domingo, 12 de outubro de 2008

Cadê a verdade?

Esses dias coloquei um excelente blog entre meus links, mas a autora mostrou que já havia criticado um texto meu e que entenderia se eu o retirasse da lista. Não só mantive, como recomendo vivamente sua leitura. A discordância no texto era mais com relação a aspectos acidentais. Mas a questão que acabou chamando minha atenção é um pouco mais simples: o fato de eu poder errar em meus posicionamentos, e ter que retificar posteriormente. Contudo, nem todos aceitam isso com tanta naturalidade.

Quem participa de listas de discussão na internet, ou já foi a algum debate universitário, sabe bem do que estou falando. Quem está errado, por mais evidente que seja o erro, não o abandona de jeito nenhum; quem está com a razão faz questão, muitas vezes, de humilhar o seu interlocutor. Essa postura arrogante induz a pessoa errada a não retificar, pois acaba gerando um grande ressentimento com o outro. A relação do ser humano com a Verdade e as verdades é mais complicada do que deveria devido à desordem nas paixões. É como se, ao invés de enxergarmos com nitidez, víssemos apenas vultos. Dois elementos são essenciais para superar essa dificuldade: fé, seja ela humana ou sobrenatural, e humildade em reconhecer essa limitação.

Aliada a essa desordem da natureza humana está a péssima educação de nossos dias. Como há uma excessiva liberalidade com relação aos nossos impulsos – o famoso ‘faça o que der na sua telha’ –, as pessoas possuem uma vontade muito fraca e ficam abandonadas a seu temperamento e amor próprio. É como um barco à deriva, sem remos nem velas: sabe-se lá onde vai parar. O mais comum acaba sendo a pessoa fechar-se em si mesma, em seu mundinho e com suas idéias. É evidente que qualquer posicionamento distinto é tido como terrível agressão a seus ‘princípios’, os quais, aliás, mudam de direção como o vento.

Acredito que seja verdadeiro e correto o que escrevo aqui; mas também é certo que posso estar equivocado em determinados aspectos. Esse conhecimento de nossas limitações faz com que assumamos uma postura adequada com relação às idéias. Traz a certeza de que a Verdade existe, mas que é possível que tenhamos dificuldades em alcançá-la. Essa dificuldade deve levar-nos a compreender o outro, que está no erro, e ajudá-lo a se corrigir. Sempre compreendendo a dificuldade inerente a esse processo, afinal todos sabemos o quanto é duro abrir mão de certas posturas. Ainda mais se elas estiverem arraigadas após anos de reflexão equivocada. O outro deve ser tratado como um amigo, e não como um inimigo a ser esmagado como uma barata. Além disso, ajuda se reconhecermos que, muitas vezes, precisamos confiar no juízo de outras pessoas ou na autoridade de alguma instituição, e aí a fé é imprescindível. Essa idéia de um homem infalível, que não pode ser corrigido jamais, é uma loucura de arrogantes que só pode levar à ruína pessoal. E a uma chatice terrível.

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Pedro Cardoso escreveu um maravilhoso manifesto contra a nudez de atores. Eu já havia publicado um texto sobre o tema, e se alguém não gostou do que escrevi, que reflita então as corajosas palavras desse ótimo humorista: http://todomundotemproblemassexuais.zip.net/

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Espero que o novo layout do blog tenha tornado sua visualização mais agradável.

6 comentários:

Marie Tourvel disse...

Querido, meu pai me disse um dia -faz muito tempo, que devemos ler coisas boas e ruins para formarmos opiniões e até mudar as nossas, por que não? ;)
Um grande beijo!

Ademilson R Ferreira disse...

Grande Rodolfo! Concordo plenamente! Há Verdade, embora seja difícil alcançá-la...e o ser humano pode exercer sua liberdade para fazer escolhas que mais se adequem à mesma, com humildade e confiança (fé humana ou sobrenatural, conforme você mesmo o disse).

R. B. Canônico disse...

Querida Marie,

Concordo plenamente. O que quis ressaltar no texto é um aspecto fundamental no processo de conhecimento, que é a fé. Quer dizer, se eu não tivesse fé no que meus professores disseram até hoje, o que teria aprendido? reconheço minha limitação, sei que não posso estudar muito... e por isso, muitas vezes, confio no juízo de outras pessoas que estudaram.

Essa relação de confiança é, para mim, fundamental para adquirirmos o conhecimento. É uma maneira de suprir essa limitação, de certa forma.

Mas, sim, concordo plenamente, muitas vezes podemos - e devemos - estar aberto a uma mudança de opinião. É como eu falei: é muito freqüente que nos equivoquemos. Quanto À leituras que sejam ruins, bom, aí é uma questão prática: eu ainda tenhoi muita coisa boa pendente para ler! :)

Andrea disse...

Olha Rodolfo, uma coisa que prezo bastante é a capacidade de voltar atrás em opiniões e idéias e admitir o erro e a vontade de buscar a verdade e mudar se preciso. Isso é ter honestidade! Errar é humano e a Verdade possui graus, acredito eu.

Gostei do novo visual do blog, da novidade dos blogs atualizados principalmente!

Abraço!

André Luís Brandão disse...

Realmente é muito ruim quando aquele que está certo - e sabe que está - se utiliza disso para denegrir a pessoa que está no erro. Perde-se a oportunidade de colaborar com a melhoria do mundo.

Marie Tourvel disse...

Você é um querido, Canônico. Um menino muito inteligente que adoro. E tenha certeza que escolherá as pessoas certas para conversar. Afinal, não é todo mundo que escreve um blogue, emite opinião e aceita a discordância. :) Gosto muito de você, tá? Beijos!!!
(Agora vou lhe responder lá no meu blogue... adorei seu comentário)