domingo, 8 de março de 2009

Aborto em PE - Direito de escolha?

A grande contradição desse caso é aquilo a que os abortistas chamam direito de escolha. Segundo eles, a mulher tem o direito de dispor sobre o seu corpo da forma que bem entender, e portanto possui todo o direito de abortar quando quiser. Não pretendo aqui refutar esse argumento: essa tarefa já foi realizada por outras pessoas de forma brilhante. Quero apontar, contudo, a grande mentira que existe sobre esse tal direito de escolha. Ele existe, desde que seja uma escolha idêntica àquela dos abortistas.


Vejamos o caso em questão. Não preciso repetir aqui a monstruosidade do padrasto, o drama da garota, etc. Contudo, alguns fatos precisam ser exaustivamente lembrados, e o principal deles é que a menina grávida não corria risco iminente de morte. Tanto que ela havia recebida alta do hospital em que estava internada. Note o leitor que o termo 'gravidez de risco' não implica em risco de morte iminente para a gestante. Há uma conhecida minha, grávida de poucas semanas, que está em uma gravidez de risco. E o estágio atual de desenvolvimento técnico da medicina permite levar adiante uma gravidez de risco e fazer com que a mulher tenha o parto e o bebê sobreviva. As UTI's neonatais estão aí para isso. Claro que o risco da gravidez em questão era realmente muito mais alto do que a média, mas ainda assim era possível prosseguir com a gravidez, tecnicamente. Não dá para saber se poderia ir até o final, pode ser que alguma interveção fosse necessária e os fetos viessem a morrer. O caso é que os médicos não optaram por esse caminho. Mataram os fetos antes de qualquer outra situação.


E aqui está a grande questão. Quem fez a opção pelo aborto? Certamente não foi a menina grávida, pois uma pessoa com 9 anos não é capaz de tomar muitas decisões sobre sua vida, ainda mais em um caso tão dramático quanto esse. A decisão deveria recair, então, sobre os pais. A mãe, conforme relato do pároco de Alagoinha, era inicialmente contra o aborto e foi induzida a mudar de opinião por ONG's abortistas. Eis a contradição: essas ONG's, que se dizem defensoras do direito de escolha, não respeitaram a escolha da mãe e a fizeram mudar de opinião. Quer dizer, não se respeitou a escolha da mãe.

Pior ainda são os argumentos do tipo "ah, queria ver se fosse com sua filha". Pois bem, o pai da garota era contra o aborto. E a decisão dele não foi respeitada. Cadê o direito de escolha? Os médicos e demais abortistas não o respeitaram, ao menos é a impressão que se tem. Pior são os argumentos histéricos do tipo "a justiça teria autoridade de obrigar a fazer o aborto". É isso o tal direito de escolha? Está certo...

O que vemos, enfim, por parte da opinião pública em geral é uma contradição gritante. Por um lado, defendem uma suposta liberdade em abortar; por outro, criticam a liberdade da pessoa em optar por não abortar.

Eu sempre achei que esse pessoal fosse meio totalitário, fanático mesmo, do tipo que não aceita opinião contrária. Agora eu tenho certeza.

5 comentários:

Andrea disse...

Também tenho certeza do totalitarismo dessa gente…é o totalitarismo relativista!

E outra coisa difícil de engolir é a “preocupação” de não-católicos mundo afora com a excomunhão dos reponsáveis pelo aborto...como se importasse mesmo para essa gente a vida espiritual dos católicos! Aff!

Emanuel Jr. disse...

Bom dia Rodolfo.

Como sempre excelente texto.

Acabei por precisar comentar toda essa questão lá no meu blog também. O que vejo de forma mas atônita é como a imprensa consegue mascarar os fatos dessa forma. Acho que seria muito pedir para a imprensa informar que a excomunhão dos envolvidos era automática. Pior ainda seria exigir que eles explicassem que a lei canônica determina excomunhão automática para casos de aborto e não de estupro. Mas isso é sonhar demais. Imagine que pra chegar nesse ponto precisariam primeiro explicar o poque de a Igreja ter o direito/dever de ligar e desligar.

Um dia a gente chega lá. Enquanto isso vá fazendo a sua parte, muito bem feita, diga-se de passagem, como você está fazendo que, assim, podemos contnuar sonhando.

Alexandre M. F. Silva disse...

Vivemos hoje a filosofia do "do not disturb" (não perturbe, não encha o saco, não incomode nossa consciência), da qual D. José Cardoso é vítima. Para preservar o conforto e tranqüilidade tudo vale, inclusive destruir e manipular humanas.

Realista disse...

Texto totalmente mentiroso!! A menina tinha risco sim!!! Em vez de você se preocupar com a vida alheia, vai se preocupar com a máfia romana, digo a igreja de Roma. Ela tá atolada de processos!!!

R. B. Canônico disse...

Realista,

Você está fora da realidade mesmo.

A garota havia recebido alta do hospital, pois não corria risco iminente de morte. Você, do alto de seus conhecimentos médicos, deveria ao menos ser honesto.

Por fim, o seu argumento infantil de não se preocupar com a vida dos outros deveria valer para vc. Afinal, vc teve até o trabalho de comentar aqui - em que agradeço - e mostra toda a sua incoerencia.