quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O "Boy Love Day"

Não quero emitir muitos juízos ao longo desse texto. Procurarei apenas expor alguns fatos e tentar provocar uma reflexão sobre um processo que vêm alterando profundamente alguns costumes, e até que ponto desejamos que esse processo chegue. Ano passado tomei conhecimento da existência desse movimento por meio de um amigo que, da Itália, indagou se eu sabia algo de uma tal de Parada do “Orgoglio pedofilo”. A princípio não conseguia acreditar na existência de um movimento organizado nesse sentido, mas a surpresa foi tremenda ao encontrar as referências na internet.

O “International Boy Love Day” é “celebrado” no solstício de verão, em cada hemisfério. Não tem, nem de longe, o frenesi de uma Parada Gay, mas é um movimento que incomoda. O objetivo do mesmo é gerar uma reflexão “séria” sobre o envolvimento amoroso de homens mais velhos com garotos. Segundo o site oficial, a visão da sociedade sobre o assunto é muito enviesada, maliciosa mesmo. E enaltece a coragem dos garotos e dos homens que se envolvem nesse tipo de relacionamento. Além disso, eles invocam o direito à Liberdade de Expressão para assegurar uma discussão séria e sem preconceitos.

Não é muito difícil discordar de tudo isso. Se já há pais que consideram problemático o fato de um marmanjo de 30 anos namorar com uma garota de 14 anos, quem dirá o fato de o mesmo marmanjo querer namorar um garoto, também com 14 anos. Hoje a sociedade não aceita, de modo algum, esse tipo de envolvimento. Mas é aqui que o argumento desse grupo ganha terreno, infelizmente. Atualmente há uma concepção amplamente difundida de que a moral é fruto de convenções sociais. Portanto, seria possível que a mentalidade da sociedade sobre o assunto mudasse e, em um futuro próximo, esse tipo de relacionamento passasse a ser encarado com naturalidade.

Na prática, esse processo ocorreu com a visão da sociedade sobre a homossexualidade. Claro que houve muitos exageros sobre o assunto ao longo da história, mas o fato é que atualmente as relações homossexuais são encaradas com naturalidade, ao ponto de alguns quererem equiparar as uniões matrimoniais com as homossexuais. Não entrarei aqui na questão, quero apenas destacar o processo: um comportamento que antes era encarado como contrário à natureza humana é hoje amplamente aceito, e muitas vezes incentivado. E é um processo análogo que propõe o “Internartional Boy Love Day”: que a sociedade deixe de lado seus preconceitos e aceite o amor entre rapazes e homens mais velhos.

E, reforçando essa tendência, já há na Holanda um partido político que defende essa cartilha do amor entre homens e meninos – e outras coisas mais como sexo em público e liberação de drogas pesadas -, e eles possuem até site: http://www.pnvd.nl/. Penso ser o momento adequado para refletir: até que ponto a moral é definida pela cultura? Será que, por convenção popular, poderíamos simplesmente mudar uma tradição de milênios, taxando-a, além de tudo, de retrógada, reacionária, preconceituosa? Tenho a séria preocupação de que esse tipo de argumento, devido à sua inconsistência, abra graves precedentes e permita, muito em breve, a defesa das maiores maluquices. Afinal, já há algumas evidências de que a tendência é essa: permitiram o aborto, agora há quem proponha infanticídio de crianças de até 1 ano de idade. E por aí vai. A impressão que tenho é que ou assumimos princípios – esses que não mudam com o tempo – ou qualquer coisa poderá ser defendida como legítima, a fim de livrar-se do jugo opressor de uma certa moral reacionária. Como concluiu Aliocha após escutar o conto “O Grande Inquisidor”, de seu irmão Ivan Karamazov: então tudo é permitido.

5 comentários:

Marie Tourvel disse...

Seremos sempre considerados "reaças", Canônico, querido. Não se tem limite pra mais nada. Um beijo. ;)

R. B. Canônico disse...

É, Marie, mas ser chamado de reaça por causa disso que escrevi causa-me até certo orgulho. Ou seja, faz até mal para a virtude hehehe.

Mas é como dizem: onde passa boi, passa boiada! Infelizmnte, nesse caso...

Luciana Lachance disse...

Olá R.B.!

Obrigada pelo comentário no Acarajé Conservador [respondi algo por lá mesmo, nos comentários], gostei do seu blog!

Esse movimento pró-pedofilia está crescendo aos poucos, em todo o mundo. Seja com o Nambla, seja com os teóricos do Queer, e com o próprio movimento homossexual com o qual ele se confunde. A pós-modernidade é a encarnação da pergunta de Pôncio Pilatos [Que é a Verdade?] e em favor disso propagam que não há fatos, mas interpretações, e que geralmente a história é contada pelo vencedor; daí decorre que nenhum crédito pode ser dado a algo semelhante.
O que eu posso dizer é que chegamos a tal ponto- já não conseguimos mais enfrentar as aberrações com a indignação merecida, pois elas já encontram terreno na nossa sociedade. O momento da reflexão, eu acho, já passou. A hora é de se posicionar, e em certos casos, qualquer minuto de ponderação é um ganho a mais de terreno para eles: se eles estão atrás de uma "reflexão", o que nós devemos oferecer em retorno?
Se, por exemplo, alguém discute sobre relações sexuais entre uma criança e um adulto, e insinua que o abuso desaparece quando a criança concorda, então não podemos nos furtar do dever de dizer, sem meias palavras, sem se desculpar de antemão por qualquer termo preconceituoso, o quão abominável é tal idéia; não devemos ter medo dos temas polêmicos [os gays pedófilos, o que é quase uma redundância].
Se Deus não existisse, disse Ivan, tudo seria permitido. Mas Deus existe.

Abraço e até a próxima!

R. B. Canônico disse...

É Luciana... bem que vcs aí da Bahia podiam dar 'um jeito' no tal Movimento Gay que tem por aí. Aqueles caras são muito chatos.

Realmente, esse assunto precisa ser tratado com mais atenção. É um tema muito importante e que está completamente fora dos questionamentos da sociedade. O que é uma pena.

Rosa disse...

Olá, gostei do texto, a reflexão é madura, vou até recomendar a leitura a alguns amigos...Mas não consigo concordar com a Luciana...Gays não podem ser considerados pedófilos essencialmente - "[os gays pedófilos, o que é quase uma redundância]", na minha opinião.
pedofilia e homossexualidade são comportamentos diferentes, que têm focos diferentes, porque considerá-los "quase redundância"? Fiquei curiosa para saber o motivo dessa opinião...
Meu e-mail é belli-rosa@hotmail.com se quiser bater papo!
abração! Rosa