quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

2010 dará trabalho

O mais legal de se chegar ao dia 31 de dezembro e concluir que o ano que passou foi formidável é o desafio para o ano seguinte. Muitos argumentam que essa história de ano novo é bobagem, que é mais um dia como os outros, e etc. Discordo. O ano novo é um marco e, como tal, nos ajuda. Da mesma forma que o Natal nos ajuda a lembrar o nascimento de Cristo.

E a virada de ano nos faz lembrar que, bem, o tempo passa e não podemos ficar para trás. É preciso correr.

Em 2009, mais pelas circunstâncias do que por mérito meu, acabei correndo muito. Mas 2010 precisa ser "mais com menos". Aproveitar melhor cada momento, desfrutar das boas alegrias e saber encarar as dores.

O desejo de um Feliz Ano Novo exclui, obviamente, que tenhamos doenças, contrariedades econômicas ou reveses de qualquer ordem. Mas eles virão. Por isso, devemos estar prontos para encarar o que vier pela frente. Como não ganharemos na Mega Sena da virada é bom estarmos preparados para a luta.

Um bom lema é uma inscrição que vi em um muro, em Roma: Pax in bello.

Paz na guerra.

A vida, aqui, é luta. E se vence a guerra batalha a batalha, mesmo com algumas derrotas.

Meu desejo a todos é que vençamos ainda mais batalhas no ano vindouro.

Feliz 2010 a todos!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

È Festa

Fim de ano. È festa!

Uma de minhas músicas favoritas... Premiata Forneria Marconi deveria ser mais conhecido!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Natal, 2009, etc.

Depois de um bom intervalo, volto a postar aqui. Desnecessário dizer que tal hiato foi causado pelas circunstâncias de trabalho e tudo o mais. Mas, sobrevivemos.

Contudo, nem só de trabalho vive o homem, e ultimamente assisti a uma série de espetáculos interessantes e li alguns livros e artigos que mereciam bons comentários por aqui. Mas não sei se farei isso.

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O fato é que saí da ignorância pura e simples sobre o ballet para uma ignorância de 'iniciados'... aquela ignorância que um 'intelequitual' qualquer destila, entre um gole e outro de um bom 'scotch', sobre as soluções para todos os problemas globais. Por isso mesmo, não falarei muito mais sobre ballet. Só o seguinte: quem puder assistir, assista.

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Aliás, patinação artítstica tem muito do ballet. Seria uma espécie de ballet sobre rodas? Sei lá.

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Eu queria treinar esgrima, mas precisaria deslocar-me no mínimo 400 km para cada treino. Não, as distâncias no mundo moderno não diminuíram. Ou melhor, diminuiu para quem possa pagar.

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Então, acho que treinarei boxe em 2010.

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Alguém consegue imaginar Nietzsche soltando umas boas gargalhadas? Ou pelo menos sorrindo? Eu não.

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Feliz Natal a todos!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Anos 90: eu tenho saudades

Ah, como era gostoso sair de casa nas férias, ficar o dia todo na rua andando de patins in line, jogando bet's ou futebol, passeando de bicicleta ou simplesmente batendo papo com os amigos, tomando uma tubaína de saquinho comprada ali no bar da esquina. Ninguém se preocupava em ver o orkut, ou o MSN e muito menos o Twitter, que nem existia. O chat era ali na calçada do vizinho.

Não era legal gravar em fita cassete o CD do álbum favorito, recém-adquirido pelo vizinho?

E o Coringão bi-campeão brasileiro?

jogar Street Fighter II no fliperama era sensacional.

Eu tenho saudades.

The Verve.





Radiohead.

sábado, 28 de novembro de 2009

Rede Globo: Irresponsabilidade social

Até o presente momento não assisti sequer instantes da atual novela das 8. Um grande privilégio. Mas soube, via fóruns de internet, que há um quadro no final de cada capítulo no qual aparecem depoimentos de pessoas que, de alguma forma, superaram grandes dificuldades na vida. Isso é muito bacana.

Contudo, houve um vídeo que causou uma boa confusão. Nele a depoente afirma que seu pai morreu em decorrência da Doença de Chron.

Para quem não sabe, a Doença de Chron é uma das chamadas doenças inflamatórias intestinais, junto com a Retocolite Ulcerativa. São doenças que possuem lá sua gravidade, podem complicar-se com o tempo, contudo não são letais. Os pacientes podem viver e trabalhar normalmente a maior parte do tempo, sem prejuízo algum em suas funções. Evidente que há casos e casos. Mas há um fato: não são doenças letais.

Já há uma imensa desinformação sobre esse grupo de doenças na população em geral, o que causa vários transtornos para os doentes, que são incompreendidos em suas necessidades. E aí vem a Rede Globo e apresenta esse depoimento com informações erradas. Quer dizer, será que um empregador não ficará com mais receio em contratar uma pessoa com Chron, por exemplo? É uma situação bastante complicada.

Informações sobre doenças inflamatórias intestinais podem ser encontradas aqui.

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Há várias celebridades portadoras de Chron. O guitarrista do Pearl Jam, por exemplo.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Um beliscão e uma pisadela (ou 79?)

Estando a Maria encostada à borda do navio, o Leonardo fingiu que passava distraído por junto dela, e com o ferrado sapatão assentou-lhe uma valente pisadela no pé direito. A Maria, como se já esperasse por aquilo, sorriu-se como envergonhada do gracejo, e deu-lhe também em ar de disfarce um tremendo beliscão nas costas da mão esquerda. Era isto uma declaração em forma, segundo os usos da terra: levaram o resto do dia de namoro cerrado; ao anoitecer passou-se a mesma cena de pisadela e beliscão, com a diferença de serem desta vez um pouco mais fortes; e no dia seguinte estavam os dois amantes tão extremosos e familiares, que pareciam sê-lo de muitos anos. - Trecho de Memórias de um Sargento de Milícias.

Eu ando devendo umas pisadelas por aí. 79 pisadelas. Tá, hoje talvez 80.

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Este artigo mostra a história dos beliscões nos namoros. Bizarro, se não fosse pelo menos, ahm, verossímil.

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Isso é rock:


sábado, 14 de novembro de 2009

Fugaz

Ah, como essa vida é fugaz.

Sinto como se estivesse tentando segurar a areia do tempo entre minhas mãos, mas ela não cessa de escorrer.

Eu aperto com muita força, tentando segurar, pois amo essa vida.

Mas tenho muita paz em saber que ela apenas está passando de minhas mãos para a de meu Pai. E dali nunca mais sairá.

Nem eu.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Ser socialista é...

É algo do qual não faço a menor ideia. Muitos dizem que é comum na juventude ser socialista, ou pelo menos defender várias ideias esquerdistas. Se for assim, sou velho. Ou sou mais jovem que todos, não sei. O fato é que tenho plena consciência de que nem a justiça é capaz de colocar uma ordem no mundo. A caridade - assim o explica o Papa Bento XVI - é o elemento que pode fazer a diferença nas relações econômicas. Mas como o mercado financeiro está distante da caridade...

Em suma, tanto o liberalismo radical quanto o socialismo mais retrógrado parecem-me utopias que querem dar um algoritmo de como resolver o problema do mundo. Desculpem-me todos, mas o ser humano não é uma mera porção de átomos regidos por determinadas leis socias, e tampouco o são as demais relações sociais. Nada é mais complexo, no Universo, do que a vida humana.

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A religião católica, concorde-se ou não com ela, oferece respostas contundentes à maioria dessas questões. Quanto às demais, as trata como mistério.

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Para o socialista, não há mistério. No máximo um enigma que pode ser solucionado com uma leitura mais atenta de "O Capital" ou, vá lá, de algum autor da Escola de Frankfurt.

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Para o cristão, a História começa com o pecado original e terminará na Parusia. Para o socialista, começa com a acumulação primitva do capital e terminará com o advento do comunismo.

Meu Deus, como é chato ser socialista: tudo muito previsível.

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O pior é ser socialista latino-americano, e ter de tomar banhos de três minutos, como na Vezeuela, ou limpar-se após evacuar utilizando o Granma, o jornal cubano.

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Aliás, finalmente o Granma teve uma utilidade digna de seu conteúdo: papel higiênico.

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Por fim, com relação aos banhos venezuelanos, fico imaginando o aroma exalado pelo presidente. É como dizem os cariocas: Caracas, meu!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Um diálogo sobre o caso Uniban

- E aí, você viu o que aconteceu na Uniban?

- Vi sim. Achei um desrespeito brutal da parte dos estudantes. Parecia um bando de animais atacando sua presa. Inadmissível e injustificável esse tipo de comportamento. Quanto à moça, também deveria se valorizar um pouco mais, e vestir-se de forma mais respeitável.

- É, mas por aqui eu já vi moças bem... menos vestidas, e confesso que não achei tão ruim não hehehe.

- Digamos que talvez não seja a forma como você gostaria de ver sua namorada por aí. Estou certo?

- É, bem... são casos diferentes.

- Ah... tá.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O melão

Há um livro do espanhol Alfonso Lopéz Quintás que trata de literatura. O nome eu não lembro, mas depois posso consultar aqui na biblioteca de casa e indicar. Ali há a explicação do que o autor denomina de "âmbitos de realidade". Sendo suscinto, é quando um acontecimento transcende seu significado inicial, restrito.

Um exemplo claro está na peça MacBeth. Quando Lady MacBeth tenta lavar manchas de sangue nota-se um impressionante transtorno nela. Tal efeito não é consequência de um incômodo com a sujeira do sangue, mas com a sujeira dos crimes cometidos. O sangue é, portanto, um âmbito de realidade.

Eu, que não sou assassino, impressiono-me com coisas bem mais sutis. O melão é, para mim, uma fruta que diz muito além de seu sabor. Antes era assim: apenas uma fruta doce e suculenta. Contudo, hoje, ao comer melão, vêm-me à memória recordações de momentos marcantes, de grandes alegrias. Hoje, o melão é capaz de fazer com que eu tenha sensações muito além do que seu sabor. O melão me faz feliz não por ser melão, mas pelas recordações que é capaz de causar.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Inspiração

Rostropovich tocando Bach. Infelizmente a incorporação do vídeo foi desativada. Mas é sublime.

Rostropovich talvez foi o maior violoncelista do séc. XX.

domingo, 18 de outubro de 2009

Dois milênios antes e depois

É frequente que alguém se espante com uma crença que parmanece imutável há dois milênios. Muito embora seja razoável, dado que o homem é o mesmo, independentemente da cultura na qual esteja inserido. O fato é que afirmações do tipo "nossa, sua crença é anacrônica" são muito comuns.

