domingo, 22 de março de 2009

O destemperado Pedro Chequer e o Papa

Acompanhar a viagem do Papa Bento XVI à África é algo alentador. Esse "homem de branco" é portador de esperança para milhões de pessoas, e prova disso é a celebração de uma missa para 2 milhões de pessoas. As pessoas querem estar com o Santo Padre, querem ouvir suas palavras, querem viver aquilo que ele diz. Contudo, em terras brasileiras, há pessoas muito descontentes com certas declarações papais, especialmente quando o assunto são os preservativos. É fato que a epidemia de AIDS atinge proporções dramáticas na Àfrica, e o Papa expressou de modo firme que o caminho ensinado pela Igreja, de uma educação para o amor, é sem dúvidas o melhor combate frente a esse flagelo. E há pessoas rasgando as vestes em virtude disso.

Um desses indignados é o representante do UNAIDS no Brasil, Pedro Chequer. Aquele é o programa da ONU de combate à AIDS, no qual o preservativo é colocado como uma das prioridades no combate à AIDS. Pois bem, o senhor Chequer foi autor de declarações grosseiras a respeito dos comentários de Bento XVI sobre o preservativo, na África. Em matéria publicada no jornal paulistano "O Estado de São Paulo", há a seguinte declaração de nosso representante no UNAIDS:

"É lamentável que após toda a luta da sociedade para o controle da aids tenhamos uma pregação genocida. Há segmentos que só reconhecem os erros após cinco séculos, só que lidamos com um bem maior que é a vida e não podemos esperar cinco séculos"

Confesso que fiquei perplexo ao ler uma afirmação deste teor, vinda da parte de um representante de um órgão da ONU. O tom raivoso da mesma é evidente. Muito diferente, por exemplo, da forma com a qual o Papa explicou o tema na África, e foi escutado e aclamado por milhões de pessoas. Mas o sr. Chequer, do outro lado do Atlântico, considera-se autoridade para contestar e dizer que o Papa - e por conseguinte milhões de africanos - estão redondamente enganados.

O termo pregação genocida é de uma infelicidade sem tamanho. Genocídio é algo muito específico: o assassinato sistemático de indivíduos por pertencerem a determinado grupo étnico, religioso, etc. Por acaso o Papa Bento XVI falou algo sobre isso? Por acaso dizer que preservativos não são solução para a epidemia de AIDS é pregar assassinato? É preciso muita desonestidade e má fé para afirmar algo nesse teor. Há vinte anos existem campanhas de prevenção à transmissão do HIV baseadas primordialmente em distribuição de preservativos, e os resultados não são satisfatórios. Pelo contrário: no Brasil, por exemplo, o indíce de mulheres contaminadas cresceu assustadoramente nos últimos anos. Tendo em vista esses dados, poderia alguém dizer então que o UNAIDS possui uma pregação genocida? Isso seria ridículo. E qual o problema em propor um modelo de viver a sexualidade mais humano, baseado no amor, no respeito, na fidelidade? Isso é genocídio? Pedro Chequer ofendeu grosseiramente ao Papa e aos católicos, além de ter dito uma calúnia, afinal genocídio é um crime terrível. Mostrou ser, ainda, um intolerante frente à opiniões diversas. Em pleno século XXI é de se admirar que ainda haja pessoas imbuídas de um pensamento tão unilateral e fechado à opiniões distintas. Uma espécie de "fundamentalismo anti-católico".

E tem mais: eu e mais milhões de pessoas consideramos sim que o caminho mais adequado no combate à AIDS é valorizar o amor humano, a fidelidade e a abstinência, quando esta for necessária. Funcionou em Uganda e funciona com quem vive assim. Nós temos o direito de propor alternativas à pregação radical e intolerante do UNAIDS. E o curioso é justamente este ponto: a intolerância e radicalismo não são apresentadas pela Igreja, mas pelo UNAIDS e seus representantes. Ainda mais que os resultados das camapnhas de preservativos são no mínimo contestáveis. E por acaso sou obrigado a defender algo que vai contra minhas convicções mais íntimas? O UNAIDS quer obrigar-me a ir contra a minha consciência?

