas: nos países em que essa desgraça triunfou, as crianças são doutrinadas para perderem a fé de seus pais. Há ainda a situação patética de caras como Dawkins - o paladino do ateísmo - que julgam estar a um passo de acabar com as religiões. Todos elas! Pretensão? Megalomania? Delírio - usando um termo dawkinsoniano - ?

Uma grande diferença entre um crente e um cético está justamente na justificação do proselitismo. Um cristão, por exemplo, deve ser proselitista, caso contrário vive mal a sua fé. Ele acredita que a outra pessoa, caso não creia, morrerá eternamente. Isso é uma motivação para expandir a religião, como de fato acontece. A religião apresenta uma dimensão pública, necessariamente, seja na forma de culto, seja através do proselitismo.

Já o ateísmo não apresenta uma dimensão pública de culto. Abolido Deus, a quem irá se cultuar? Sim, deve haver um substituto, pois a natureza humana está inclinada a Deus e, se não o adora, adorará um falso 'deus'. Normalmente, os deuses eleitos são o Estado ou o próprio 'eu'. E, além disso, sem um sentido de eternidade, o ateu acredita que é apenas um grão de poeira no Universo que veio do nada e irá para o nada. Qual o sentido de fazer o bem? De lutar por algo? Eu honestamente não compreendo como um cético se motiva a viver. Talvez amor pelos amigos, pela família? Imagino que sim. O fato é que o único argumento razoável de proselitistas como Dawkins seria um propenso 'amor à verdade', no sentido de fazer com que as pessoas saiam do erro da religião e descubram a grande verdade: Deus não existe e Dawkins está certo. Mas, se não existe Verdade, como pode algo ser verdadeiro? Não é tudo relativo? Se minha vida é apenas um quase-nada, surgido ao acaso do grande nada, sem nenhuma motivação transcedental, por que raios vou comprometer-me a fazer algo que julgo bom ao outro? Se eu vou morrer, apodrecer e nada mais, o mais coerente seria eu aproveitar o máximo possível o 'meu' tempo: os outros que se lixem! Vou lá eu perder meu curto tempo com isso?

Já presenciei uma discussão entre dois ateus, um comunista e o outro não. O comunista argumentou que queria fazer um mundo melhor e o outro discordava visceralmente: queria um mundo pior. Este é coerente. Talvez ele tenha parado para pensar que o conceito de 'melhor' e 'pior' é evidentemente comparativo, e só faz sentido quando há um padrão da comparação. Qual o padrão de comparação do ateu? Algo necessariamente imperfeito, criação humana, afinal ele não acredita em nenhuma realidade transcedental. Não acredita no Bem. Então, tanto faz se isso ou aquilo está bom ou ruim: tudo é relativo, não é mesmo? Até mesmo o conceito de bom e ruim, dizem eles.

E, por fim, eu vejo total sentido em fazer alguém acreditar em algo. Por que raios vou querer fazer alguém não acreditar em algo? Os cristãos não fizeram os pagãos deixarem de acreditar em seus ídolos, simplesmente. Deixaram de acreditar pois deveriam cultuar o verdadeiro Deus. O ateu proselitista quer que deixemos de cultuar esse Deus para cultuar o quê? Nós mesmos? O Estado? Dawkins?

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Holocausto: lamentar nunca é demais

A visita do Papa Bento XVI à Israel foi um evento certamente marcante. O Pontífice não teve respeito humano algum ao criticar, por exemplo, o muro separando israelenses e palestinos. As palavras foram todas muito sensatas e diretas, sem nenhum tom ofensivo. Mas há quem tenha se sentido ofendido mesmo assim.

Um ou outro líder judeu considerou que o Papa não lamentou o suficiente pelo holocausto. Como não? Bento XVI já esteve até em Auschwitz. E o que dizer da recente reprimenda a D. Williamson? A impressão que fica é que, para alguns, por mais que se deplore o Holocausto, nunca é suficiente. Porque, se o que o Papa fez não foi suficiente, eu não consigo imaginar o que seja.


sábado, 16 de maio de 2009

Criança, a alma do negócio


O vídeo acima vale a pena ser visto com atenção - aliás, não deixem de ver as outras partes no Youtube, pois está ali na íntegra. É uma reflexão sobre a publicidade voltada às crianças. O tom do documentário é fortemente contrário à propaganda voltada ao público infantil, e elenca uma série de malefícios que isso tem causada nas crianças. O filme serve de alerta para muitos pais por aí, que mimam os filhos: não é à toa que há tantos pamonhas por aí.