Para aqueles que dizem, com desprezo, que minha fé é a mesma de dois mil anos atrás, eu retrucarei, daqui em diante, que é a mesma que existirá também daqui a dois mil anos. Se sou membro de uma das mais antigas instituições do mundo isso não significa que estou sendo reacionário. Pelo contrário, este é o legítimo progressista: aquele que ensina o mesmo que será ensinado daqui a dois milênios. Progresso não é um afã desenfreado por mudanças, mas sim que possuir uma meta a ser alcançada.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Who is the third?

The Wasteland

V - What The Thunder Said


(...)

Who is the third who walks always beside you?

When I count, there are only you and I together
But when I look ahead up the white road
There is always another one walking beside you
Gliding wrapt in a brown mantle, hooded
I do not know whether a man or a woman
—But who is that on the other side of you?

(...)

T. S. Elliot

***

Nesse mesmo dia, dois discípulos caminhavam para uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios. Iam falando um com o outro de tudo o que se tinha passado. Enquanto iam conversando e discorrendo entre si, o mesmo Jesus aproximou-se deles e caminhava com eles. Mas os olhos estavam-lhes como que vendados e não o reconheceram. (Lc 24, 13-16)

***

Meu Deus, como isso é lindo!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Nobel da Paz sem Paz 2009

Barack Hussein Obama é o ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2009. Essa notícia deixou muita gente perplexa: que fez Obama em 10 meses de governo para merecer a premiação? Basta lembrar da obra de pessoas anteriormente felicitadas com o Prêmio, como Madre Teresa de Calcutá, e o espanto diante do reconhecimento do trabalho (?) de Obama aumenta ainda mais. Em termos comparativos, ele não fez absolutamente nada.

Muito foi prometido durante a campanha democrata. Houve quem pensasse que, com a eleição de Obama, o mundo entraria em uma espécia de "Pax Obamanis", ou algo semelhante. Para esses, as pessoas trocariam as armas por flores, as bombas nucleares seriam enviadas à Vênus, Plutão voltaria a ser um planeta e Bin Laden iria à Casa Branca, juntamente com o coro da Al Qaeda, cantar "Hakuna Matata" para o novo presidente dos Estados Unidos. Contudo, até agora o máximo que houve foi o envio de uns soldados extras ao Afeganistão, para intensificar a guerra por lá...

Obama ainda é responsável direto pela crise hondurenha. Ao posicionar-se a favor do comunistóide Zelaya, os EUA tornaram-se os principais responsáveis da confusão instalada em Tegucigalpa, mesmo agora tendo reconhecido que o 'golpe' de Micheletti foi... constitucional. Boa parte dos distúrbios lá ocorridos são de responsabilidade do governo americano.

Além disso, Obama recebeu reiterados elogios de personalidades queridíssimas, como por exemplo o presidente líbio Khadafi. Este disse que Obama poderia ser presidente americano para sempre, mais ou menos como o líbio é presidente de seu país para sempre. Atrair a simpatia de ditadores com inclinações ao terrorismo realmente é uma honra digna de um Nobel da Paz...

Lembro ainda que uma das primeiras medidas do governo Obama foi justamente liberar verbas para organizações abortistas e permitir as pesquisas com células-tronco embrionárias. Se no passado Madre Teresa ganhou o Prêmio Nobel e criticou severamente o aborto, hoje Obama talvez tenha ganho a premiação justamente por defender os 'direitos da mulher'.

E o grande pacifista ainda vai intensificar a guerra no Afeganistão, em oposição ao 'belicista' Bush...

Este é o Nobel da Paz 2009: alguém que não fez absolutamente nada pela paz, que é um dos responsáveis pela crise em Honduras, pela intensificação de guerras no Oriente Médio e pelo incentivo ao aborto no mundo.

Em suma, depois que João Paulo II não ganhou o Prêmio Nobel da Paz, tal condecoração certamente perdeu a credibilidade e mostrou-se com um viés ideológico potente.

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L'Osservatore Romano publicou reservas ante a premiação de Obama. Ainda bem!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Polanski e o sacerdote

Antes de mais nada, prometo que deixo Polanski em paz. Assim que ele cumprir sua pena, é claro.

Bem, saiu um soberbo artigo em Aceprensa, que o Jorge também publicou, e no final o autor indaga se, ao invés de Polanski fosse um sacerdote católico o criminoso, a reação seria a mesma. Ainda mais se mais 138 bispos assinassem uma carta em favor do canalha.

É evidente que virou um clichê demoníaco essa história de pedofilia entre o clero. Qualquer debate em fóruns nessa internet afora vira isso: "ah, mas os padres pedófilos... e a Igreja os defendeu..." e baboseiras do tipo.

Muito bem. Polanski embriaga e estupra uma menina. Centenas de artistas saem em seu favor. E cadê as pessoas rasgando as vestes com relação a isso? Onde estão as condenações veementes ao mundo artístico? Pois contra a Igreja não faltam críticas... Hipocrisia?

O mais dramático foi uma cartilha que saiu à época desses escândalos na Igreja dos EUA, e que orientava crianças a não ficarem sozinhas com adultos - ei, e a confissão, como fica?

Bom, será que sairá uma cartilha dessas falando algo sobre diretores de cinema?

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A menina e o monstro

O diretor de cinema Roman Polanski está preso por estuprar uma garota de 13 anos em 1977. E foi estupro mesmo - lamentavelmente o depoimento da moça está circulando na internet.

Agora, prenderam o canalha. Ele pode até ser um gênio do cinema, mas tem uma pena a ser cumprida.

A reação do pessoal do cenário artístico é deplorável, exigindo sua imediata libertação. A troco de nada.

É que, para essa gente, a genialidade de Polanski justifica suas transgressões. Por mais graves que tenham sido. Nem preciso comentar o absurdo disso.

A decadência moral do mundo artístico é assustadora, todos sabem. Mas não sabia que chegava a um nível tão baixo. O gênio agora pode tudo, é isso?

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

E os esquimós

Há uma nítida relação entre o ceticismo e indiferentismo religioso dos países nórdicos e a elevada taxa de suicídios naquela região. Alguns fatores indicam, contudo, que seja uma simples correlação, e não uma relação de causalidade. Além disso, argumenta-se que, devido à baixa incidência de sol em longos períodos do ano, há uma maior propensão dos indivíduos a deprimirem-se e, por conseguinte, levarem a cabo um plano de suicídio.

Efetivamente, não duvido desses dados. Mas será que o fator da perda de fé é tão irrelevante assim?

Então, resolvi verificar alguns índices sobre suicídios de esquimós, via Google. Basta digitar nos campos de pesquisa os termos "eskimo suicide rate" e aparecerão resultados interessantes.

Na verdade, não há como fazer comparações. As taxas de suicídio entre esquimós são elevadas pois tal prática é culturalmente aceita entre eles. E mais: os índices chegaram a pontos alarmantes, um problema de saúde pública.

Caramba. Mas não tenho mais tempo de pesquisar sobre o assunto.

Assim, o suicídio e a descrença dos nórdicos continuam a ser cientificamente, pelo menos para mim, uma correlação. Mas minha experiência - que é pouca, vá lá - cutuca dizendo que não, que deve haver alguma causalidade aí. Popularmente isso é conhecido como a pulga atrás da orelha. Depois procuro literatura sobre o assunto. Aliás, se alguém tiver alguma boa indicação...

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O caso Polônia

Na verdade, não tenho muito a escrever sobre a Polônia. Sempre foi um país caracteristicamente católico. Essencialmente católico.

E a repressão comunista, violentíssima, não apagou a fé do povo polonês. Na primeira visita de João Paulo II a seu país natal, um terço dos poloneses foram vê-lo dizendo o coro "Queremos Deus!".

A fé venceu.

Agora, a Polônia é livre e enriqueceu. O consumismo avança pesadamente.

E, aí, a fé de muitos fica abalada. O consumismo, a vida fácil, o prazer, o dinheiro, esses são inimigos muito mais ferozes para a fé dos poloneses do que foi o comunismo.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

O que fazer...

... quando não se tem tempo para atualizar o blog com textos que quero escrever e não consigo? Coloco algum vídeo bacana!

Mas é uma recomendação de filme: "Up - Altas Aventuras", a mais recente animação da Pixar. Tenham em mente que os melhores lançamentos dos últimos anos, no cinema, tratam-se de animações desse estúdio. Quem duvida é só assistir "Wall-e" ou "Os Incríveis", ou até mesmo "Procurando Nemo".

O trailer de "Up" está aqui (a incorporação foi desativada).

Ainda escreverei uma resenha mais detalhada sobre o filme. Mas eu quase chorei de emoção, e chorei de tanto rir. É excepcional.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

3ª Marcha da Cidadania pela Vida

Ocorreu em Brasília, no último domingo, 30 de agosto, a 3ª Marcha da Cidadania pela Vida. O evento foi um grande sucesso, e contou com a participação da cantora Elba Ramalho, que realizou uma apresentação musical. Abaixo, segue um vídeo sobre a marcha, no qual aprecem, aliás, vários grandes amigos meus:



Há que se destacar o fato de que o Ministério da Cultura havia bloqueado o financiamento dado para a Marcha. Haviam sido liberados pouco mais de 100 mil reais. Curioso é que para promover campanhas abortistas, como o escandaloso vídeo da Fiocruz, o governo solta a verba sem problemas. Sobre esse assunto, destaco o que disse a cantora Elba Ramalho:

A cantora revelou ainda que o próprio ministro da Cultura, Juca Ferreira, telefonou para ela antes de cancelar a verba do evento, explicando que ele próprio é contra o aborto, mas recebeu orientação para não apoiar a manifestação. "Eu disse a ele que não concordava com essa atitude do governo e que isso era censura à livre manifestação". E concluiu: "Infelizmente, estamos neste fim dos tempos percebendo que seremos cada vez mais perseguidos por nossas posições que defendem os valores. O mundo está cada vez mais dominado por forças estranhas".

Para quem for burro o suficiente de achar que o governo não é amplamente favorável ao aborto, eis a resposta definitiva.

Soube que houve abortistas na Marcha, e um amigo meu interpelou uma delas. Vejam o relato dele:

Tentei argumentar com uma das abortistas presentes. Ela estava com um cartaz dizendo que o aborto era um direito da mulher. Questionei se a mulher estivesse grávida de outra mulher, essa não teria também direito de nascer? A resposta que tive: ela me deu um dedo me mandando para aquele lugar! Daí podemos ver a abertura ao diálogo que aquelas pobres moças estavam dispostas.

Isso é o movimento abortista: a coisa mais nojenta de todos os tempos. Ok, talvez empate com o nazismo e o comunismo. Mas eu realmente fico em dúvida de quem está mais próximo do inferno: se o Partido Comunista da China ou a Planned Parenthood.

Também recomendo fortemente a leitura deste artigo da Dra. Lenise Garcia, presidente do movimento Brasil Sem Aborto.

