sexta-feira, 27 de março de 2009

Dias romanos

Amigos, o blog entrará em duas semanas de recesso. Irei à Cidade Eterna passar a Páscoa, participar de um congresso universitário, visitar alguns dos lugares mais belos do mundo e ficar emocionado. E algumas coisas mais, que depois eu conto por aqui. Será mágico - e eu acho que o amigo leitor não duvida disso, não é mesmo?

Estudei algo da história romana, e vale a pena o tempo investido. O livro de Tito Lívio é muito interessante, e já se distancia da forma como Heródoto conta a história, por exemplo. O mito da fundação de Roma, por Rômulo e Remo, já é ali explicado de outras formas. Enfim, é um livro clássico e de leitura bastante agradável. Aliás, gostei mais de ler do que "A Vida dos Doze Césares", do Suetônio. Talvez o motivo seja que a história do povo romano é gloriosa, mas a de seus líderes, salvo um ou outro, não seja lá aquele exemplo de vida que eu gostaria de levar. Impressionante como o padrão de virtude de um pagão está realmente abaixo daquele buscado por um cristão. O que para mim simplesmente é mais um motivo de credibilidade da divindade de Cristo - mas isso é outro papo.

Roma é um lugar mágico. Sede de um dos maiores impérios da humanidade. Sede da maior instituição da história da humanidade. Bom, também está marcada por ou um ou outro monumento honrando feitos lamentáveis de maçons do séc XIX, mas vá lá. Já foi o centro político do mundo, e hoje é o centro religioso.

Poucas cidades na história foram ou serão tão imponentes como Roma.

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Não deixem de ler os comentários de um especialista de Harvard que concorda com a posição do Papa sobre preservativos.Justificar

domingo, 22 de março de 2009

O destemperado Pedro Chequer e o Papa

Acompanhar a viagem do Papa Bento XVI à África é algo alentador. Esse "homem de branco" é portador de esperança para milhões de pessoas, e prova disso é a celebração de uma missa para 2 milhões de pessoas. As pessoas querem estar com o Santo Padre, querem ouvir suas palavras, querem viver aquilo que ele diz. Contudo, em terras brasileiras, há pessoas muito descontentes com certas declarações papais, especialmente quando o assunto são os preservativos. É fato que a epidemia de AIDS atinge proporções dramáticas na Àfrica, e o Papa expressou de modo firme que o caminho ensinado pela Igreja, de uma educação para o amor, é sem dúvidas o melhor combate frente a esse flagelo. E há pessoas rasgando as vestes em virtude disso.

Um desses indignados é o representante do UNAIDS no Brasil, Pedro Chequer. Aquele é o programa da ONU de combate à AIDS, no qual o preservativo é colocado como uma das prioridades no combate à AIDS. Pois bem, o senhor Chequer foi autor de declarações grosseiras a respeito dos comentários de Bento XVI sobre o preservativo, na África. Em matéria publicada no jornal paulistano "O Estado de São Paulo", há a seguinte declaração de nosso representante no UNAIDS:

"É lamentável que após toda a luta da sociedade para o controle da aids tenhamos uma pregação genocida. Há segmentos que só reconhecem os erros após cinco séculos, só que lidamos com um bem maior que é a vida e não podemos esperar cinco séculos"

Confesso que fiquei perplexo ao ler uma afirmação deste teor, vinda da parte de um representante de um órgão da ONU. O tom raivoso da mesma é evidente. Muito diferente, por exemplo, da forma com a qual o Papa explicou o tema na África, e foi escutado e aclamado por milhões de pessoas. Mas o sr. Chequer, do outro lado do Atlântico, considera-se autoridade para contestar e dizer que o Papa - e por conseguinte milhões de africanos - estão redondamente enganados.