Concordo que se uma criança ainda não tem condições de decidir o que é melhor e pior para sua vida, não pode decidir o que comprar para comer. Pelo menos não frequentemente. Afinal, até mesmo eu, se decidisse comprar o que quero, viveria a base de doces, especialmente o chocolate. Mas aí entra uma coisa que vem com a idade - a virtude - e a gente acaba comendo o que preciso: repolho, couve e outras coisas muito piores que chocolate. Mas a criança ainda não possui essas virtudes, e como boa parte dos pais hoje em dia são uns molengões, o resultado é que a obesidade infantil cresce assustadoramente. A desnutrição já é um problema alimentar muito inferior à obesidade. Pasmem!

Agora, o pior de tudoé o que estão fazendo com as meninas. Elas já querem ser 'mulherezinhas', e aí há um festival de horrores pela frente. Todas maquiadas. Algumas que chegam a parecer uma dessas pequas insuportáveis de shopping center. Vestem-se muito mal, afinal, precisam valorizar o corpo e fazer seus namoradinhos... isso para crianças de 10, 12 anos! O pior é que tem quem chegue aos 30 ainda com essa mentalidade...

O grande problema é a educação: as pessoas não são educadas a adquirir virtudes, fazem o que sentem ser melhor. Isso para mim é frescura. Mas enfim, a situação é caótica. Um autor que analisou com propriedade a situação foi MacIntyre. Estou bastante interessado em ler "Depois da Virtude".

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O documentário defende a proibição da publicidade voltada ao público infantil. Aliás, esse é o projeto de lei proposto pelo deputado Hauly (PSDB-PR). Não sei se é uma boa o Estado intervir dessa forma... sinceramente, não sei. O fato é que os publicitários foram além do limite do tolerável.

Agora, que as famílias deveriam desligar suas televisões também é fato. A criança brasileira assiste, em média, 4:50 h de televisão por dia! Não é à toa que o grande educador hoje é a mídia, e não a família. E esse fato é bizarro e lamentável.

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Um dos entrevistados que mais gostei foi um professor de psicologia da USP, aquele que lembra o Raul Seixas. Ele diz algo muito interessante sobre celulares: esses aparelhos deveriam unir mais as pessoas, mas naverdade as distancia. Cada um coloca seu fone e vive ali, dentro da sua bolha.

Muito interessante a análise, e qualquer um pode constatar isso saindo em uma rua movimentada.

Penso o mesmo da internet. Ela de fato une muita gente - quantas pessoas não conheci através do blog! -, contudo afasta muitas outras que deveriam estar próximas.

O fato é que nenhum destes instrumentos tecnológicas é capaz de um realacionamento humano pleno. Para tanto, a convivência é e continuará a ser indispensável.

sábado, 9 de maio de 2009

Ou todos ou eu

Será que apenas eu não estou ligando muito para essa gripe suína? Esse assunto deixou-me tão entediado a ponto de eu boicotar as notícias sobre ele. É isso mesmo: não leio (quase) nada sobre espirros, OMS e afins. Exceção feita à notícia de suspeita da doença em Londrina... o que ainda assim não foi capaz de apavorar-me frente à iminência do Apocalipse midiático. Ainda que eu esteja imunossuprimido - é assim que se escreve? Ou estou ficando maluco, ou há uma paranóia excessiva sobre o caso.

Hoje mesmo um infectologista disse que essa gripe não é mais perigosa que uma gripe comum. Outro falou que a doença pode ser pior do que aparenta. É como a cafeína: numa semana médicos apontam ela como uma grande vilã na vida das pessoas; na semana seguinte, contudo, a cafeína é praticamente o elixir da vida. É bom que eles se decidam, pois preciso concluir se entro em pânico ou continuo vivendo normalmente, sem máscaras, como tenho feito nos últimos dias.

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Uma notícia bizarra saiu no UOL semana passada, referente ao lixo causado pela Virada Cultural. Um amigo paulistano disse que certos lugares cheiravam como uma fossa. Um estado lamentável. E o jornalista tenta justificar a situação, afirmando que até mesmo no funeral de João Paulo II houve uma porquice parecida.

Qual o parâmetro do jornalista? Algo do tipo: "Ah, os católicos sujaram Roma então o pessoal da Virada suja São Paulo". Ou então, o mais razoável, supor que onde há muita gente, há uma certa quantidade de porcões, e aí acontece essas coisas. O problema é que talvez o funeral de João Paulo II tenha sido uma das maiores concentrações humanas da história, e querer compará-lo à Virada Cultural é uma forçada de barra, sob todos os aspetcos.

É implicância minha ou houve uma alfinetada à Igreja nesse assunto? Até quando se fala de lixo o pessoal consegue cutucar a Igreja?