Por fim, um recado aos imbecis do Minstério da Cultura. Eles disseram que a requisição do dinheiro omitiu informações, e por isso foi cancelado o apoio. Reparem que a Marcha é em defesa da vida; ser contra o aborto é defender a vida. É evidente o viés ideológico do MinC: não consideram o embrião e o feto como vida humana, e por isso uma marcha contra o aborto, segundo a lógica deles, nada tem com defesa da vida humana.

É para ter nojo ou não é?

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

But God can be funny...

A música Laughing with foi a que mais me disse coisas esse ano. Tocou fundo mesmo. Caramba, como é demais! Eu preciso conseguir o álbum da Regina Spektor o quanto antes!

A dica da música eu encontrei no blog do Júlio Lemos. Essa valeu o mês!



No one laughs at God in a hospital
No one laughs at God in a war
No one’s laughing at God
When they’re starving or freezing or so very poor

No one laughs at God
When the doctor calls after some routine tests
No one’s laughing at God
When it’s gotten real late
And their kid’s not back from the party yet

No one laughs at God
When their airplane start to uncontrollably shake
No one’s laughing at God
When they see the one they love, hand in hand with someone else
And they hope that they’re mistaken

No one laughs at God
When the cops knock on their door
And they say we got some bad news, sir
No one’s laughing at God
When there’s a famine or fire or flood

But God can be funny
At a cocktail party when listening to a good God-themed joke, or
Or when the crazies say He hates us
And they get so red in the head you think they’re ‘bout to choke
God can be funny,
When told he’ll give you money if you just pray the right way
And when presented like a genie who does magic like Houdini
Or grants wishes like Jiminy Cricket and Santa Claus
God can be so hilarious
Ha ha
Ha ha

No one laughs at God in a hospital
No one laughs at God in a war
No one’s laughing at God
When they’ve lost all they’ve got
And they don’t know what for

No one laughs at God on the day they realize
That the last sight they’ll ever see is a pair of hateful eyes
No one’s laughing at God when they’re saying their goodbyes
But God can be funny
At a cocktail party when listening to a good God-themed joke, or
Or when the crazies say He hates us
And they get so red in the head you think they’re ‘bout to choke
God can be funny,
When told he’ll give you money if you just pray the right way
And when presented like a genie who does magic like Houdini
Or grants wishes like Jiminy Cricket and Santa Claus
God can be so hilarious

No one laughs at God in a hospital
No one laughs at God in a war
No one laughs at God in a hospital
No one laughs at God in a war
No one laughing at God in hospital
No one’s laughing at God in a war
No one’s laughing at God when they’re starving or freezing or so very
poor

No one’s laughing at God
No one’s laughing at God
No one’s laughing at God
We’re all laughing with God

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

When you duel with the devil...

... living in your mind!

Caramba, finalmente colocaram o vídeo do Transatlantic 'Live in Europe' no Youtube! Essa música provavelmente foi uma das que eu mais 'curti' até hoje! Eu acho sensacional!

Neal Morse - Vocais e teclados;
Pete Trewavas - Baixo;
Roine Stolt - Guitarra e vocais;
Mike Portnoy - Bateria;







Ah, foi mal por postar uma música de quase meia-hora... esses caras são meio pretensiosos. A definição de rock progressivo, aliás, é essa: um rock pretensioso - muitas vezes pretensioso demais!

sábado, 22 de agosto de 2009

Estado Laico e futebol

O bom senso perdura no Judiciário brasileiro. Ainda bem. Essas malas de ateus, maçons e (alguns) protestantes não conseguiram tirar os curcifixos das repartições públicas. Ainda bem. novamente Não estamos em Cuba, nem na China. E o argumento utilizado foi simplesmente genial, a meu ver: De que, para um ateu, um crucifixo é meramente um adereço, um enfeite, sem nenhum significado além disso. No mais, é realmente conveniente que esteja ali, afinal é símbolo de um julgamento injusto e mostra muito bem a que ponto a crueldade e injustiças humanas podem chegar.

E que nenhum ateu militante venha com essa frescura de que o "crucifixo me ofende". Poxa, arranje o que fazer. Ainda se estivesse ali, sei lá, um "Guernica" de Picasso eu até concordaria com a reclamção. Aquilo é feio pra dedéu. Os crucifixos não; além de belos, possuem uma presença pra lá de marcante na formação cultural brasileira. Ou alguém nega a importância dos jesuítas, por exemplo, em nossa formação? Se os crucifixos estivessem no Irã, aí talvez fizesse algum sentido a reclamação. Mas mesmo assim seria duvidosa.

Argumentam ainda que seria um privilégio dado aos católicos, e que bem poderia haver uma imagem da Estrela de Davi ou do Crescente dos muçulmanos. Talvez até uma de Iemanjá. Por que não uma de Thor? Precisamos ser pluralistas, não é? Mas por que esses sábios da pluralidade não investem em uma área ainda mais discriminada? Falo dos esportes. Ali eles serão verdadeiros cruzados da Justiça! E eu demonstro o por quê.

Pois aqui no Brasil, onde já se viu, o Estado incentiva o futebol em detrimento de outras modalidades esportivas! Que absurdo! O Estado é laico, e não futebolista! A Copa do Mundo de 2014 vai sugar uma quantidade absurda de dinheiro em prol de um único esporte. E os praticantes de Badmington? E os bravos jogadores de futevôlei? E os adeptos do cricket? Sem falar ainda nos atletas do rugby, do handebol, de peteca, de jogo da velha e da já tradicional bola queimada (que, aliás, não conta com nenhuma quadra adequada para sua prática; pelo menos eu não conheço).

Será que os ateus não percebem que a verdadeira discriminação não está nos crucifixos presentes nos tribunais, mas sim nos campos de futebol que existem aos montes e nos campos de rugby que não existem? O Estado brasileiro, que deveria ser laico, é futebolista. E o presidente ainda é corintiano declarado - se fosse palmeirense aí seria o fim da picada! Para qual time de baseball será que ele torce, ou mais este esporte é discriminado em terras tupiniquins?

Sugiro mais uma emenda para a próxima reforma constitucional, proposta pelos petistas: além de acabar com o Senado, que tal eles acabarem com o futebolismo? O Estado também deve ser aconfessional em termos esportivos! Campos de softball já! Quadras de badmington nas escolas já!

Abaixo ao futebolismo oficial no Brasil! Por um Estado laico sem privilégios para ninguém!

O Maracanã é o maior símbolo da opressão do futebol sobre outros esportes! Fora Maracanã!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Algumas boas notícias

A primeira boa nova de hoje é que a Justiça decidiu que os crucifixos irão ficar nas repartições públicas! Finalmente um lampejo racinal de nossos juízes! Destaque para o seguinte comentário:

Sem qualquer ofensa à liberdade de crença, garantia constitucional, eis que, para os agnósticos, ou que professam crença diferenciada, aquele símbolo nada representa, assemelhando-se a um quadro ou escultura, adereços decorativos

Que maravilha!

***

O senador Flávio Anrs (PT/PR) anunciou que deixará o Partido. Motivo? Disse que, com o processo de Sarney e a atuação do PT no caso, a bandeira da ética foi rasgada. Antes tarde do que nunca, não é mesmo, senador? Afinal, em terra de cego quem tem um olho é rei.

***

Um vídeo de série "Músicas que eu e mais ninguém gostamos":

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Bebé Aído

No fatídico dia 19 de Maio de 2009 a ministra espanhola da Igualdade, Bibiana Aído, declarou que um feto de 13 semanas é um ser vivo, mas não um ser humano. Evidente que tamanha monstruosidade merecia retaliações, mas um grupo de espanhóis mandou realmente muito bem. Criaram uma espécie de pequeno chaveiro com o nome de "Bebé Aído", que retrata um feto de 12 semanas em proporção real. Há um site da campanha, com vários fotos do boneco.

É evidente que, olhando para a imagem do chaveiro, a vontade que se tem é de mandar essa ministra ir pastar. Qualquer pessoa com o mínimo de sensibilidade e bom senso olha para aquilo e prontamente pode concluir: trata-se de um ser humano. Nesse sentido, penso que a campanha será muitíssimo bem sucedida.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Gripe suína e paranóia

Toda essa paranóia da gripe suína começa a ter alguma utilidade, ao menos para mim. Sexta-feira fui almoçar em um shopping center com um amigo, e comi uma bela macarronada à bolonhesa. Como estava vestindo uma camisa branca, e ocorreu um incidente com a comida, vocês devem imaginar o estrago... por sorte, foram instalados recipientes com álcool gel ao longo dos corredores do shopping e, claro, na praça de alimentação. Não sei se o álcool gel possui algum outro efeito efetivo além de ressecar a pele da mão. As autoridades de saúde dizem que sim, então acho que devo acreditar.

Mas limpa roupa que é uma beleza. Pelo menos me quebrou um galho, e acho que ninguém que me encontrou ao longo do dia notou o incidente.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Você confia no Ministro da Saúde?

Esses tempos estava eu argumentando em minha casa que o fechamento das escolas era um exagero, uma espécie de paranóia coletiva e sanitarista. Pois, afinal, todos iremos pegar essa gripe A ou ao menos ter contato com o vírus H1N1. E disse que até o Ministro da Saúde havia pedido para as aulas retornarem à normalidade o quanto antes.

Meu pai que, desde o princípio, discordava de mim, argumentou de forma impressionante:

- E você por acaso confia nesse Ministro da Saúde?

Fiquei sem argumentos e refleti no quanto tinha sido ingênuo ao confiar em José Dengues Abortão.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Decadência plena

O Senado brasileiro esta em franca decadência. Chega a ser até ridículo afirmar isso, dado a deprimência daqueles senhores que estão pouco se lixando com o bom senso.

Isso foi o fim da picada.

E espero que todos saibam que há pessoas no PT rindo à toa com essa crise. Pois dela se lavanta, novamente, o imaculado Lula. Outros ainda comemoram o fato para levar adiante o maquiavélico plano de venezualização do Brasil, convocando uma Constituinte para acabar com o Senado - plano defendido por muitos petistas.

Quem viver verá.

domingo, 2 de agosto de 2009

Sobre com fazer nepotismo

Muitos brasileiros estão rasgando as vestes com a nomeação do namorado de neta de Sarney a algum cargo no Senado. Claro, isso é a ponto de um iceberg de denúncias, que mostram um pouco das maracutaias do nosso Legislativo. E a coisa têm muitos anos. "Nunca antes neste país" se viu tanta corrupção. Sinais dos tempos? Sinais dos governos? Pois bem, o STF, através, da súmula vinculante 13 vetou a nomeação de parentes para cargos públicos, com exceção de secretarias/ministérios. Guardem bem este fato.

