terça-feira, 4 de novembro de 2008

Terror em Navarra

Sempre tive a impressão que o terrorismo fosse algo distante. Pensava que talvez pudesse preocupar-me com carros-bomba caso visitasse Jerusalém ou Bagdá. As imagens de 11 de setembro pareciam cenas de filme em minha mente, difíceis de serem uma realidade próxima. Mas isso mudou na semana passada, com o atentado à Universidade de Navarra.

Tenho um colega por lá, e sempre há vários brasileiros estudando nesta universidade (fundada há menos de cinqüenta anos por iniciativa de São Josemaria Escrivá). Assim que soube da notícia, enviei um email a ele, mas logo fui tranqüilizado. Ele não estava na instituição, no dia do atentado, mas seus amigos contaram que a explosão foi muito potente, dando a impressão de que colocaria alguns prédios abaixo. Mais: o carro-bomba foi colocado estrategicamente em um local de grande movimentação e, pelo horário da explosão, poderia ter ocorrido uma tragédia imensa. Meu colega diz que Deus protegeu a todos especialmente naquele dia.

O fato é que o ETA, mais uma vez, protagonizou essas cenas de covardia. Acusam eles de ser aquela universidade o centro espiritual e intelectual do que chamam de “Espanha centralista”. Tudo isso fez com que eu sentisse realmente, pela primeira vez, aflição com o terrorismo. Não dá para descrever a angústia, mas é como saber-se atacado pelas costas. Não há como defender-se. Ainda mais por ser uma agressão da qual você não faz idéia das motivações, nem de quem veio. É difícil imaginar covardia maior. A causa basca perde completamente a razão com a ação destes canalhas.

Naquele estacionamento de Navarra foram pronunciadas algumas das mais belas palavras do século XX. Por isso tenho repetido, com insistente martelar, que a vocação cristã consiste em transformar em poesia heróica a prosa de cada dia. Na linha do horizonte, meus filhos, parecem unir-se o céu e a terra. Mas não: onde de verdade se juntam é no coração, quando se vive santamente a vida diária...Que distância entre o que foi dito lá e o eco pavoroso da explosão causada pelo ETA! A humanidade não precisa mais ouvir barulhos de bombas como aquela, mas sim dar atenção a palavras como as aqui citadas.

6 comentários:

R. B. Canônico disse...

Amigos, além dos tradicionais posts mais longos - uns 4 por mês - tentarei postar textos mais curtos para atualizar com mais freqüência e tratar de temas mais leves também.

Abraços!

Andrea disse...

É um mundo complicado a cabeça de terroristas. Eu não consigo entender como alguém pode fazer mal assim ao próximo.

Abraço!

Emanuel Jr. disse...

O que achei mais interessante é que em momento algum foi mencionado em qualquer jornal escrito ou televisionado ou mesmo pelo rádio, que trata-se de uma Universidade ligada (ou até mais que isso) a Opus Dei. Será porque? Poderia me explicar?

R. B. Canônico disse...

Emanuel, a Universidade de Navarra é uma obra corporativa do Opus Dei. Depois te explico exatamente o que é isso, mas em linhas gerais o Opus Dei garante a formação espiritual lá na universidade.

Mas também não é muito mais do que isso. Claro que há um cuidado todo especial para não se ensinar besteiras lá. Por exemplo, nenhum professor lá vai ser, como é ali na FEFELECHE, por exemplo, um marxista que acha que Cuba é o paraíso. Isso eu te asseguro hehehe.

O ETA vê alguma ligação com as pessoas formadas emNavarra e o governo centralista da Espanha eu não sei porquê... o fato é que lá, como ensinou o fundador, existe um ambiente de ampla liberdade, e cada qual é responsável pelo que se pensa.

Julgar a instituição, nesse sentido, é impossivel, e digno de pessoas com uma visão de mundo limitada, como é o ETA.

R. B. Canônico disse...

No fundo, o ETA não quis atacar a Igreja ou o Opus Dei, por isso a imprensa não mencionou. Agora, se é exatamente assim, eu nãio sei.

Para variar, as noticias chegaram confusas aqui no Brasil. Tudo muito superficial.

Alexandre M. F. Silva disse...

Rodolfo,isto me lembra os atentados da Al-Qaeda em Madri, há alguns anos atrás. O casal de catequistas itinerantes que levava a minha comunidade neocatecumenal é de Madri, e seus filhos estavam lá na época. Felizmente nada ocorreu com eles, mas a explosão aconteceu numa linha de trem que costumavam utilizar.