terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Ecochatismo

Desde os primórdios da ação humana a natureza vem sofrendo danos irreparáveis. Engana-se quem pensa que a ação destruidora do homem surgiu apenas com o advento da Revolução Industrial. Um exemplo, apenas: o leão da Mesopotâmia foi extinto ainda na época do Império Romano, e nunca mais houve notícias dessa espécie.

Vejo com bons olhos a crescente preocupação com o Meio Ambiente que surgiu ao longo das últimas quatro décadas. Notem que fenômeno semelhante, ao que me consta, só ocorreu na Idade Média, quando monges alteravam paisagens pantanosas e preocupavam-se em manter equilíbrio natural. Há ainda o salutar exemplo deixado por São Francisco, ainda famoso em nossos tempos.

O problema é que o 'ecologismo' de nossos dias difere radicalmente daquele praticado pelos monges e por São Francisco. Esses estavam radicados em uma visão do Cosmos baseada no cristianismo. O atual, na maior parte das vezes, não. Muitas vezes há a presença mascarada de uma visão panteísta do Universo. Aliás, o panteísmo não está fora de moda não, até Einstein era panteísta!

A maneira como certos grupos querem tratar os animais e a natureza, em detrimento do ser humano, denota uma distorção bizarra. Veja por exemplo o caso da expansão de áreas agrícolas e desenvolvimento tecnológico por meio de manipulações genéticas, notadamente os transgênicos. Muitos grupos são contrários a tais avanços e, por outro lado, preocupam-se com uma tal 'superpopulação' humana - que não passa de uma fraude. Nesse sentido, há uma ligação entre a 'defesa' da natureza e a promoção de meios anticoncepcionais, inclusive tratando o aborto como tal. Quer dizer, para valorizar a natureza, há um rebaixamento do ser humano como uma 'praga' para o planeta. Isso entra no contexto daquela Teoria de Gaia, desenvolvida há uns trinta anos.

Outro aspecto é o vegetarianismo radical. Proibir a morte de animais para o consumo humano é, a meu ver, um excesso terrível. Que seja uma opção pessoal, tudo bem. Que seja uma militância, aí há um exagero bizarro. O homem comer carne é tão antigo quanto andar pra frente. Aliás, o início das inovações tecnológicas, com o desenvolvimento de ferramentas, teve por finalidade inicial a caça para posterior consumo de carne. Evidente que hoje há meios para evitar um sofrimento desnecessário aos animais. E aqui está o grande ponto da questão: o erro não é matar os animais, mas fazê-los sofrer desnecessariamente. Essa é a posição assumida inclusive pelo atual Catecismo da Igreja Católica.

A distorção do ambientalismo fica ainda mais evidente na questão 'Tamar x Matar'. No Brasil, os embriões de tartaruga possuem mais amparo do que os embriões humanos. Afinal, o ser humano está 'acabando' com o planeta e as tartarugas estão quase extintas, qual o problema em matar uns embriões humanos em pesquisas né? Agora, embriões de tartarugas é crime! Este é nosso mundo...

Além disso, a degradação em larga escala é, a meu ver, fruto da dobradinha Revolução Industrial + Liberalismo. Esse último, ao dissociar as leis de mercado da lei moral (e foi o que aconteceu, pelo menos de fato) foi o fator determinante para uma exploração em larga escala não só da natureza, como do trabalho humano.

Com relação a questão da caça esportiva, a mesma não possui impacto ambiental significativo. Ao contrário da caça com finalidades comerciais. A morte em si de um animal não á algo que atente contra a moral natural, a não ser que haja crueldade. Os animais não possuem alma imortal, a característica distintiva do homem que o torna imagem e semelhança de Deus. E por isso a morte de um ser humano é sempre má, e a de um animal não.

Enfim, uma sadia visão de proteção à natureza está ligada, necessariamente, a uma visão cristã da Criação. É, sim, um dever prezar pelos recursos naturais, que são limitados, para assegurar a vida humana na Terra. Tanto que o Papa Bento XVI vem insistindo nesse tema com grande freqüência.

4 comentários:

Anônimo disse...

Já "roubei" para o meu blog...rs
Lúcidas palavras! Abs,

Re

Luiz disse...

Muito bom Rodolfo. Realmente, não é concebível que animais tenham mais dignidade do que uma pessoa humana. Aliás, muito boa a ponderação correta sobre o bom uso dos recursos naturais, sem os excessos e radicalismos. Abraços

Lelê Carabina disse...

Percebi um tanto disso nos livrinhos da novena de Natal que utilizamos este ano (e olha que nem é da CNBB), cujo tema era 'ecologia', percebi uma desconexão entre o tema proposto e a espiritualidade Católica; tínhamos que fazer um esforço mental grande para fazer uma relação de uma coisa a outra, o que rendeu boas discussões e a conclusão de que devemos cuidar da natureza e afins porque são presentes que Deus deixou para nós, por gratidão ao Criador.
Gosto muito dos teus posts, são muito claros! Abraço.

R. B. Canônico disse...

A todos, obrigado pelos elogios. Vcs são muito gentis.

Lelê, a conclusão de vcs está perfeita. Só que é dose um folheto de preparação do Natal induzir a se tiorar essas conclusoes...

QUando deveria levar a refletir sobre o Mist[erio da Encarnação!