O Paraná ultimamente não tem sido (des)governado apenas por Roberto Requião, mas sim plea família Requião. Toda ela, ou quase. E olha que não estou falando do primo da cunhado da sobrinha do governador não, como no caso Sarney. É que a família Requião é tão competente, mas tão competente, que o governador não viu outra saída a não ser nomeá-los (quase) todos eles para algum cargo modesto, com salário baixo, do tipo... secretário do estado. O governador certamente deve achá-los mais inteligentes e competentes do que boa parte da população, quiçá mais confiáveis. Eu simplesmente vejo que eles são mais espertos.

Citarei apenas três casos concretos dos Requião. Porque, aqui no Paraná, Requião é governador, secretário, diretor e tudo o mais que se possa imaginar. Veja: Eduardo Requião, irmão do governador, era superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA). Depois da decisão do STF, deram um jeitinho e ele foi nomeado secretário especial para Assuntos Portuários. Felizmente ele não está mais no governo, atualmente

Há o caso da esposa do governador, Maristela Requião, que era diretora do Museu Oscar Niemeyer, também fo nomeada secretária especial, a fim de não ser demitida. Ela continua no governo.

E o mais impressionante de todos: o outro irmão Requião, Maurício, foi nomeado conselheiro do TCU do Paraná. É impressionante. Felizmente não permitiram que essa situação constrangedora fosse levada à cabo.

E parece que ninguém dá muita bola para essas maracutaias. Requião já mandou agricultores tomarem no cú (ou quase), disse que o MST é uma "benção de Deus" e declara-se "militante de coração", dentre outras delicadezas emanadas da mais sincera e profunda caridade. E está aí, mandando e desmandando, já tendo feito esses malabarismos inacreditáveis que configuram um jeito mais, digamos, 'familiar' de governar.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Estudantes de Biologia

Está ocorrendo aqui na UEL o ENEB, Encontro Nacional dos Estudantes de Biologia. Eu, se um dia for professor e tiver que avaliar currículo de alunos, considerarei como pontos negativos a participação em encontros desse tipo. E não me perguntem o porquê, por favor. O fato é, que em tempos de férias escolares, essa turma de biólogos chamou a atenção.

Foi criado uma espécie de acampamento com a alcunha de "Acampamento Ecológico". Muita pretensão para algo cercado de lonas pretas, que não são, definitvamente, o supra-sumo da ecologia, não é mesmo? Aliás, os ecologistas parecem não entender muito de natureza, especialmente da natureza norte-paranaense. Afinal, montar um acampamento no mês de julho mais chovoso das últimas décadas é pedir para passar frio. Portanto, gentilmente estão ocupando algumas salas de aula para tanto, e usando espaços de prédios como varais. Não há agasalho que resista há tanta chuva, né? Sem falar no barro vermelho aqui da região... e vejo esse pessoal andando de meias e havaianas por aí. Como os bandeirantes!

Alguém pode até pensar que seja implicância minha. Ou trauma da pouca vergonha da UNE na semana passada. Então resolvi ir direto à fonte: consultar o site do evento. Uma pequena amostra:

10- NORTOX ARAPONGAS

Localizada no município de Arapongas, esta empresa, que produz de herbicidas e inseticidas, é uma das principais responsáveis pela produção do glifosato pós-emergente usado na cultura da soja transgênica. Lá vivem mais de 100 mil pessoas que estão permanentemente expostas à contaminação por seus produtos químicos.

Muito próximo à Nortox localiza-se o assentamento do MST Dorcelina Falador, que concentra um movimento organizado em discutir e protestar a respeito dos impactos gerados direta e indiretamente pela indústria.

Vagas disponíveis:44

Hum... MST?

Durante a construção coletiva do ENEB conversamos sobre a idéia de fazer um ATO POLÍTICO no final do Encontro.

Ah... há muito mais no site.

Mas não acho que seja novidade para ninguém, né? No fundo, no fundo, os verdes são como melancias: vermelhinhos por dentro...

domingo, 26 de julho de 2009

Tecnologia é legal

Tanto é assim que sou engenheiro eletricista/eletrônico. Mas já confessei aqui algo muito grave: sou um cara anacrônico. Meu primeiro celular 'ganhei', algo do tipo: "moleque, trate de usar isso". Passaram-se vários anos e ele me acompanhou com grande carinho, e fazia tudo o que se esperava de um celular: fazia chamadas normalmente e escrevia SMS. De quebra, ainda tinha uma agenda telefônica, motivo pelo qual aposentei minha memória há uns anos atrás - e a saafada insiste em não funcionar direito mesmo quando deveria. Adiante.

O meu velho companheiro faleceu esses tempos. Depois de alguns botões não funcionarem, ele pediu arrego. Requiescat in pace, meu amigo. Precisa ser muito macho para sobreviver àquela queda no asfalto.

Muito bem, por algumas conveniências profissionais adquiri um modelo que instala aplicativos - para eu carregar meus livros numa boa -, acessa WLAN's, para que eu faça Skypeout calls, tira fotos, cozinha, lava e passa. Agora eu entendo porque as pessoas viciam nessas coisas, a ponto de ficarem grudadas o dia todo no aparelho, como se o presidente da República estivesse a ligar para elas. E, nos tempos livres, ficam vasculhando fóruns na internet atrás de algum aplicativo que ensine como trocar os pneus do carro ou, mais ainda, troque o pneu. Evidentemente, é um software para uso do público feminino.

E, curioso: é mais fácil apegar-se a uma tralha dessas do que fazer um tempiho de oração. Como o ser humano é uma porcaria!

***

Ontem assisti ao concerto de encerramento do 29º Festival de Música de Londrina. No repertório, havia Mendhelsson com seu Sonho de uma noite de verão, cujo final você, caro leitor, certamente conhece:




E, também, a Missa em Dó maior, missa em tempo de guerra, de Haydn:



Foi um belo concerto. Em cidades nas quais o calendário cultural é restrito, eventos desses porte são imperdíveis.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Caritas in veritate

Publicada a nova Encíclica do Papa Bento XVI, "Caritas in veritate". Como anunciado, trata de temas sociais. Assim que eu conseguir ler, farei alguns comentários por aqui. Mas fica aí a dica de leitura para a semana.

Já adianto o início da conclusão que o Santo Padre faz: Sem Deus, o homem não sabe para onde ir e não consegue sequer compreender quem seja.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O genial debatedor G. K. Chesterton

A fama dos debates de Chesterton segue até nossos dias. Talvez não tenhamos, entre nós, um polemista tão terrível e um debatedor tão exímio. Fiquei curioso em procurar algum debate chestertoniano em virtude da última atualização do Tubo de Ensaio, na qual o Márcio nos apresenta um debate entre Dinesh D'Souza e Michael Schermer.

O fato é que encontrei um vídeo muito interessante. É uma reconstituição de um debate entre Chesterton e Blatchford, tendo por tema "milagres". Vale a pena conferir!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Pedofilia livre avança no Brasil

Depois do estarrecedor artigo de Olavo de Carvalho denunciando uma decisão de um tribunal gaúcho sobre um caso tipificado pela lei como pedofilia - no qual o acusado foi absolvido sob o argumento de consentimento da moça/criança - agora a ONU (!!!!!) critica o STJ. O motivo: a absolvição de acusados de pedofilia sob o argumento de que as crianças já haviam sido exploradas sexualmente anteriormente. Sim, era um caso de prostituição infantil.

É chocante saber que começam a aparecer alguns casos no judiciário brasileiro a favor da pedofilia. Como já citei aqui antes, há até um movimento global organizado a favor deste ato nefasto.

Precisamos ficar atentos e e admitir que, bem, isso está ficando real demais para ser considerado meramente uma teoria da conspiração.

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Pior é ter que concordar com a ONU. Eu considero que a ONU, e especialmente o Unicef, fariam um grande bem à humanidade se deixassem de existir. A partir do momento em que eu preciso concordar com o Unicef e discordar do STJ, concluo que a situação atingiu um nível alarmante no Brasil.

sábado, 27 de junho de 2009

Beat it

Michael Jackson não está mais entre nós. Ele é o astro pop mais celebrado porque é, de longe, o mais talentoso artista no cenário pop surgido nos últimos 30 anos. Pode-se até não se admirar o trabalho dele, porém negar seu valor é loucura.

Quem quiser assistir alguns clipes dele - que são simplesmente espetaculares - pode acessar este canal no Youtube.

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A morte de personalidades tão notórias como Michael Jackson (de forma precoce, além de tudo) ajuda a despertar algo importante na consciência das pessoas: a transitoriedade da vida.

Ele possuía uma fortuna e uma legião de fãs.

Ele morreu e tudo isso acabou.

É importante refletir sobre essas verdades.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

General Patton

Um dos heróis de guerra americanos, General Patton queria avançar com seu exército sobre a Europa Oriental, libertando-a do jugo soviético. Não houve permissão para isso. Apesar de ser uma figura excêntrica, Patton sabia que os comunistas eram tão inimigos quanto os nazistas. Ele estava certo. Enquanto a II Guerra foi uma libertação para a Europa Ocidental, para o Leste Europeu foi o início de um pesadelo que só acabou em 1989, com a queda do muro de Berlim.

Patton proferiu um discurso antológico aos seus soldados, que vale a pena ser lido. É difícil conter as gargalhadas em alguns momentos!

Now there's another thing I want you to remember. I don't want to get any messages saying that we are holding our position. We're not holding anything. Let the Hun do that. We are advancing constantly and we're not interested in holding onto anything -- except the enemy. We're going to hold onto him by the nose, and we're gonna kick him in the ass. We're gonna kick the hell out of him all the time, and we're gonna go through him like crap through a goose!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Caso da Irlanda: esclarecimento

Vale a pena ler o esclarecimento de Olavo de Carvalho sobre o caso de abusos por parte de membros da Igreja na Irlanda.

***

O pequeno conto 'O Curioso Impertinente', presente em Dom Quixote, revela uma grande verdade: a possibilidade de um homem apaixonar-se por uma mulher com a qual vai gradualmente ganhando intimidade é imensa. Chega a ser quase certeiro.

Isso não siginifica que não possa haver amizade entre homens e mulheres. Mas que há graus diferentes de intimidade nesses relacionamentos, há. E o ambiente atual, permeado por um falso igualitarismo originado no feminismo fajuto, deixa até circunstâncias evidentes, como essa, de lado.

domingo, 31 de maio de 2009

Tecnologia, relacionamentos e distância

No documentário que eu postei ali embaixo, "Criança, a alma do negócio", um dos momentos que mais chamou a atenção foi a idéia do psicólogo da USP de que o telefone celular, que deveria aproximar as pessoas, as distancia. Essa idéia é interessante, e penso que pode ser expandida para muitos aspectos da revolução das comunicações que vivemos, especialmente com o advento da internet nas últimas décadas.

