Um dos grandes pilares do pensamento moderno é a defesa da liberdade. Muitos utilizam a célebre frase de Voltaire (“Não concordo com uma só palavra do que dizes mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-lo”) como uma verdadeira bandeira em defesa da liberdade de consciência. A princípio, parece difícil que alguém queira discordar desse argumento. Na prática, porém, o próprio iluminista francês foi um grande perseguidor da Igreja. Não é diferente atualmente. A “diversidade religiosa” é exaltada, as “minorias” alcançam seu espaço, as opiniões mais heterodoxas são respeitadas, mas o católico não. Esse não passa de um retrógrado, conservador, medieval, dogmático e, apesar de haver a “firme defesa” de todos os pontos de vista nesses tempos democráticos, a posição católica é rechaçada das mais diversas formas imagináveis.
Os fatos estão aí: o líder espiritual de mais de um bilhão de pessoas foi “impedido” de discursar em uma Universidade por cerca de oitenta professores (num universo de quase cinco mil) e mais um punhado de alunos. O argumento usado foi o de que Bento XVI é um obscurantista, fazendo crítica a uma suposta “visão obscurantista” do pontífice sobre a ciência, tudo baseado em um discurso no qual Ratzinger cita o filósofo Feyerabend. Esse agnóstico considerou o processo de Galileu justo. Não entrarei nessa questão, e no fim do texto coloco link de um excelente artigo sobre o tema. Mas será que os rebeldes professores e alunos de “La Sapienza” não perceberam que a citação, em seu contexto correto, não é uma defesa do erro daquele tribunal? Afinal, João Paulo II e o então Cardeal Ratzinger foram os responsáveis pela “reabilitação” de Galileu, após a revisão do processo. O que há de obscurantismo nisso? Não seria honestidade?
Pensando em outra perspectiva, o atual Papa é, sem dúvida alguma, um dos pensadores mais brilhantes da atualidade. A clareza de suas idéias, a impressionante abrangência de sua obra, a facilidade com que consegue citar em um mesmo texto, desde Kant à Dostoievski (como na encíclica “Spe Salvi”) faz com que seja uma enorme honra para qualquer instituição receber a visita de tão distinto pensador. A leitura do texto que ele escreveu para o discurso na citada Universidade exacerba esses aspectos. Há lá uma reflexão sobre o papel da universidade e da busca pela Verdade, e pelo respeito a grandes tradições culturais e religiosas. Nada de obscurantismo, pelo contrário, um convite à reflexão e uma firme defesa da liberdade.
Poderia alongar-me mais ainda, mas é desnecessário. Quanto mais se aprofunda no estudo do pensamento de Ratzinger, mais claro fica o amor à liberdade e a defesa da verdade, com clareza impressionante. Não há nada de obscurantista e intolerante em todo o pensamento do atual pontífice, como pode ser facilmente constatado. Por que então alguns professores de “La Sapienza” alegaram isso para impedir o discurso de Bento XVI? É preciso ir um pouco além para compreender.
Basta pensar no caso brasileiro, e a questão do aborto, por exemplo. Sempre que uma pessoa é identificada como “católica” em um debate, seus argumentos são desqualificados por serem considerados religiosos. Confesso que jamais vi um católico usar argumentos religiosos nesses debates por aí, como por exemplo: “o aborto vai contra a Lei Divina”. Sempre é falado em lei natural, e são usados argumentos antropológicos e filosóficos que, sendo dificílimos (para não dizer impossíveis...) de refutar, são simplesmente desqualificados. Afinal, para alguns pensar parece difícil.
Esse episódio de “La Sapienza” demonstra a que ponto essa exclusão de determinado pensamento, no caso o católico, chegou. Os professores da citada instituição na verdade não queriam escutar o Papa pelo fato de ser o Papa, e não por qualquer outra coisa. Isso fica evidente, conforme disse acima, ao constatar a verdadeira posição de Bento XVI sobre a ciência, e especialmente Galileu, totalmente diferente do que alegavam os docentes. Movidos por um ódio semelhante ao de Voltaire e demais iluministas, essas pessoas hoje buscam marginalizar qualquer forma de pensamento que se apresente contrário ao que defendam. A posição católica, aliás, incomoda pela defesa intransigente da Verdade – o que não implica em falta de liberdade, muito pelo contrário. O pensamento moderno, dominado pelo relativismo e cientificismo, não tolera esse tipo de postura, o que não deixa de ser uma contradição para quem diz defender a liberdade e as instituições laicas. Há uma suposta liberdade apenas quando existe uma certa conveniência, sem que haja uma verdadeira diferença de idéias.
Quando alguém chega e diz: “apesar de considerar errado o que você pensa, respeito seu ponto de vista” essa pessoa é rapidamente chamada de reacionária e conservadora, e seu pensamento desqualificado antes mesmo de ser considerado. No fundo, isso é a ditadura do politicamente correto que tolera tudo, menos a verdade.
