quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Genocídio e genocídios

Já comentei algo aqui sobre o caso de D. Williamson e seus infelizes comentários sobre o Holocausto. Ocorre que a perseguição da qual o bispo passou a ser vítima extrapola qualquer limite do razoável, chegando aos limites da ma fé pura e simples. Sua expulsão da Argentina é sinal claro de que vivemos em um mundo onde as conveniências imperam, e não as verdades. A humanidade precisava de alguém para pagar o agravo do Holocausto e acalmar os ânimos da opinião pública. Assim, todos podem dormir em paz, saciando seu desejo de Justiça. Tudo muito conveniente.

Não é tão conveniente, contudo, lembrar de alguns outros genocídios. O massacre dos armênios, em 1915, é silenciado em vários países e negado até hoje pela Turquia. A ‘Cristiada’, no México, com seus milhares de mártires, está esquecida pelos livros de história. Há ainda quem defenda os republicanos espanhóis, na Guerra Civil, querendo justificar os milhares de assassinatos de cristãos. E Che Guevara e Fidel Castro, que em muitas fefeleches da vida ainda são vistos como heróis? Stálin, Lênin e Trotsky possuem uma ampla legião de admiradores em todo o globo. Isso que não vou me alongar em citar os massacres que hoje mesmo ocorrem na África, em países como o Sudão, e são solenemente ignorados pela opinião pública.

O silêncio frente a todos esses temas é perturbador, e deixa claro que boa parte da sociedade não está lá muito preocupada em genocídios, massacres e justiça. Caso contrário, um país que celebra um facínora como Mao Tsé Tung como herói sediaria os Jogos Olímpicos?

Há genocídio e genocídios. Quanto ao primeiro, é crime esquecê-lo. Sobre os outros, o crime é lembrá-los.

8 comentários:

Andrea disse...

Falou e disse!

Fico abismada ao perceber como muita gente não dá a mínima atenção aos massacres dos comunistas mundo afora! Parece que só conseguem ver aquilo que a mídia mostra sempre (no caso o Holocausto), como se reconhecer isso já fosse o bastante. Falta talvez um senso mais apurado de justiça e de amor pela verdade.

Eduardo Araújo disse...

Caros, já devem ter ouvido falar de O Livro Negro do Comunismo, autorado por uma equipe liderada por Stephan Courtois.

Até hoje, paira sobre essa obra um silêncio sepulcral, na mídia e nas universidades, quando os dados contidos no livro - todos eles fortemente amparados até em fontes oficiais de países comunistas! - expõem um panorama de extremo terror sobre aqueles regimes. Talvez o termo "desumanos" seja pouco para caracterizá-los (quem sabe CONTRA-humanos).

Mao, então, foi um exemplo acabado de monstruosidade, inclusive com estupros no seu "currículo" de líder. Conquanto, em se tratando de monstruosidade, esse atributo reveste todos eles, de Lenin a Pol Pot, sem esquercer os atuais em Cuba, Coréia do Norte, na própria China, no Vietnã e os aspirantes latinos, como Chavez e Morales.

Alexandre M. F. Silva disse...

Os massacres do stalinismo ocorreram há muitas décadas, e num mundo muito distante do nosso. Talvez seja impossível fazer com que tenham um dia a mesma repercussão do holocausto nazista. Mas no caso da Argentina poderíamos questionar sobre a coerência deste furor contra o bispo expulso e as políticas anti-vida incentivadas pelo governo da Argentina e de outros países latino-americanos. Isto não é dar continuidade ao eugenismo nazista?

R. B. Canônico disse...

Alexandre, não compreendo como os massacres de Stalin estejam distantes no tempo.

Eles são contemporaneos ao Holocausto, e mais, já está cabalmente comprovado que os métodos de massacre em massa, usados pelos naxistas, foram criados na URSS.

Veja o documentário, que já recomendei aqui, The Soviet History!

Alexandre M. F. Silva disse...

O que quero dizer é que os massacres do stalinismo ficaram ocultos durante muito tempo. É difícil que um dia ocupem um lugar equivalente ao nazismo no imaginário popular. O holocausto nazista ficou conhecido logo que terminou a 2ª guerra, e fizeram centenas de filmes sobre ele. Penso que há mais impacto em questionar o caráter eugenista da política anti-vida do governo argentino.

Marie Tourvel disse...

Negócio é o seguinte: o tal Williamson foi infeliz? Sim, foi. Os judeus merecem toda a nossa compreensão e solidariedade. A igreja o excomungou e depois voltou atrás? Problema da igreja. Quem quiser seguir os preceitos católicos aceite o que é imposto. Caso contrário, saia e procure outra. Simples assim. Se ele quer dizer que houve ou não holocausto, lhe dou o direito. Mas ele que me dê o direito de discordar de suas opiniões. E tudo isso, civilizadamente.

(Acha que estou vivendo num mundo "LewisCarrolliano" demais?) :)

Um beijo, Rodolfo, querido.

Christiane Forcinito Ashlay Silva de Oliveira disse...

Rodolfo

E o massacre comunista no camboja que deu até filme...

A Guerra espanhola?

Realmente... Usam da informação de forma unilateral.

Estou de volta, meu computador voltou.

Chris.

Rodrigo disse...

POis é, Rodolfo, uma de nossas tarefas é desmascarar qualquer tipo de totalitarismo...Não se pode viver pra sempre na mentira. Tenho fé!
Abraço e boa semana,
Rodrigo