É fato que, com a internet, posso conhecer pessoas do mundo todo. E conheço mesmo. Alguns de meus melhores amigos eu conheci, primeiramente, pela internet. As possibilidades são fantásticas. Tenho contato fácil com meu primo que mora na Itália; conheço inúmeras pessoas com os mesmos interesses que eu. Aliás, não fosse a internet, não teria com quem conversar sobre Rock Progressivo. É um novo mundo, que merece ser desbravado. Há até quem tenha encontrado a esposa pela internet. Eu não considero isso ruim, muito pelo contrário.

Ocorre que um relacionamento humano 'virtual' é, bem, digamos, 'virtual'. Muitos aspectos da vida não são abarcados na internet. Quando eu vejo um amigo, e ele está triste, imediatamente percebo. A expressão da pessoa demonstra isso, claramente. Mas, para perceber isso, é preciso um conhecimento profundo do outro, e a internet não o permite nesse grau. As expressões, o modo como a pessoa reage, sua gesticulação, tudo isso diz muito sobre nós. E isso só pode ser alcançado através de um relacionamento constante, profundo e sincero. O contato humano é algo maravilhoso e insubstituível. Pergunte para sua mãe ou namorada(o) se ela trocaria um abraço por uma simples imagem de webcam. A resposta é óbvia.

Isso não exclui o valor de sites de relacionamentos ou mensageiros instantâneos. Mas é preciso ficar claro que eles jamais substituirão a convivência das pessoas.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

O preço da novidade

Esses dias um amigo estava analisando preços dos televisores de LED, a nova tecnologia de reprodução de imagens. São caros, muito caros. Alguns milhares de reais, para ser um pouco mais preciso. Imediatamente lembrei do preo dos televisores de plasma, quando surgiram: em média, o preço era o mesmo do que um carro popular. Pouquíssimas pessoas têm condições de adquirir um produto desses. E todos sabem que passa um ou dois anos e esses aparelhos já estão em um padrão de preço razoável.

Mas eu estive pensando: o que leva um ricaço a gastar 10 mil reais em uma televisão? Certamente não é necessidade, pois esse tipo de aparelho está longe de ser um bem necessário. É o luxo, o privilégio de ser o primeiro a tê-lo. O status. E isso custa caro. E também é fútil. Novidades custam caro; a qualidade só é necessariamente cara quando vem com o status de novidade. E como tem quem queira pagar por isso...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Dia Sem Imposto

Hoje foi o dia para protestar contra a abusiva carga tributária no país. Saiu até no UOL. A idéia era que os consumidores pagassem gasolina sem o preço dos tributos, o que representa um combustível aproximadamente 40% mais barato. Aposto que um dos motivos da aprovação do governo Lula é a ignorância da população sobre a quantidade de tributos que se paga para manter o Leviatã Petista vivo e operante. Por isso é fundamental a luta para que o preço dos impostos venha discriminado em nossas contas do preço do produto.

Como foi comentado, acho que no Ordem Livre, inserir o preço dos tributos nos produtos, sem discriminar, é uma forma cruel de alienação da população.

E, caramba, foi uma das primeiras ações efetivas da Direita no país, desde que me conheço por gente! Que surjam mais e mais iniciativas concretas como essas!

sábado, 23 de maio de 2009

Proselitismo ateu

Não sei se sempre houve ateus. Ao menos, indiferentes ou pessoas que não levassem a sério as religiões e mitos de seus povos existiram em algumas civilizações. Basta ler a história e ver a crise da religião romana, por exemplo. Chegou um momento em que ela não dizia mais nada a seus fiéis - tanto que o Império tornou-se cristão. Um ateísmo sistemático, porém, parece-me invenção mais recente, algo de, no máximo, uns três ou quatro séculos atrás.

A grande questão é que os ateus de hoje querem fazer que os outros sejam ateus, e desconheço algum registro histórico de um fenômeno semelhante precedente à esse. O cúmulo, evidentemente, são os comunistas: nos países em que essa desgraça triunfou, as crianças são doutrinadas para perderem a fé de seus pais. Há ainda a situação patética de caras como Dawkins - o paladino do ateísmo - que julgam estar a um passo de acabar com as religiões. Todos elas! Pretensão? Megalomania? Delírio - usando um termo dawkinsoniano - ?

Uma grande diferença entre um crente e um cético está justamente na justificação do proselitismo. Um cristão, por exemplo, deve ser proselitista, caso contrário vive mal a sua fé. Ele acredita que a outra pessoa, caso não creia, morrerá eternamente. Isso é uma motivação para expandir a religião, como de fato acontece. A religião apresenta uma dimensão pública, necessariamente, seja na forma de culto, seja através do proselitismo.

Já o ateísmo não apresenta uma dimensão pública de culto. Abolido Deus, a quem irá se cultuar? Sim, deve haver um substituto, pois a natureza humana está inclinada a Deus e, se não o adora, adorará um falso 'deus'. Normalmente, os deuses eleitos são o Estado ou o próprio 'eu'. E, além disso, sem um sentido de eternidade, o ateu acredita que é apenas um grão de poeira no Universo que veio do nada e irá para o nada. Qual o sentido de fazer o bem? De lutar por algo? Eu honestamente não compreendo como um cético se motiva a viver. Talvez amor pelos amigos, pela família? Imagino que sim. O fato é que o único argumento razoável de proselitistas como Dawkins seria um propenso 'amor à verdade', no sentido de fazer com que as pessoas saiam do erro da religião e descubram a grande verdade: Deus não existe e Dawkins está certo. Mas, se não existe Verdade, como pode algo ser verdadeiro? Não é tudo relativo? Se minha vida é apenas um quase-nada, surgido ao acaso do grande nada, sem nenhuma motivação transcedental, por que raios vou comprometer-me a fazer algo que julgo bom ao outro? Se eu vou morrer, apodrecer e nada mais, o mais coerente seria eu aproveitar o máximo possível o 'meu' tempo: os outros que se lixem! Vou lá eu perder meu curto tempo com isso?

Já presenciei uma discussão entre dois ateus, um comunista e o outro não. O comunista argumentou que queria fazer um mundo melhor e o outro discordava visceralmente: queria um mundo pior. Este é coerente. Talvez ele tenha parado para pensar que o conceito de 'melhor' e 'pior' é evidentemente comparativo, e só faz sentido quando há um padrão da comparação. Qual o padrão de comparação do ateu? Algo necessariamente imperfeito, criação humana, afinal ele não acredita em nenhuma realidade transcedental. Não acredita no Bem. Então, tanto faz se isso ou aquilo está bom ou ruim: tudo é relativo, não é mesmo? Até mesmo o conceito de bom e ruim, dizem eles.

E, por fim, eu vejo total sentido em fazer alguém acreditar em algo. Por que raios vou querer fazer alguém não acreditar em algo? Os cristãos não fizeram os pagãos deixarem de acreditar em seus ídolos, simplesmente. Deixaram de acreditar pois deveriam cultuar o verdadeiro Deus. O ateu proselitista quer que deixemos de cultuar esse Deus para cultuar o quê? Nós mesmos? O Estado? Dawkins?

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Holocausto: lamentar nunca é demais

A visita do Papa Bento XVI à Israel foi um evento certamente marcante. O Pontífice não teve respeito humano algum ao criticar, por exemplo, o muro separando israelenses e palestinos. As palavras foram todas muito sensatas e diretas, sem nenhum tom ofensivo. Mas há quem tenha se sentido ofendido mesmo assim.

Um ou outro líder judeu considerou que o Papa não lamentou o suficiente pelo holocausto. Como não? Bento XVI já esteve até em Auschwitz. E o que dizer da recente reprimenda a D. Williamson? A impressão que fica é que, para alguns, por mais que se deplore o Holocausto, nunca é suficiente. Porque, se o que o Papa fez não foi suficiente, eu não consigo imaginar o que seja.


sábado, 16 de maio de 2009

Criança, a alma do negócio


O vídeo acima vale a pena ser visto com atenção - aliás, não deixem de ver as outras partes no Youtube, pois está ali na íntegra. É uma reflexão sobre a publicidade voltada às crianças. O tom do documentário é fortemente contrário à propaganda voltada ao público infantil, e elenca uma série de malefícios que isso tem causada nas crianças. O filme serve de alerta para muitos pais por aí, que mimam os filhos: não é à toa que há tantos pamonhas por aí.

Concordo que se uma criança ainda não tem condições de decidir o que é melhor e pior para sua vida, não pode decidir o que comprar para comer. Pelo menos não frequentemente. Afinal, até mesmo eu, se decidisse comprar o que quero, viveria a base de doces, especialmente o chocolate. Mas aí entra uma coisa que vem com a idade - a virtude - e a gente acaba comendo o que preciso: repolho, couve e outras coisas muito piores que chocolate. Mas a criança ainda não possui essas virtudes, e como boa parte dos pais hoje em dia são uns molengões, o resultado é que a obesidade infantil cresce assustadoramente. A desnutrição já é um problema alimentar muito inferior à obesidade. Pasmem!

Agora, o pior de tudoé o que estão fazendo com as meninas. Elas já querem ser 'mulherezinhas', e aí há um festival de horrores pela frente. Todas maquiadas. Algumas que chegam a parecer uma dessas pequas insuportáveis de shopping center. Vestem-se muito mal, afinal, precisam valorizar o corpo e fazer seus namoradinhos... isso para crianças de 10, 12 anos! O pior é que tem quem chegue aos 30 ainda com essa mentalidade...

O grande problema é a educação: as pessoas não são educadas a adquirir virtudes, fazem o que sentem ser melhor. Isso para mim é frescura. Mas enfim, a situação é caótica. Um autor que analisou com propriedade a situação foi MacIntyre. Estou bastante interessado em ler "Depois da Virtude".

***

O documentário defende a proibição da publicidade voltada ao público infantil. Aliás, esse é o projeto de lei proposto pelo deputado Hauly (PSDB-PR). Não sei se é uma boa o Estado intervir dessa forma... sinceramente, não sei. O fato é que os publicitários foram além do limite do tolerável.

Agora, que as famílias deveriam desligar suas televisões também é fato. A criança brasileira assiste, em média, 4:50 h de televisão por dia! Não é à toa que o grande educador hoje é a mídia, e não a família. E esse fato é bizarro e lamentável.

***

Um dos entrevistados que mais gostei foi um professor de psicologia da USP, aquele que lembra o Raul Seixas. Ele diz algo muito interessante sobre celulares: esses aparelhos deveriam unir mais as pessoas, mas naverdade as distancia. Cada um coloca seu fone e vive ali, dentro da sua bolha.

Muito interessante a análise, e qualquer um pode constatar isso saindo em uma rua movimentada.

Penso o mesmo da internet. Ela de fato une muita gente - quantas pessoas não conheci através do blog! -, contudo afasta muitas outras que deveriam estar próximas.