O termo pregação genocida é de uma infelicidade sem tamanho. Genocídio é algo muito específico: o assassinato sistemático de indivíduos por pertencerem a determinado grupo étnico, religioso, etc. Por acaso o Papa Bento XVI falou algo sobre isso? Por acaso dizer que preservativos não são solução para a epidemia de AIDS é pregar assassinato? É preciso muita desonestidade e má fé para afirmar algo nesse teor. Há vinte anos existem campanhas de prevenção à transmissão do HIV baseadas primordialmente em distribuição de preservativos, e os resultados não são satisfatórios. Pelo contrário: no Brasil, por exemplo, o indíce de mulheres contaminadas cresceu assustadoramente nos últimos anos. Tendo em vista esses dados, poderia alguém dizer então que o UNAIDS possui uma pregação genocida? Isso seria ridículo. E qual o problema em propor um modelo de viver a sexualidade mais humano, baseado no amor, no respeito, na fidelidade? Isso é genocídio? Pedro Chequer ofendeu grosseiramente ao Papa e aos católicos, além de ter dito uma calúnia, afinal genocídio é um crime terrível. Mostrou ser, ainda, um intolerante frente à opiniões diversas. Em pleno século XXI é de se admirar que ainda haja pessoas imbuídas de um pensamento tão unilateral e fechado à opiniões distintas. Uma espécie de "fundamentalismo anti-católico".

E tem mais: eu e mais milhões de pessoas consideramos sim que o caminho mais adequado no combate à AIDS é valorizar o amor humano, a fidelidade e a abstinência, quando esta for necessária. Funcionou em Uganda e funciona com quem vive assim. Nós temos o direito de propor alternativas à pregação radical e intolerante do UNAIDS. E o curioso é justamente este ponto: a intolerância e radicalismo não são apresentadas pela Igreja, mas pelo UNAIDS e seus representantes. Ainda mais que os resultados das camapnhas de preservativos são no mínimo contestáveis. E por acaso sou obrigado a defender algo que vai contra minhas convicções mais íntimas? O UNAIDS quer obrigar-me a ir contra a minha consciência?

Dizer que alguns semgentos demoram cinco séculos para reconhecer seus erros é uma clara referência ao caso Galileu. O sr. Chequer, com o único intuito de atacar e ofender o Papa, faz uma demonstração de ignorância sobre o assunto. Além do mais, eu gostaria de compreender a relação entre Astronomia e preservativos... Enfim, não é nada temerário dizer que a motivação deste senhor é um rancor para com a Igreja, pura e simplesmente.

Mas Pedro Chequer não ficou por aí:

"A abstinência não é prática nem nos conventos do Vaticano"

Esta frase é a prova incontestável do anti-clericalismo e má fé do representante brasileiro no UNAIDS. Desde quando o sr. Chequer possui autoridade para julgar a vida ínitma das pessoas dessa forma? Um representante de um órgão tão importante jamais poderia rebaixar-se a esse nível. A quantidade de cristãos, incluindo aí solteiros, casados e religiosos, que vivem a castidade conforme pregado pela Igreja, é enorme. É até redundante dizer isso; surpreendente é saber que um representante brasileiro tenha tanto ódio à Igreja. Justamente no Brasil, o país com maior número de católicos do mundo. Chequer mostra-se um péssimo representante para os brasileiros. Ele odeia o Papa; os brasileiros, pelo contrário, deram enormes mostras de afeto para com o Romano Pontífice, em maio de 2007. Eu estive lá.

O maior problema dessas declarações de Pedro Chequer advém do cargo que ele ocupa. Ele é representante brasileiro em um órgão da ONU e deu essas declarações não em tom pessoal, mas em função de seu cargo. Se o sr. Chquer possui um ódio fundamentalista à Igreja, é problema dele e questão de foro íntimo. Ele não possui o direito de manifestar esse ódio como representante de um órgão oficial, ainda mais de forma tão grosseira: dizendo calúnias e ofensas dignas de uma mesa de boteco. Ou por acaso o UNAIDS é um órgão de combate à Igreja? Ou então um órgão autorizado à ofender a fé das pessoas? Ou então possui este órgão autoridade para julgar a vida íntima e moral das pessoas? Este órgão possui, por acaso, direito de proferir calúnias contra quem quer que seja? Afinal, 'pregação genocida' é calúnia pura e simples.

O sr. Chequer mostrou-se incapaz de lidar com opiniões divergentes, ofendeu diretamente as convicções de milhões de brasileiros e africanos e mostrou-se um anti-clerical de primeira categoria. Como brasileiro, não me sinto representado por alguém que mostrou de forma inequívoca ser incapaz de assumir um cargo de tamanha importância. Informo, ainda, que escrevi diretamente a ele, e a resposta que recebi foi profundamente decepcionante.