***
Sobre o caso Galileu, recomendo o texto: http://www.quadrante.com.br/Pages/especiais241106.asp?id=291&categoria=Ciencia_Fe&pg=buscaartigo&campo=galileu&pagina=1
Além disso, muita coisa boa sobre o tema foi escrita por aí, vale a pena conferir o artigo de Luiz Felipe Pondé sobre o tema.
Os fatos estão aí: o líder espiritual de mais de um bilhão de pessoas foi “impedido” de discursar em uma Universidade por cerca de oitenta professores (num universo de quase cinco mil) e mais um punhado de alunos. O argumento usado foi o de que Bento XVI é um obscurantista, fazendo crítica a uma suposta “visão obscurantista” do pontífice sobre a ciência, tudo baseado em um discurso no qual Ratzinger cita o filósofo Feyerabend. Esse agnóstico considerou o processo de Galileu justo. Não entrarei nessa questão, e no fim do texto coloco link de um excelente artigo sobre o tema. Mas será que os rebeldes professores e alunos de “La Sapienza” não perceberam que a citação, em seu contexto correto, não é uma defesa do erro daquele tribunal? Afinal, João Paulo II e o então Cardeal Ratzinger foram os responsáveis pela “reabilitação” de Galileu, após a revisão do processo. O que há de obscurantismo nisso? Não seria honestidade?
Pensando em outra perspectiva, o atual Papa é, sem dúvida alguma, um dos pensadores mais brilhantes da atualidade. A clareza de suas idéias, a impressionante abrangência de sua obra, a facilidade com que consegue citar em um mesmo texto, desde Kant à Dostoievski (como na encíclica “Spe Salvi”) faz com que seja uma enorme honra para qualquer instituição receber a visita de tão distinto pensador. A leitura do texto que ele escreveu para o discurso na citada Universidade exacerba esses aspectos. Há lá uma reflexão sobre o papel da universidade e da busca pela Verdade, e pelo respeito a grandes tradições culturais e religiosas. Nada de obscurantismo, pelo contrário, um convite à reflexão e uma firme defesa da liberdade.
Poderia alongar-me mais ainda, mas é desnecessário. Quanto mais se aprofunda no estudo do pensamento de Ratzinger, mais claro fica o amor à liberdade e a defesa da verdade, com clareza impressionante. Não há nada de obscurantista e intolerante em todo o pensamento do atual pontífice, como pode ser facilmente constatado. Por que então alguns professores de “La Sapienza” alegaram isso para impedir o discurso de Bento XVI? É preciso ir um pouco além para compreender.
Basta pensar no caso brasileiro, e a questão do aborto, por exemplo. Sempre que uma pessoa é identificada como “católica” em um debate, seus argumentos são desqualificados por serem considerados religiosos. Confesso que jamais vi um católico usar argumentos religiosos nesses debates por aí, como por exemplo: “o aborto vai contra a Lei Divina”. Sempre é falado em lei natural, e são usados argumentos antropológicos e filosóficos que, sendo dificílimos (para não dizer impossíveis...) de refutar, são simplesmente desqualificados. Afinal, para alguns pensar parece difícil.
Esse episódio de “La Sapienza” demonstra a que ponto essa exclusão de determinado pensamento, no caso o católico, chegou. Os professores da citada instituição na verdade não queriam escutar o Papa pelo fato de ser o Papa, e não por qualquer outra coisa. Isso fica evidente, conforme disse acima, ao constatar a verdadeira posição de Bento XVI sobre a ciência, e especialmente Galileu, totalmente diferente do que alegavam os docentes. Movidos por um ódio semelhante ao de Voltaire e demais iluministas, essas pessoas hoje buscam marginalizar qualquer forma de pensamento que se apresente contrário ao que defendam. A posição católica, aliás, incomoda pela defesa intransigente da Verdade – o que não implica em falta de liberdade, muito pelo contrário. O pensamento moderno, dominado pelo relativismo e cientificismo, não tolera esse tipo de postura, o que não deixa de ser uma contradição para quem diz defender a liberdade e as instituições laicas. Há uma suposta liberdade apenas quando existe uma certa conveniência, sem que haja uma verdadeira diferença de idéias.
Quando alguém chega e diz: “apesar de considerar errado o que você pensa, respeito seu ponto de vista” essa pessoa é rapidamente chamada de reacionária e conservadora, e seu pensamento desqualificado antes mesmo de ser considerado. No fundo, isso é a ditadura do politicamente correto que tolera tudo, menos a verdade.
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Sobre o caso Galileu, recomendo o texto: http://www.quadrante.com.br/Pages/especiais241106.asp?id=291&categoria=Ciencia_Fe&pg=buscaartigo&campo=galileu&pagina=1
Além disso, muita coisa boa sobre o tema foi escrita por aí, vale a pena conferir o artigo de Luiz Felipe Pondé sobre o tema.