O fato é que nenhum destes instrumentos tecnológicas é capaz de um realacionamento humano pleno. Para tanto, a convivência é e continuará a ser indispensável.

sábado, 9 de maio de 2009

Ou todos ou eu

Será que apenas eu não estou ligando muito para essa gripe suína? Esse assunto deixou-me tão entediado a ponto de eu boicotar as notícias sobre ele. É isso mesmo: não leio (quase) nada sobre espirros, OMS e afins. Exceção feita à notícia de suspeita da doença em Londrina... o que ainda assim não foi capaz de apavorar-me frente à iminência do Apocalipse midiático. Ainda que eu esteja imunossuprimido - é assim que se escreve? Ou estou ficando maluco, ou há uma paranóia excessiva sobre o caso.

Hoje mesmo um infectologista disse que essa gripe não é mais perigosa que uma gripe comum. Outro falou que a doença pode ser pior do que aparenta. É como a cafeína: numa semana médicos apontam ela como uma grande vilã na vida das pessoas; na semana seguinte, contudo, a cafeína é praticamente o elixir da vida. É bom que eles se decidam, pois preciso concluir se entro em pânico ou continuo vivendo normalmente, sem máscaras, como tenho feito nos últimos dias.

***

Uma notícia bizarra saiu no UOL semana passada, referente ao lixo causado pela Virada Cultural. Um amigo paulistano disse que certos lugares cheiravam como uma fossa. Um estado lamentável. E o jornalista tenta justificar a situação, afirmando que até mesmo no funeral de João Paulo II houve uma porquice parecida.

Qual o parâmetro do jornalista? Algo do tipo: "Ah, os católicos sujaram Roma então o pessoal da Virada suja São Paulo". Ou então, o mais razoável, supor que onde há muita gente, há uma certa quantidade de porcões, e aí acontece essas coisas. O problema é que talvez o funeral de João Paulo II tenha sido uma das maiores concentrações humanas da história, e querer compará-lo à Virada Cultural é uma forçada de barra, sob todos os aspetcos.

É implicância minha ou houve uma alfinetada à Igreja nesse assunto? Até quando se fala de lixo o pessoal consegue cutucar a Igreja?

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Lendo e não entendendo

É interessante a forma como alguns radicais gostam de interpretar a Bíblia. E nesse grupo não se enquadram apenas os fundamentalistas protestantes: os ateus militantes padecem exatamente dos mesmos problemas quando o assunto é compreensão do texto sagrado.

Se pegarmos, por exemplo, aquela passagem de "Grande Sertão: Veredas" em que é citado o caso de uma pessoa que mira a margem oposta de um rio e nada para atravessá-lo; contudo, devido à correnteza, não chega exatamente no ponto em que desejava. A intenção do autor vai muito além de mostrar que o seu nadador não era um Michael Phelps, e ignorar isso é deixar de lado completamente os principais sentidos do texto. Ou ignorância, ou burrice.

E uma pessoa que quer levar esse método bitolado de interpretação para a Sagrada Escritura, ou torna-se um ateu radical-militante-mala ou um protestante fundamentalista. No caso dos primeiros, especialmente para citar que o Genesis está em contradição com a ciência. É um disparate tão grande colocar o assunto neste patamar que é difícil imaginar uma resposta séria a intervenções desse tipo.

domingo, 26 de abril de 2009

Gianna Vittoria - vitória da vida contra o aborto

Essa notícia é tão impressionante que farei uma pausa nos meus comentários romanos. Em Londrina, uma mulher portadora da Síndrome de Eisenmerger engravidou. O que isso tem de tão especial? Essa síndrome pode levar a uma mistura do sangue arterial com venoso, acarretando a morte da paciente. O risco de morte para a mulher, no momento do parto, é bastante elevado. Mesmo com esse quadro, uma londrinense engravidou.

Os médicos do Hospital Universitário de Londrina assumiram uma conduta, a meu ver, absurda. Escreveram laudos apontando risco de 75% de chance de morte para a mulher. De onde tiraram esse número? Fizeram uma estatística de casos análogos? Uma média ponderada? Uma média harmônica? Independente disso, o fato é que a única solução apontada foi o aborto. Um tanto quanto maquiavélica essa equipe médica. E, claro, imagino que a grande 'preocupação' deles fosse com a a vida da mãe. Sei, sei...

Ocorre que tanto a mulher quanto seu marido não quiseram o aborto. E, para poder ter o filho, tiveram que ir a São Paulo. Os médicos londrinenses não quiseram lutar pelas vidas, queriam acabar com uma em função de outra. E mais: eles não respeitaram o direito de escolha do casal, que queria lutar pelas duas vidas, a da mãe e de seu filho.

O horror dos horrores é que o HU de Londrina apontou o aborto como uma 'necessidade', de acordo com a reportagem. Eis a irresponsabilidade desta equipe médica: por eles, a criança não teria nascido. Isso seria uma tragédia na vida daquela familia. Felizmente há médicos sensatos, que respeitam verdadeiramente a liberdade das pessoas, e que cumprem o seu dever, que é zelar pelas vidas.

E o resultado está aí: Gianna Vittoria nasceu, a mãe dela está muito bem, obrigado, e há mais uma família sendo constituída, apesar de todas as dificuldades. O mais chocante é saber que a maior dificuldade é oferecida não foi pela doença em si, que permitiu que as duas vidas seguissem seu curso, mas por médicos, que queriam acabar com uma das vidas.

Agora as pessoas não terão que lutar mais contra doenças, mas terão que lutar contra os próprios médicos?

***

Eu não tenho certeza, mas dá para intuir que o nome Gianna Vittoria é, em primeiro lugar, uma homenagem a Santa Gianna, e em segundo, uma homenagem à vitória em uma situação tão adversa. Reforço que não foi a doença da mãe que quase impediu o nascimento de Gianna, foram alguns médicos.

domingo, 19 de abril de 2009

Lições de uma fachada


Orvieto é uma cidade impressionante. Estar em uma lugar medieval foi, para mim, um momento marcante. Sempre fui um apaixonado por este período histórico e jamais aquelas babaquices de Idade das Trevas entraram na minha cabeça. Como assim pessoas que construíram algo como essa foto demonstra possam ser ignorantes? Além do mais, a cidade construída sobre um monte, dominando a paisagem de um maravilhoso vale, possui um 'quê' de paradisíaco. Deu vontade de morar lá, de nunca mais sair dali. Atravessar uma muralha e ver o contraste entre o passado e o presente é, também, bastante interessante. Carros atravessando portões de uma muralha constituem uma imagem muito interessante. Por que raios o homem que construiu o carro deva ser 'superior' ao homem que construiu aquele muro?

Essa catedral talvez possua a mais bela fachada do mundo. É impressionante, e demorou trezentos anos para ser concluída. A motivação do povo desta cidade em construir esse monumento colossal foi o milagre eucarístico ali ocorrido no séc. XIII. Se você não acredita nisso, OK, respeito profundamente sua opinião. Eu só acho meio complicado que uma ilusão motive pessoas por três séculos seguidos, mas enfim. É inegável que os homens desse lugar acreditaram piamente neste milagre e que isso moveu gerações e gerações por lá. O mais interessante é que os nomes dos responsáveis por esse monumento se perderam. Quem foram os artistas responsáveis? O arquiteto? Os escultores? O mais chocante é que há obras de arte que sequer podem ser vistas, pois ficam escondidas atrás das torres. O que motiva um artista a fazer uma obra que não será apreciada, mas que está ali e é esplendorosa?

Quando se trabalha por amor, o resultado é esse. E o amor a Deus moveu os responsáveis pela construção dessa catedral, e não a busca da glória humana. Os nomes deles estão perdidos, e muitas obras estão ocultas. Para eles, isso não certamente não importa. É certo que não queriam glória humana, mas dar glória a Deus. E por mais que isso nos choque, é fato. Essa fachada, além de ser magnífica, traz inúmeras lições.

sábado, 18 de abril de 2009

Ah, que saudades de Roma...

Algumas semanas e um terremoto depois, cá estou de volta ao nosso Brasil. Há algumas coisas aqui que são melhores do que na Itália, evidentemente, como a água. E a ausência de terremotos, confesso, é algo consolador. Contudo, que saudade de Roma...

Ainda escreverei algumas coisas sobre a cidade eterna. Sem dúvida, um dos lugares mais belos e onde mais fatos marcantes ocorreram na história. Afinal, ali já foi praticamente o centro do mundo por séculos e é hoje um dos grandes - senão o principal - 'centro espiritual' da humanidade. Eu fiquei profundamente impressionado co aquela cidade. Deu até vontade de morar lá, mesmo que eu saiba falar apenas um misto macarrônico de espanhol e italiano - na prática, não domino nenhum desses idiomas. Mas foi o suficiente para não se perder na cidade, conseguir comer todo dia e achar os toilletes sem grandes dificuldades.

Irei fazer alguns posts sucessivos sobre a cidade, pois estive em vários locais bastantes significativos e que merecem comentários. Adianto que dois lugares foram muito significativos para mim: o scavi no Vaticano e as catacumbas de São Calixto e São Sebastião.

E, claro, uma ou outra boa foto que tiramos pela cidade.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Dias romanos

Amigos, o blog entrará em duas semanas de recesso. Irei à Cidade Eterna passar a Páscoa, participar de um congresso universitário, visitar alguns dos lugares mais belos do mundo e ficar emocionado. E algumas coisas mais, que depois eu conto por aqui. Será mágico - e eu acho que o amigo leitor não duvida disso, não é mesmo?

Estudei algo da história romana, e vale a pena o tempo investido. O livro de Tito Lívio é muito interessante, e já se distancia da forma como Heródoto conta a história, por exemplo. O mito da fundação de Roma, por Rômulo e Remo, já é ali explicado de outras formas. Enfim, é um livro clássico e de leitura bastante agradável. Aliás, gostei mais de ler do que "A Vida dos Doze Césares", do Suetônio. Talvez o motivo seja que a história do povo romano é gloriosa, mas a de seus líderes, salvo um ou outro, não seja lá aquele exemplo de vida que eu gostaria de levar. Impressionante como o padrão de virtude de um pagão está realmente abaixo daquele buscado por um cristão. O que para mim simplesmente é mais um motivo de credibilidade da divindade de Cristo - mas isso é outro papo.

Roma é um lugar mágico. Sede de um dos maiores impérios da humanidade. Sede da maior instituição da história da humanidade. Bom, também está marcada por ou um ou outro monumento honrando feitos lamentáveis de maçons do séc XIX, mas vá lá. Já foi o centro político do mundo, e hoje é o centro religioso.

Poucas cidades na história foram ou serão tão imponentes como Roma.