Até quando os brasileiros possuirão representantes tão ruins assim? Até quando toleraremos incompetentes e destemperados deste naipe representando nosso país em órgãos tão importantes? Pedro Chequer passou de todos os limites toleráveis, ofendeu de forma grosseira as convicções íntimas de milhões de pessoas e mostrou-se um anti-clerical radical e intolerante.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Rapidinhas

Epíteto relativista:

Tudo é relativo, menos esta frase.

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Minha rotina de postagens está alterada ultimamente porque minha rotina de vida também o está.

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Ainda há muito o que comentar sobre o caso do aborto em Recife. A mídia continua divulgando uma versão dos fatos que beira à farsa.

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A visita do Papa à África é algo emocionante.

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Em breve estarei em Roma. E pouco em breve de volta. Mas será legal. Comentarei mais detidamente esse assunto nos próximos dias.

sábado, 14 de março de 2009

O desabafo do Papa

O Papa publicou, essa semana, uma emocionante carta dirigida aos bispos de todo o mundo. A motivação dessa missiva foi o recente massacre da opinião pública em virtude do levantamento das excomunhões dos quatro bispos da FSSPX. O fato em si, que visa cicatrizar uma dolorosa ferida na Igreja, foi ofuscado por uma polêmica da mídia em torno de posições lamentáveis de D. Williamson. Já comentei sobre o caso aqui, mas o Papa foi mais adiante.

A mentalidade politicamente correta tene a abominar qualquer tipo de 'exclusão'. Isso fica evidente a partir do momento em que atentamos para o fato de que grupos considerados minorias oprimidas são tratados como intocáveis. Aí podemos contar indígenas, negros, homossexuais e qualquer outro grupo que possa ser enquadrado nesse contexto. Há até um lado bom nisso, que pode levar a superar injustiças sociais. Porém, ai daquele que ouse dizer, por exemplo, ser contra cotas raciais... já é logo chamado de racista, intolerante, obscurantista e tudo o mais.

Esse mesmo tratamento, porém, não é dada a muitos grupos. E aí se inclui todos os católicos. As opiniões divergentes são todas ouvidas e respetiadas, é claro. As dos católicos não. "Afinal, onde já se viu apoiar esses caras obscurantistas e medievais, que ficam obedecendo um cara vestido de branco que fica em Roma? Daremos nossas vidas pelas baianas do acarajé. Quanto aos católicos, esses não podem nem dar a sua opinião".

E o Papa arremata:

Às vezes tem-se a impressão de que a nossa sociedade precisa ter pelo menos um grupo para o qual não se pode demonstrar tolerância; o qual se possa facilmente atacar e odiar. E caso alguém ouse abordá-lo - neste caso, o papa - ele também perde qualquer direito à tolerância; ele também pode ser tratado odiosamente, sem temor ou moderação.

Santa hipocrisia desse pessoal, não é mesmo? Fosse o Dalai Lama, duvido que alguém criticaria!

Aliás, eu nunca havia lido um desabafo de um Papa em púiblico... para quem dizia que Ratzinger era um teólogo frio, sem carisma e outros blás blás blás, eis uma boa resposta.

domingo, 8 de março de 2009

Aborto em PE - Direito de escolha?

A grande contradição desse caso é aquilo a que os abortistas chamam direito de escolha. Segundo eles, a mulher tem o direito de dispor sobre o seu corpo da forma que bem entender, e portanto possui todo o direito de abortar quando quiser. Não pretendo aqui refutar esse argumento: essa tarefa já foi realizada por outras pessoas de forma brilhante. Quero apontar, contudo, a grande mentira que existe sobre esse tal direito de escolha. Ele existe, desde que seja uma escolha idêntica àquela dos abortistas.


Vejamos o caso em questão. Não preciso repetir aqui a monstruosidade do padrasto, o drama da garota, etc. Contudo, alguns fatos precisam ser exaustivamente lembrados, e o principal deles é que a menina grávida não corria risco iminente de morte. Tanto que ela havia recebida alta do hospital em que estava internada. Note o leitor que o termo 'gravidez de risco' não implica em risco de morte iminente para a gestante. Há uma conhecida minha, grávida de poucas semanas, que está em uma gravidez de risco. E o estágio atual de desenvolvimento técnico da medicina permite levar adiante uma gravidez de risco e fazer com que a mulher tenha o parto e o bebê sobreviva. As UTI's neonatais estão aí para isso. Claro que o risco da gravidez em questão era realmente muito mais alto do que a média, mas ainda assim era possível prosseguir com a gravidez, tecnicamente. Não dá para saber se poderia ir até o final, pode ser que alguma interveção fosse necessária e os fetos viessem a morrer. O caso é que os médicos não optaram por esse caminho. Mataram os fetos antes de qualquer outra situação.


