quinta-feira, 30 de abril de 2009

Lendo e não entendendo

É interessante a forma como alguns radicais gostam de interpretar a Bíblia. E nesse grupo não se enquadram apenas os fundamentalistas protestantes: os ateus militantes padecem exatamente dos mesmos problemas quando o assunto é compreensão do texto sagrado.

Se pegarmos, por exemplo, aquela passagem de "Grande Sertão: Veredas" em que é citado o caso de uma pessoa que mira a margem oposta de um rio e nada para atravessá-lo; contudo, devido à correnteza, não chega exatamente no ponto em que desejava. A intenção do autor vai muito além de mostrar que o seu nadador não era um Michael Phelps, e ignorar isso é deixar de lado completamente os principais sentidos do texto. Ou ignorância, ou burrice.

E uma pessoa que quer levar esse método bitolado de interpretação para a Sagrada Escritura, ou torna-se um ateu radical-militante-mala ou um protestante fundamentalista. No caso dos primeiros, especialmente para citar que o Genesis está em contradição com a ciência. É um disparate tão grande colocar o assunto neste patamar que é difícil imaginar uma resposta séria a intervenções desse tipo.

domingo, 26 de abril de 2009

Gianna Vittoria - vitória da vida contra o aborto

Essa notícia é tão impressionante que farei uma pausa nos meus comentários romanos. Em Londrina, uma mulher portadora da Síndrome de Eisenmerger engravidou. O que isso tem de tão especial? Essa síndrome pode levar a uma mistura do sangue arterial com venoso, acarretando a morte da paciente. O risco de morte para a mulher, no momento do parto, é bastante elevado. Mesmo com esse quadro, uma londrinense engravidou.

Os médicos do Hospital Universitário de Londrina assumiram uma conduta, a meu ver, absurda. Escreveram laudos apontando risco de 75% de chance de morte para a mulher. De onde tiraram esse número? Fizeram uma estatística de casos análogos? Uma média ponderada? Uma média harmônica? Independente disso, o fato é que a única solução apontada foi o aborto. Um tanto quanto maquiavélica essa equipe médica. E, claro, imagino que a grande 'preocupação' deles fosse com a a vida da mãe. Sei, sei...

Ocorre que tanto a mulher quanto seu marido não quiseram o aborto. E, para poder ter o filho, tiveram que ir a São Paulo. Os médicos londrinenses não quiseram lutar pelas vidas, queriam acabar com uma em função de outra. E mais: eles não respeitaram o direito de escolha do casal, que queria lutar pelas duas vidas, a da mãe e de seu filho.

O horror dos horrores é que o HU de Londrina apontou o aborto como uma 'necessidade', de acordo com a reportagem. Eis a irresponsabilidade desta equipe médica: por eles, a criança não teria nascido. Isso seria uma tragédia na vida daquela familia. Felizmente há médicos sensatos, que respeitam verdadeiramente a liberdade das pessoas, e que cumprem o seu dever, que é zelar pelas vidas.

E o resultado está aí: Gianna Vittoria nasceu, a mãe dela está muito bem, obrigado, e há mais uma família sendo constituída, apesar de todas as dificuldades. O mais chocante é saber que a maior dificuldade é oferecida não foi pela doença em si, que permitiu que as duas vidas seguissem seu curso, mas por médicos, que queriam acabar com uma das vidas.

Agora as pessoas não terão que lutar mais contra doenças, mas terão que lutar contra os próprios médicos?

***

Eu não tenho certeza, mas dá para intuir que o nome Gianna Vittoria é, em primeiro lugar, uma homenagem a Santa Gianna, e em segundo, uma homenagem à vitória em uma situação tão adversa. Reforço que não foi a doença da mãe que quase impediu o nascimento de Gianna, foram alguns médicos.

domingo, 19 de abril de 2009

Lições de uma fachada


Orvieto é uma cidade impressionante. Estar em uma lugar medieval foi, para mim, um momento marcante. Sempre fui um apaixonado por este período histórico e jamais aquelas babaquices de Idade das Trevas entraram na minha cabeça. Como assim pessoas que construíram algo como essa foto demonstra possam ser ignorantes? Além do mais, a cidade construída sobre um monte, dominando a paisagem de um maravilhoso vale, possui um 'quê' de paradisíaco. Deu vontade de morar lá, de nunca mais sair dali. Atravessar uma muralha e ver o contraste entre o passado e o presente é, também, bastante interessante. Carros atravessando portões de uma muralha constituem uma imagem muito interessante. Por que raios o homem que construiu o carro deva ser 'superior' ao homem que construiu aquele muro?

Essa catedral talvez possua a mais bela fachada do mundo. É impressionante, e demorou trezentos anos para ser concluída. A motivação do povo desta cidade em construir esse monumento colossal foi o milagre eucarístico ali ocorrido no séc. XIII. Se você não acredita nisso, OK, respeito profundamente sua opinião. Eu só acho meio complicado que uma ilusão motive pessoas por três séculos seguidos, mas enfim. É inegável que os homens desse lugar acreditaram piamente neste milagre e que isso moveu gerações e gerações por lá. O mais interessante é que os nomes dos responsáveis por esse monumento se perderam. Quem foram os artistas responsáveis? O arquiteto? Os escultores? O mais chocante é que há obras de arte que sequer podem ser vistas, pois ficam escondidas atrás das torres. O que motiva um artista a fazer uma obra que não será apreciada, mas que está ali e é esplendorosa?

Quando se trabalha por amor, o resultado é esse. E o amor a Deus moveu os responsáveis pela construção dessa catedral, e não a busca da glória humana. Os nomes deles estão perdidos, e muitas obras estão ocultas. Para eles, isso não certamente não importa. É certo que não queriam glória humana, mas dar glória a Deus. E por mais que isso nos choque, é fato. Essa fachada, além de ser magnífica, traz inúmeras lições.

sábado, 18 de abril de 2009

Ah, que saudades de Roma...

Algumas semanas e um terremoto depois, cá estou de volta ao nosso Brasil. Há algumas coisas aqui que são melhores do que na Itália, evidentemente, como a água. E a ausência de terremotos, confesso, é algo consolador. Contudo, que saudade de Roma...

Ainda escreverei algumas coisas sobre a cidade eterna. Sem dúvida, um dos lugares mais belos e onde mais fatos marcantes ocorreram na história. Afinal, ali já foi praticamente o centro do mundo por séculos e é hoje um dos grandes - senão o principal - 'centro espiritual' da humanidade. Eu fiquei profundamente impressionado co aquela cidade. Deu até vontade de morar lá, mesmo que eu saiba falar apenas um misto macarrônico de espanhol e italiano - na prática, não domino nenhum desses idiomas. Mas foi o suficiente para não se perder na cidade, conseguir comer todo dia e achar os toilletes sem grandes dificuldades.

Irei fazer alguns posts sucessivos sobre a cidade, pois estive em vários locais bastantes significativos e que merecem comentários. Adianto que dois lugares foram muito significativos para mim: o scavi no Vaticano e as catacumbas de São Calixto e São Sebastião.

E, claro, uma ou outra boa foto que tiramos pela cidade.