Dizer que alguns semgentos demoram cinco séculos para reconhecer seus erros é uma clara referência ao caso Galileu. O sr. Chequer, com o único intuito de atacar e ofender o Papa, faz uma demonstração de ignorância sobre o assunto. Além do mais, eu gostaria de compreender a relação entre Astronomia e preservativos... Enfim, não é nada temerário dizer que a motivação deste senhor é um rancor para com a Igreja, pura e simplesmente.

Mas Pedro Chequer não ficou por aí:

"A abstinência não é prática nem nos conventos do Vaticano"

Esta frase é a prova incontestável do anti-clericalismo e má fé do representante brasileiro no UNAIDS. Desde quando o sr. Chequer possui autoridade para julgar a vida ínitma das pessoas dessa forma? Um representante de um órgão tão importante jamais poderia rebaixar-se a esse nível. A quantidade de cristãos, incluindo aí solteiros, casados e religiosos, que vivem a castidade conforme pregado pela Igreja, é enorme. É até redundante dizer isso; surpreendente é saber que um representante brasileiro tenha tanto ódio à Igreja. Justamente no Brasil, o país com maior número de católicos do mundo. Chequer mostra-se um péssimo representante para os brasileiros. Ele odeia o Papa; os brasileiros, pelo contrário, deram enormes mostras de afeto para com o Romano Pontífice, em maio de 2007. Eu estive lá.

O maior problema dessas declarações de Pedro Chequer advém do cargo que ele ocupa. Ele é representante brasileiro em um órgão da ONU e deu essas declarações não em tom pessoal, mas em função de seu cargo. Se o sr. Chquer possui um ódio fundamentalista à Igreja, é problema dele e questão de foro íntimo. Ele não possui o direito de manifestar esse ódio como representante de um órgão oficial, ainda mais de forma tão grosseira: dizendo calúnias e ofensas dignas de uma mesa de boteco. Ou por acaso o UNAIDS é um órgão de combate à Igreja? Ou então um órgão autorizado à ofender a fé das pessoas? Ou então possui este órgão autoridade para julgar a vida íntima e moral das pessoas? Este órgão possui, por acaso, direito de proferir calúnias contra quem quer que seja? Afinal, 'pregação genocida' é calúnia pura e simples.

O sr. Chequer mostrou-se incapaz de lidar com opiniões divergentes, ofendeu diretamente as convicções de milhões de brasileiros e africanos e mostrou-se um anti-clerical de primeira categoria. Como brasileiro, não me sinto representado por alguém que mostrou de forma inequívoca ser incapaz de assumir um cargo de tamanha importância. Informo, ainda, que escrevi diretamente a ele, e a resposta que recebi foi profundamente decepcionante.

Até quando os brasileiros possuirão representantes tão ruins assim? Até quando toleraremos incompetentes e destemperados deste naipe representando nosso país em órgãos tão importantes? Pedro Chequer passou de todos os limites toleráveis, ofendeu de forma grosseira as convicções íntimas de milhões de pessoas e mostrou-se um anti-clerical radical e intolerante.

6 comentários:

marcelly disse...

Parabéns Rodolfo... fiquei muito feliz ao ler seu texto em defesa do Papa. Irei divular seu artigo por e-mail, citando a fonte, ok ?

Forte abraço.

Luciano Perim

Carlos Souza disse...

Muito bom o texto. Esse Chequer é só mais um desses que querem se auto-afirmar como intelectuais e vão pelo caminho mais fácil, que é atacar a Igreja.

R. B. Canônico disse...

Luciano, fique à vontade em divulgar o texto. Abraços.

Andrea disse...

Realmente é triste notar como os odiadores de plantão não medem as palavras e usam artifícios deste gênero para emocionar platéias a favor de suas ideologias. É muita desonestidade mesmo. “Pregação genocida é dose!

Esta gente tolera muita coisa, mas quando se trata da Igreja o discurso deles mostra logo sua face autoritária. É todo um discurso “novinlinguistico”. Acuse-os do que você faz...

Rodrigo disse...

Sou a favor da liberdade de opinião...Mas que as pessoas a exercitem com um mínimo de responsabilidade. Não é o que Chequer faz...
Abraço, Rodolfo!

marinaeguidi disse...

Muito bom texto Rodolfo, parabéns!! Defender nosso pastor é o mínimo que podemos fazer! Um abraço!
Marina Guidi