No campus da universidade na qual estudo há vários cachorros abandonados. São vira-latas legítimos, sujos e pulguentos, mas muito obesos. É que as cozinheiras do restaurante universitário dão boa quantidade de sobras aos cães, e eles acabam tendo uma vida de rei por lá. É muito comum também encontrar mulheres dando carinho aos cães (imundos e alguns sarnentos), com muita valentia para dar carinho aos animaizinhos. Também diria que é comum encontrar pessoas que, ao toparem com um filhote de cachorro abandonado, levam-no para casa, dão comida e até mesmo adotam a ferinha. A mentalidade politicamente correta exige que tornemos a vida dos animais mais humana (sic).
O mesmo carinho não existe quando um mendigo é avistado. Ao contrário dos cães abandonados, que viram centro de atenção e carinho, o mendigo é uma figura que incomoda. As pessoas fingem que ele não está ali, e são pouquíssimos os que têm coragem de encarar um morador de rua nos olhos. As desculpas são várias: medo de assalto, pressa... a mesma coragem para acariciar um cachorro sarnento não existe no momento de dar atenção ao mendigo. Eu posso citar vários conhecidos que acolheram cães abandonados em suas casas; quantos conhecidos que levaram um mendigo em casa, que não seja para acolhê-lo, mas para permitir um banho, ou uma refeição?
Essa realidade é arrasadora, é um claríssimo sintoma de algum problema muito grave em nossa sociedade. Os cães que moram na rua são tratados muito melhor do que os homens moradores de rua – o que já é, “de per si”, uma clara violação da dignidade dessas pessoas. A mentalidade politicamente correta domina a sociedade, e torna os homens menos humanos. As preocupações estão perdendo completamente o sentido: enquanto há homens dormindo no chão frio e duro das ruas, muitas pessoas gastam muito dinheiro e energia em campanhas para achar lar para cães. Os embriões de tartaruga marinha são mais protegidos do que os embriões humanos. As árvores da Amazônia são mais lembradas, na mídia, do que as crianças órfãs. A morte de ursos polares causa mais comoção do que os centenas de milhares de mortos no genocídio sudanês – fato sistematicamente ignorado pela mídia e vergonhosamente encoberto pela diplomacia brasileira.
O politicamente correto é fruto da incompreensão de vários princípios que regeram as relações humanas por séculos, causando freqüentemente uma bizarra inversão de valores. O valor da dignidade humana depende, necessariamente, da aceitação e conhecimento da natureza humana. O problema é que a modernidade quer negar que haja tal natureza, e aí o ser humano fica a mercê do que for mais popular no momento. E com certeza é mais agradável dar atenção a um cachorro do que a um mendigo. Sem dúvida, nossa consciência não sente culpa alguma com um cachorro ali, mas um outro ser humano estar em condições sub-humanas é fato terrivelmente perturbador. E por isso eles costumam ser ignorados. E a sociedade do politicamente correto, ao invés de encarar essa triste realidade de frente, prefere gastar suas forças em conseguir lares para cachorros e árvores para a Amazônia. Os mendigos? Enquanto eles não incomodarem pedindo dinheiro para comer, ou seja lá o que for, as pessoas vão continuar iludindo suas consciências tratando cãezinhos e lutando pelas baleias do Pacífico Sul. E com ar triunfalista por estarem contribuindo de modo significativo para o progresso humano rumo ao novo Éden na Terra – pelo menos para os cães.
O mesmo carinho não existe quando um mendigo é avistado. Ao contrário dos cães abandonados, que viram centro de atenção e carinho, o mendigo é uma figura que incomoda. As pessoas fingem que ele não está ali, e são pouquíssimos os que têm coragem de encarar um morador de rua nos olhos. As desculpas são várias: medo de assalto, pressa... a mesma coragem para acariciar um cachorro sarnento não existe no momento de dar atenção ao mendigo. Eu posso citar vários conhecidos que acolheram cães abandonados em suas casas; quantos conhecidos que levaram um mendigo em casa, que não seja para acolhê-lo, mas para permitir um banho, ou uma refeição?
Essa realidade é arrasadora, é um claríssimo sintoma de algum problema muito grave em nossa sociedade. Os cães que moram na rua são tratados muito melhor do que os homens moradores de rua – o que já é, “de per si”, uma clara violação da dignidade dessas pessoas. A mentalidade politicamente correta domina a sociedade, e torna os homens menos humanos. As preocupações estão perdendo completamente o sentido: enquanto há homens dormindo no chão frio e duro das ruas, muitas pessoas gastam muito dinheiro e energia em campanhas para achar lar para cães. Os embriões de tartaruga marinha são mais protegidos do que os embriões humanos. As árvores da Amazônia são mais lembradas, na mídia, do que as crianças órfãs. A morte de ursos polares causa mais comoção do que os centenas de milhares de mortos no genocídio sudanês – fato sistematicamente ignorado pela mídia e vergonhosamente encoberto pela diplomacia brasileira.
O politicamente correto é fruto da incompreensão de vários princípios que regeram as relações humanas por séculos, causando freqüentemente uma bizarra inversão de valores. O valor da dignidade humana depende, necessariamente, da aceitação e conhecimento da natureza humana. O problema é que a modernidade quer negar que haja tal natureza, e aí o ser humano fica a mercê do que for mais popular no momento. E com certeza é mais agradável dar atenção a um cachorro do que a um mendigo. Sem dúvida, nossa consciência não sente culpa alguma com um cachorro ali, mas um outro ser humano estar em condições sub-humanas é fato terrivelmente perturbador. E por isso eles costumam ser ignorados. E a sociedade do politicamente correto, ao invés de encarar essa triste realidade de frente, prefere gastar suas forças em conseguir lares para cachorros e árvores para a Amazônia. Os mendigos? Enquanto eles não incomodarem pedindo dinheiro para comer, ou seja lá o que for, as pessoas vão continuar iludindo suas consciências tratando cãezinhos e lutando pelas baleias do Pacífico Sul. E com ar triunfalista por estarem contribuindo de modo significativo para o progresso humano rumo ao novo Éden na Terra – pelo menos para os cães.