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Não deixem de ler os comentários de um especialista de Harvard que concorda com a posição do Papa sobre preservativos.Justificar

domingo, 22 de março de 2009

O destemperado Pedro Chequer e o Papa

Acompanhar a viagem do Papa Bento XVI à África é algo alentador. Esse "homem de branco" é portador de esperança para milhões de pessoas, e prova disso é a celebração de uma missa para 2 milhões de pessoas. As pessoas querem estar com o Santo Padre, querem ouvir suas palavras, querem viver aquilo que ele diz. Contudo, em terras brasileiras, há pessoas muito descontentes com certas declarações papais, especialmente quando o assunto são os preservativos. É fato que a epidemia de AIDS atinge proporções dramáticas na Àfrica, e o Papa expressou de modo firme que o caminho ensinado pela Igreja, de uma educação para o amor, é sem dúvidas o melhor combate frente a esse flagelo. E há pessoas rasgando as vestes em virtude disso.

Um desses indignados é o representante do UNAIDS no Brasil, Pedro Chequer. Aquele é o programa da ONU de combate à AIDS, no qual o preservativo é colocado como uma das prioridades no combate à AIDS. Pois bem, o senhor Chequer foi autor de declarações grosseiras a respeito dos comentários de Bento XVI sobre o preservativo, na África. Em matéria publicada no jornal paulistano "O Estado de São Paulo", há a seguinte declaração de nosso representante no UNAIDS:

"É lamentável que após toda a luta da sociedade para o controle da aids tenhamos uma pregação genocida. Há segmentos que só reconhecem os erros após cinco séculos, só que lidamos com um bem maior que é a vida e não podemos esperar cinco séculos"

Confesso que fiquei perplexo ao ler uma afirmação deste teor, vinda da parte de um representante de um órgão da ONU. O tom raivoso da mesma é evidente. Muito diferente, por exemplo, da forma com a qual o Papa explicou o tema na África, e foi escutado e aclamado por milhões de pessoas. Mas o sr. Chequer, do outro lado do Atlântico, considera-se autoridade para contestar e dizer que o Papa - e por conseguinte milhões de africanos - estão redondamente enganados.

O termo pregação genocida é de uma infelicidade sem tamanho. Genocídio é algo muito específico: o assassinato sistemático de indivíduos por pertencerem a determinado grupo étnico, religioso, etc. Por acaso o Papa Bento XVI falou algo sobre isso? Por acaso dizer que preservativos não são solução para a epidemia de AIDS é pregar assassinato? É preciso muita desonestidade e má fé para afirmar algo nesse teor. Há vinte anos existem campanhas de prevenção à transmissão do HIV baseadas primordialmente em distribuição de preservativos, e os resultados não são satisfatórios. Pelo contrário: no Brasil, por exemplo, o indíce de mulheres contaminadas cresceu assustadoramente nos últimos anos. Tendo em vista esses dados, poderia alguém dizer então que o UNAIDS possui uma pregação genocida? Isso seria ridículo. E qual o problema em propor um modelo de viver a sexualidade mais humano, baseado no amor, no respeito, na fidelidade? Isso é genocídio? Pedro Chequer ofendeu grosseiramente ao Papa e aos católicos, além de ter dito uma calúnia, afinal genocídio é um crime terrível. Mostrou ser, ainda, um intolerante frente à opiniões diversas. Em pleno século XXI é de se admirar que ainda haja pessoas imbuídas de um pensamento tão unilateral e fechado à opiniões distintas. Uma espécie de "fundamentalismo anti-católico".

E tem mais: eu e mais milhões de pessoas consideramos sim que o caminho mais adequado no combate à AIDS é valorizar o amor humano, a fidelidade e a abstinência, quando esta for necessária. Funcionou em Uganda e funciona com quem vive assim. Nós temos o direito de propor alternativas à pregação radical e intolerante do UNAIDS. E o curioso é justamente este ponto: a intolerância e radicalismo não são apresentadas pela Igreja, mas pelo UNAIDS e seus representantes. Ainda mais que os resultados das camapnhas de preservativos são no mínimo contestáveis. E por acaso sou obrigado a defender algo que vai contra minhas convicções mais íntimas? O UNAIDS quer obrigar-me a ir contra a minha consciência?

Dizer que alguns semgentos demoram cinco séculos para reconhecer seus erros é uma clara referência ao caso Galileu. O sr. Chequer, com o único intuito de atacar e ofender o Papa, faz uma demonstração de ignorância sobre o assunto. Além do mais, eu gostaria de compreender a relação entre Astronomia e preservativos... Enfim, não é nada temerário dizer que a motivação deste senhor é um rancor para com a Igreja, pura e simplesmente.

Mas Pedro Chequer não ficou por aí:

"A abstinência não é prática nem nos conventos do Vaticano"

Esta frase é a prova incontestável do anti-clericalismo e má fé do representante brasileiro no UNAIDS. Desde quando o sr. Chequer possui autoridade para julgar a vida ínitma das pessoas dessa forma? Um representante de um órgão tão importante jamais poderia rebaixar-se a esse nível. A quantidade de cristãos, incluindo aí solteiros, casados e religiosos, que vivem a castidade conforme pregado pela Igreja, é enorme. É até redundante dizer isso; surpreendente é saber que um representante brasileiro tenha tanto ódio à Igreja. Justamente no Brasil, o país com maior número de católicos do mundo. Chequer mostra-se um péssimo representante para os brasileiros. Ele odeia o Papa; os brasileiros, pelo contrário, deram enormes mostras de afeto para com o Romano Pontífice, em maio de 2007. Eu estive lá.

O maior problema dessas declarações de Pedro Chequer advém do cargo que ele ocupa. Ele é representante brasileiro em um órgão da ONU e deu essas declarações não em tom pessoal, mas em função de seu cargo. Se o sr. Chquer possui um ódio fundamentalista à Igreja, é problema dele e questão de foro íntimo. Ele não possui o direito de manifestar esse ódio como representante de um órgão oficial, ainda mais de forma tão grosseira: dizendo calúnias e ofensas dignas de uma mesa de boteco. Ou por acaso o UNAIDS é um órgão de combate à Igreja? Ou então um órgão autorizado à ofender a fé das pessoas? Ou então possui este órgão autoridade para julgar a vida íntima e moral das pessoas? Este órgão possui, por acaso, direito de proferir calúnias contra quem quer que seja? Afinal, 'pregação genocida' é calúnia pura e simples.

O sr. Chequer mostrou-se incapaz de lidar com opiniões divergentes, ofendeu diretamente as convicções de milhões de brasileiros e africanos e mostrou-se um anti-clerical de primeira categoria. Como brasileiro, não me sinto representado por alguém que mostrou de forma inequívoca ser incapaz de assumir um cargo de tamanha importância. Informo, ainda, que escrevi diretamente a ele, e a resposta que recebi foi profundamente decepcionante.

Até quando os brasileiros possuirão representantes tão ruins assim? Até quando toleraremos incompetentes e destemperados deste naipe representando nosso país em órgãos tão importantes? Pedro Chequer passou de todos os limites toleráveis, ofendeu de forma grosseira as convicções íntimas de milhões de pessoas e mostrou-se um anti-clerical radical e intolerante.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Rapidinhas

Epíteto relativista:

Tudo é relativo, menos esta frase.

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Minha rotina de postagens está alterada ultimamente porque minha rotina de vida também o está.

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Ainda há muito o que comentar sobre o caso do aborto em Recife. A mídia continua divulgando uma versão dos fatos que beira à farsa.

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A visita do Papa à África é algo emocionante.

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Em breve estarei em Roma. E pouco em breve de volta. Mas será legal. Comentarei mais detidamente esse assunto nos próximos dias.

sábado, 14 de março de 2009

O desabafo do Papa

O Papa publicou, essa semana, uma emocionante carta dirigida aos bispos de todo o mundo. A motivação dessa missiva foi o recente massacre da opinião pública em virtude do levantamento das excomunhões dos quatro bispos da FSSPX. O fato em si, que visa cicatrizar uma dolorosa ferida na Igreja, foi ofuscado por uma polêmica da mídia em torno de posições lamentáveis de D. Williamson. Já comentei sobre o caso aqui, mas o Papa foi mais adiante.

A mentalidade politicamente correta tene a abominar qualquer tipo de 'exclusão'. Isso fica evidente a partir do momento em que atentamos para o fato de que grupos considerados minorias oprimidas são tratados como intocáveis. Aí podemos contar indígenas, negros, homossexuais e qualquer outro grupo que possa ser enquadrado nesse contexto. Há até um lado bom nisso, que pode levar a superar injustiças sociais. Porém, ai daquele que ouse dizer, por exemplo, ser contra cotas raciais... já é logo chamado de racista, intolerante, obscurantista e tudo o mais.

Esse mesmo tratamento, porém, não é dada a muitos grupos. E aí se inclui todos os católicos. As opiniões divergentes são todas ouvidas e respetiadas, é claro. As dos católicos não. "Afinal, onde já se viu apoiar esses caras obscurantistas e medievais, que ficam obedecendo um cara vestido de branco que fica em Roma? Daremos nossas vidas pelas baianas do acarajé. Quanto aos católicos, esses não podem nem dar a sua opinião".

E o Papa arremata:

Às vezes tem-se a impressão de que a nossa sociedade precisa ter pelo menos um grupo para o qual não se pode demonstrar tolerância; o qual se possa facilmente atacar e odiar. E caso alguém ouse abordá-lo - neste caso, o papa - ele também perde qualquer direito à tolerância; ele também pode ser tratado odiosamente, sem temor ou moderação.

Santa hipocrisia desse pessoal, não é mesmo? Fosse o Dalai Lama, duvido que alguém criticaria!

Aliás, eu nunca havia lido um desabafo de um Papa em púiblico... para quem dizia que Ratzinger era um teólogo frio, sem carisma e outros blás blás blás, eis uma boa resposta.

domingo, 8 de março de 2009

Aborto em PE - Direito de escolha?

A grande contradição desse caso é aquilo a que os abortistas chamam direito de escolha. Segundo eles, a mulher tem o direito de dispor sobre o seu corpo da forma que bem entender, e portanto possui todo o direito de abortar quando quiser. Não pretendo aqui refutar esse argumento: essa tarefa já foi realizada por outras pessoas de forma brilhante. Quero apontar, contudo, a grande mentira que existe sobre esse tal direito de escolha. Ele existe, desde que seja uma escolha idêntica àquela dos abortistas.