E aqui está a grande questão. Quem fez a opção pelo aborto? Certamente não foi a menina grávida, pois uma pessoa com 9 anos não é capaz de tomar muitas decisões sobre sua vida, ainda mais em um caso tão dramático quanto esse. A decisão deveria recair, então, sobre os pais. A mãe, conforme relato do pároco de Alagoinha, era inicialmente contra o aborto e foi induzida a mudar de opinião por ONG's abortistas. Eis a contradição: essas ONG's, que se dizem defensoras do direito de escolha, não respeitaram a escolha da mãe e a fizeram mudar de opinião. Quer dizer, não se respeitou a escolha da mãe.

Pior ainda são os argumentos do tipo "ah, queria ver se fosse com sua filha". Pois bem, o pai da garota era contra o aborto. E a decisão dele não foi respeitada. Cadê o direito de escolha? Os médicos e demais abortistas não o respeitaram, ao menos é a impressão que se tem. Pior são os argumentos histéricos do tipo "a justiça teria autoridade de obrigar a fazer o aborto". É isso o tal direito de escolha? Está certo...

O que vemos, enfim, por parte da opinião pública em geral é uma contradição gritante. Por um lado, defendem uma suposta liberdade em abortar; por outro, criticam a liberdade da pessoa em optar por não abortar.

Eu sempre achei que esse pessoal fosse meio totalitário, fanático mesmo, do tipo que não aceita opinião contrária. Agora eu tenho certeza.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Aborto em PE - A excomunhão

Confesso que eu nem queria comentar aqui sobre a excomunhão. Mas como recebi duas mensagens - uma, muito cordial, da Andrea, e outra por email, esdrúxula - é o caso de esclarecer alguns pontos. Na verdade, D. José já esclareceu tudo, mas irei sintetizar a questão.

O aborto é, sem dúvida alguma, a mais cruel forma de assassinato de um ser humano. A vítima é absolutamente dependente da mãe, está na gênese de toda a sua história e não possui recurso de defesa algum. É a forma de vida humana mais frágil que existe, pois efetivamente está em formação física - formação essa, aliás, que seguirá por uns 18 anos ainda. Convém lembrar que o ser humano em sua forma embrionária já é único e irrepetível. As características que ele potencialmente encerra em si são exclusivas dele em toda a história humana. E isso é algo muito sério.

O aborto destrói toda essa história antes de começar efetivamente. Sem chance de defesa, sem misericórdia e com um utilitarismo bizarro. Faz-se o que é mais fácil. E a brutalidade do fato está justamente na fraqueza da vítima.

Não é a toa que a Igreja excomunga automaticamente todos os envolvidos diretamente no aborto: equipe clínica e mãe. Agora, algumas ponderações:

- Caso desconheça a pena de excomunhão para esse caso, mesmo que realize o aborto, a pessoa não estará excomungada. Incorre em pecado gravíssimo, mas não na pena canônica. Se os médicos desconheciam a pena de excomunhão, não estão excomungados. O mesmo para a mãe da criança de 9 anos.

- Quanto a esta, obviamente é vítima e ponto final. Não há pecado algum, nem muito menos excomunhão para ela. Ela merece sim nossas orações para que o Senhor a console abundantemente.

- Quanto ao padrasto da menina, não há pena de excomunhão para o estupro. O aborto é algo pior do que o estupro. Se neste a inocência da menina foi destruída, e sua infância arrasada, ela ainda terá chance de vencer e seguir adiante. A vida dará essa chance a ela. Quanto aos dois fetos abortados, para eles é o fim de sua curtíssima existência. Foram eliminados de forma precipitada.

Eis aí o motivo pelo qual o delito de aborto é mais grave do que o estupro - que, reforço, é um pecado de uma gravidade imensa, ambos o são. E se tem gente indignada com o fato da excomunhão alcançar 'apenas' a equipe médica, e não o padrasto, vai o meu recado.

Esse pessoal precisa ser coerente. Até ontem a excomunhão era uma decisão das trevas, da Idade Média, e não sei o quê mais. Agora, hoje, exigem a excomunhão de mais um cara? Ora, façam-me um favor!

