quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Circo do Sauípe

Ocorreu, por esses dias, uma certa Cúpula da América Latina e Caribe. Fossem os discursos proferidos em um congresso circense ou em um concurso de piadas, aí fariam algum sentido. Sendo um encontro de chefes de Estado e de Governo, bem, dá para ficar preocupado. Ainda mais que eu ainda não tenha minha cidadania italiana – uma espécie de plano B. Mas isso é outra história.

O camarada Raul Castro foi presença marcante. Os governos da América Latina, incluindo o governo Lula, deram o atestado definitivo de apoio ao mais cruel regime da história das Américas. Os milhares de mortos pelo regime, os presos políticos, a falta de liberdade (tanto de consciência, quanto religiosa), a Igreja praticamente nas catacumbas, a miséria do povo cubano, enfim, todas as mazelas causadas pelos Castro foram esquecidas. De canalhas assassinos e tirânicos eles se tornam nossos ‘irmãos’, parceiros. Sem restrições. Afinal, são ‘heróis’ na resistência ao imperialismo. Em suma: o governo brasileiro está sendo cúmplice da perseguição política que ainda ocorre em Cuba.

Não poderia faltar a piada, digo, discurso, do ditador venezuelano Hugo Chavez. Ele decretou o fim do capitalismo e apresentou a alternativa ao mundo: o socialismo democrático. Alto lá: socialismo e democracia? Que raio de democracia pode haver no socialismo? Seria a ‘democracia’ cubana, com um partido apenas? Lá é uma beleza: o número de candidatos é exatamente o número de cadeiras do Parlamento. E a pessoa pode escolher o seu preferido, com a certeza de que não vai ‘perder o voto’, pois todos os candidatos já estão eleitos. Que maravilha! O modelo venezuelano também é fantástico, perseguindo e atacando a oposição. Não posso deixar de mencionar a experiência boliviana, exemplo de paz e concórdia nacionais. Que exemplo fantástico que nós, latino-americanos, estamos dando ao mundo! Misturando água e óleo! Unindo democracia e socialismo!

Mas Chavez está enganado. O capitalismo não morreu. Já o socialismo morreu, não sem antes ter ceifado 100 milhões de vidas. Como explicar tamanha sedução por uma doutrina morta que já deveria estar enterrada há décadas? A única explicação que encontro é que a paixão pelo socialismo seja uma espécie de necrofilia política. Uma obssessão louca por um sonho delirante: o Paraíso sem Deus.

Não deixem de ler “Os Demônios”, de Dostoievski.

2 comentários:

Dani disse...

Olá!
Sempre passo por aqui mas normalmente nao deixo recado... hoje estou passando para me apresentar (sou a Dani!!!) e dizer que tem selo pra você lá no blog!! passe lá no vida na fé

vidanafe.blogspot.com

beijos!

R. B. Canônico disse...

Olá Dani, muito obrigado, e agradeço muitissimo a indicação!