Vejamos o caso em questão. Não preciso repetir aqui a monstruosidade do padrasto, o drama da garota, etc. Contudo, alguns fatos precisam ser exaustivamente lembrados, e o principal deles é que a menina grávida não corria risco iminente de morte. Tanto que ela havia recebida alta do hospital em que estava internada. Note o leitor que o termo 'gravidez de risco' não implica em risco de morte iminente para a gestante. Há uma conhecida minha, grávida de poucas semanas, que está em uma gravidez de risco. E o estágio atual de desenvolvimento técnico da medicina permite levar adiante uma gravidez de risco e fazer com que a mulher tenha o parto e o bebê sobreviva. As UTI's neonatais estão aí para isso. Claro que o risco da gravidez em questão era realmente muito mais alto do que a média, mas ainda assim era possível prosseguir com a gravidez, tecnicamente. Não dá para saber se poderia ir até o final, pode ser que alguma interveção fosse necessária e os fetos viessem a morrer. O caso é que os médicos não optaram por esse caminho. Mataram os fetos antes de qualquer outra situação.


E aqui está a grande questão. Quem fez a opção pelo aborto? Certamente não foi a menina grávida, pois uma pessoa com 9 anos não é capaz de tomar muitas decisões sobre sua vida, ainda mais em um caso tão dramático quanto esse. A decisão deveria recair, então, sobre os pais. A mãe, conforme relato do pároco de Alagoinha, era inicialmente contra o aborto e foi induzida a mudar de opinião por ONG's abortistas. Eis a contradição: essas ONG's, que se dizem defensoras do direito de escolha, não respeitaram a escolha da mãe e a fizeram mudar de opinião. Quer dizer, não se respeitou a escolha da mãe.

Pior ainda são os argumentos do tipo "ah, queria ver se fosse com sua filha". Pois bem, o pai da garota era contra o aborto. E a decisão dele não foi respeitada. Cadê o direito de escolha? Os médicos e demais abortistas não o respeitaram, ao menos é a impressão que se tem. Pior são os argumentos histéricos do tipo "a justiça teria autoridade de obrigar a fazer o aborto". É isso o tal direito de escolha? Está certo...

O que vemos, enfim, por parte da opinião pública em geral é uma contradição gritante. Por um lado, defendem uma suposta liberdade em abortar; por outro, criticam a liberdade da pessoa em optar por não abortar.

Eu sempre achei que esse pessoal fosse meio totalitário, fanático mesmo, do tipo que não aceita opinião contrária. Agora eu tenho certeza.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Aborto em PE - A excomunhão

Confesso que eu nem queria comentar aqui sobre a excomunhão. Mas como recebi duas mensagens - uma, muito cordial, da Andrea, e outra por email, esdrúxula - é o caso de esclarecer alguns pontos. Na verdade, D. José já esclareceu tudo, mas irei sintetizar a questão.

O aborto é, sem dúvida alguma, a mais cruel forma de assassinato de um ser humano. A vítima é absolutamente dependente da mãe, está na gênese de toda a sua história e não possui recurso de defesa algum. É a forma de vida humana mais frágil que existe, pois efetivamente está em formação física - formação essa, aliás, que seguirá por uns 18 anos ainda. Convém lembrar que o ser humano em sua forma embrionária já é único e irrepetível. As características que ele potencialmente encerra em si são exclusivas dele em toda a história humana. E isso é algo muito sério.

O aborto destrói toda essa história antes de começar efetivamente. Sem chance de defesa, sem misericórdia e com um utilitarismo bizarro. Faz-se o que é mais fácil. E a brutalidade do fato está justamente na fraqueza da vítima.

Não é a toa que a Igreja excomunga automaticamente todos os envolvidos diretamente no aborto: equipe clínica e mãe. Agora, algumas ponderações:

- Caso desconheça a pena de excomunhão para esse caso, mesmo que realize o aborto, a pessoa não estará excomungada. Incorre em pecado gravíssimo, mas não na pena canônica. Se os médicos desconheciam a pena de excomunhão, não estão excomungados. O mesmo para a mãe da criança de 9 anos.

- Quanto a esta, obviamente é vítima e ponto final. Não há pecado algum, nem muito menos excomunhão para ela. Ela merece sim nossas orações para que o Senhor a console abundantemente.

- Quanto ao padrasto da menina, não há pena de excomunhão para o estupro. O aborto é algo pior do que o estupro. Se neste a inocência da menina foi destruída, e sua infância arrasada, ela ainda terá chance de vencer e seguir adiante. A vida dará essa chance a ela. Quanto aos dois fetos abortados, para eles é o fim de sua curtíssima existência. Foram eliminados de forma precipitada.

Eis aí o motivo pelo qual o delito de aborto é mais grave do que o estupro - que, reforço, é um pecado de uma gravidade imensa, ambos o são. E se tem gente indignada com o fato da excomunhão alcançar 'apenas' a equipe médica, e não o padrasto, vai o meu recado.

Esse pessoal precisa ser coerente. Até ontem a excomunhão era uma decisão das trevas, da Idade Média, e não sei o quê mais. Agora, hoje, exigem a excomunhão de mais um cara? Ora, façam-me um favor!

Ainda escreverei muito sobre o caso. Recomendo que vocês acompanhem os links apresentados aqui ao lado, de blogs de amigos. Já há muita informação útil.

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Lula definitivamente não possui o menor discernimento sobre as coisas que diz... e recebeu um corretivo merecido de D. José.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Aborto em PE - Introdução

Todos devem estar acompanhando o caso terrível que houve em PE. Uma garota, de 9 anos, foi sistematicamente estuprada por seu padastro, até engravidar. É uma aberração tão grande, tão chocante, que eu fico perplexo diante de tal acontecimento. Certamente, é um momento de reflexão para perceber até que ponto pode chegar o ser humano. A maldade às vezes vai mais longe do que a imaginação pode alcançar.

Esse assunto, por outro lado, precisa ser exaustivamente analisado. Infelizmente, já virou motivos de crítica à Igreja e certamente tornar-se-á uma bandeira abortista. Uma atrocidade dessa magnitude será instrumentalizada por interesses ideológicos. Aliás, já está sendo.

Adianto já uma crítica: há muitas pessoas indignadas com a postura heróica do arcebispo de Olinda e Recife, D. José Cardoso Sobrinho.

Desculpem-me esses babacas, mas eu estou é indignado com a atitude do padrasto da menina.

Mas ainda falarei bastante sobre o assunto.

terça-feira, 3 de março de 2009

Cachorrices e homenzices

Todo dia, quando chego em casa, lá está o meu cachorro, fidelíssimo, abanando o rabo. É isso que posso esperar dele: que brinque um pouco, que coma, que durma e que queira sair para dar uma volta de coleira. Essa rotina só se quebra com alguma doença. Caso contrário, cão é cão as sure as eggs is eggs.

Cada dia que eu chego em casa, contudo, há uma nova expectativa. Alguma conquista, algum fracasso, um fato curioso. Sempre existe algo novo e diferente a contar. A vida humana é completamente imprevisível, e às vezes em apenas um dia pode ocorrer alguma mudança radical.

Eis aí a liberdade: enquanto meu cão todo dia come, dorme e brinca, eu, a cada dia, tenho possibilidades ilimitadas de atuação. Tudo o que acontecer vai depender, em boa parte de minhas escolhas, mas também de um certo 'acaso', que alguns chamam 'destino', e que prefiro chamar 'providência'.

Claro que isso não justifica as burradas que faço e que farei. Essa mesma liberdade, que meu cachorro não tem, traz-me uma série de responsabilidades e expectactivas que criam uma boa 'pressão' sobre mim. Mas, caramba, como isso é bom!

domingo, 1 de março de 2009

"God is great"

Assisti a pouco o filme "Slumdog Millionaire". Achei a história do filme muito dura. As pessoas sofrem bastante por aí. Mas Jamal, o personagem principal, é um baita sofredor. É um, sei lá, Jó indiano, com a diferença de que ele não perdeu tudo o que tinha: nunca teve praticamente nada e, do pouco que tinha, perdeu tudo. Mas a mensagem final é, no geral, de grande esperança. "God is great". Isso até me faz lembrar de uma música da Joan Osbourne, chamada "One of Us".

Mas todo aquele sofrimento retratado ali, com o qual nos deparamos de uma forma ou de outra todos os dias, é intrigante. O ser humano possui uma tendência natural de fugir ao sofrimento. Um cara da minha idade, que não tenha nenhum problema razoável, tende a se preocupar apenas com o que está próximo: ascenção financeira, um prazer fugaz, e depois, quem sabe, uma mulher e depois uma família. Uma grande dor - uma morte, uma doença, um sério revés profissional - pode jogar a pessoa no buraco ou elevá-la às alturas. É paradoxal, mas é assim.

Talvez a pessoa consiga deixar de lado um pouco da frivolidade de boa parte do que possui na vida e, por ter perdido algo precioso, passe a perceber o real valor do que tem à volta. É duro explicar, talvez seja até pretensão. No filme, Jamal, quanto menos possuía, mais esperança tinha. Isso ele nunca perdeu. É que apenas sua fraqueza poderia retirá-la. Além do mais, sem esperança, ele não possuiria mais nada. No fundo, se a pessoa não se render às circunstâncias, pode passar por tudo. Vai sofrer, mas não será derrotado.

Que mal há no mundo do qual não possa ser extraído um bem? "God is great".

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Genocídio e genocídios

Já comentei algo aqui sobre o caso de D. Williamson e seus infelizes comentários sobre o Holocausto. Ocorre que a perseguição da qual o bispo passou a ser vítima extrapola qualquer limite do razoável, chegando aos limites da ma fé pura e simples. Sua expulsão da Argentina é sinal claro de que vivemos em um mundo onde as conveniências imperam, e não as verdades. A humanidade precisava de alguém para pagar o agravo do Holocausto e acalmar os ânimos da opinião pública. Assim, todos podem dormir em paz, saciando seu desejo de Justiça. Tudo muito conveniente.

Não é tão conveniente, contudo, lembrar de alguns outros genocídios. O massacre dos armênios, em 1915, é silenciado em vários países e negado até hoje pela Turquia. A ‘Cristiada’, no México, com seus milhares de mártires, está esquecida pelos livros de história. Há ainda quem defenda os republicanos espanhóis, na Guerra Civil, querendo justificar os milhares de assassinatos de cristãos. E Che Guevara e Fidel Castro, que em muitas fefeleches da vida ainda são vistos como heróis? Stálin, Lênin e Trotsky possuem uma ampla legião de admiradores em todo o globo. Isso que não vou me alongar em citar os massacres que hoje mesmo ocorrem na África, em países como o Sudão, e são solenemente ignorados pela opinião pública.

O silêncio frente a todos esses temas é perturbador, e deixa claro que boa parte da sociedade não está lá muito preocupada em genocídios, massacres e justiça. Caso contrário, um país que celebra um facínora como Mao Tsé Tung como herói sediaria os Jogos Olímpicos?

Há genocídio e genocídios. Quanto ao primeiro, é crime esquecê-lo. Sobre os outros, o crime é lembrá-los.