Ainda escreverei muito sobre o caso. Recomendo que vocês acompanhem os links apresentados aqui ao lado, de blogs de amigos. Já há muita informação útil.

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Lula definitivamente não possui o menor discernimento sobre as coisas que diz... e recebeu um corretivo merecido de D. José.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Aborto em PE - Introdução

Todos devem estar acompanhando o caso terrível que houve em PE. Uma garota, de 9 anos, foi sistematicamente estuprada por seu padastro, até engravidar. É uma aberração tão grande, tão chocante, que eu fico perplexo diante de tal acontecimento. Certamente, é um momento de reflexão para perceber até que ponto pode chegar o ser humano. A maldade às vezes vai mais longe do que a imaginação pode alcançar.

Esse assunto, por outro lado, precisa ser exaustivamente analisado. Infelizmente, já virou motivos de crítica à Igreja e certamente tornar-se-á uma bandeira abortista. Uma atrocidade dessa magnitude será instrumentalizada por interesses ideológicos. Aliás, já está sendo.

Adianto já uma crítica: há muitas pessoas indignadas com a postura heróica do arcebispo de Olinda e Recife, D. José Cardoso Sobrinho.

Desculpem-me esses babacas, mas eu estou é indignado com a atitude do padrasto da menina.

Mas ainda falarei bastante sobre o assunto.

terça-feira, 3 de março de 2009

Cachorrices e homenzices

Todo dia, quando chego em casa, lá está o meu cachorro, fidelíssimo, abanando o rabo. É isso que posso esperar dele: que brinque um pouco, que coma, que durma e que queira sair para dar uma volta de coleira. Essa rotina só se quebra com alguma doença. Caso contrário, cão é cão as sure as eggs is eggs.

Cada dia que eu chego em casa, contudo, há uma nova expectativa. Alguma conquista, algum fracasso, um fato curioso. Sempre existe algo novo e diferente a contar. A vida humana é completamente imprevisível, e às vezes em apenas um dia pode ocorrer alguma mudança radical.

Eis aí a liberdade: enquanto meu cão todo dia come, dorme e brinca, eu, a cada dia, tenho possibilidades ilimitadas de atuação. Tudo o que acontecer vai depender, em boa parte de minhas escolhas, mas também de um certo 'acaso', que alguns chamam 'destino', e que prefiro chamar 'providência'.

Claro que isso não justifica as burradas que faço e que farei. Essa mesma liberdade, que meu cachorro não tem, traz-me uma série de responsabilidades e expectactivas que criam uma boa 'pressão' sobre mim. Mas, caramba, como isso é bom!

domingo, 1 de março de 2009

"God is great"

Assisti a pouco o filme "Slumdog Millionaire". Achei a história do filme muito dura. As pessoas sofrem bastante por aí. Mas Jamal, o personagem principal, é um baita sofredor. É um, sei lá, Jó indiano, com a diferença de que ele não perdeu tudo o que tinha: nunca teve praticamente nada e, do pouco que tinha, perdeu tudo. Mas a mensagem final é, no geral, de grande esperança. "God is great". Isso até me faz lembrar de uma música da Joan Osbourne, chamada "One of Us".

Mas todo aquele sofrimento retratado ali, com o qual nos deparamos de uma forma ou de outra todos os dias, é intrigante. O ser humano possui uma tendência natural de fugir ao sofrimento. Um cara da minha idade, que não tenha nenhum problema razoável, tende a se preocupar apenas com o que está próximo: ascenção financeira, um prazer fugaz, e depois, quem sabe, uma mulher e depois uma família. Uma grande dor - uma morte, uma doença, um sério revés profissional - pode jogar a pessoa no buraco ou elevá-la às alturas. É paradoxal, mas é assim.

Talvez a pessoa consiga deixar de lado um pouco da frivolidade de boa parte do que possui na vida e, por ter perdido algo precioso, passe a perceber o real valor do que tem à volta. É duro explicar, talvez seja até pretensão. No filme, Jamal, quanto menos possuía, mais esperança tinha. Isso ele nunca perdeu. É que apenas sua fraqueza poderia retirá-la. Além do mais, sem esperança, ele não possuiria mais nada. No fundo, se a pessoa não se render às circunstâncias, pode passar por tudo. Vai sofrer, mas não será derrotado.

Que mal há no mundo do qual não possa ser extraído um bem? "God is great".