sexta-feira, 4 de julho de 2008

Liberdade e liberdades

Não são todos os atos humanos que precisam de justificativas; na maior parte das vezes basta invocar o senso comum e a tarefa está resolvida. Assim é com questões como a monogamia, a família, a religião e a propriedade privada. É natural que toda pessoa tenha suas convicções e faça escolhas na vida. Ainda mais em tempos onde as pessoas sentem-se mais livres do que nunca, menos para viver de acordo com princípios religiosos, sejam eles cristãos, judeus, muçulmanos. Aí não é o caso de usufruir da liberdade, mas sim de perdê-la – é o que dizem. Quanto a mim, a idéia geral é que sigo a uma série de imposições absurdas vindas de Roma, e que no fundo abri mão de minha liberdade.

A palavra “liberdade” é tão mal utilizada que hoje parece ter perdido completamente o seu sentido. Por exemplo, um dos argumentos mais utilizados pelos abortistas faz referência à liberdade da mulher em decidir sobre seu próprio corpo. De fato, as pessoas são livres para fazer muitas coisas no seu corpo, desde uma tatuagem até um corte de cabelo ridículo. O detalhe é que o feto não é parte do corpo da mulher, mas em nome da “liberdade” isso é omitido e segue-se adiante... e a lista desses supostos direitos é imensa: desde fumar maconha a plantar bananeira no Everest. Mas a minha questão é: a que leva isso tudo?

A impressão que tenho é que a sociedade, especialmente a juventude, está tomada por um grande vazio e tenta preenchê-lo com qualquer coisa, seja alguma droga, balada, libertinagem, enfim, algum excesso. Proclamando-se livres para seguirem qualquer rumo, as pessoas optam por não a ir a lugar algum e acomodam-se em um grande indiferentismo com relação a tudo o que passa à sua volta, desde que não interfira diretamente em suas vidas. Uma forma de niilismo, talvez. Prova disso é o amplo desinteresse pela política, por exemplo, ou então por temas perenes relacionados à filosofia. Discutir o programa do sábado à noite é muito mais importante, para muitos, do que simplesmente dar um sentido à própria existência.

Uma vez aprendi que a verdade liberta, e até hoje creio firmemente nisso. O que a sociedade precisa compreender é que fazer certas renúncias não é um aprisionamento, mas sim verdadeira libertação, pois se faço uma escolha, automaticamente renunciei às demais possibilidades. A estranheza moderna à abnegação é um claro sinal de que as pessoas querem sim ter liberdades, mas esqueceram completamente o significado disso. E, na ânsia em desejar escolher tudo, acabam optando por dar um grande salto rumo ao nada.


6 comentários:

Renata disse...

Paulo de Tarso foi muito pertinente na seguinte colocação "Tudo me é lícito, mas nem tudo me comvém".
É o que não acontece hoje: "ah! se tudo é lícito, vamos quebrar tudo!" Mas a humanidade já vem colhendo os frutos do mal uso do livre-arbítrio. A justiça divina, a verdadeira, não falha e o tempo nos mostra a verdade que liberta.

Ótimo post, pra variar! ehehe..

Abraço
=}

Andrea disse...

Seria muito bom se as pessoas que se propõem abrir a boca por aí estudassem um mínimo da filosofia Sócrates, Platão, Aristóteles e Aquino. Seríamos poupados de tantos sofistas, talvez. O grau de imbecilidade, de mentir,a que vivemos hoje em nossa sociedade é assustador. Você não pode conversar mais com as pessoas sem que cada uma delas esteja crente na idéia de que tudo é relativo (e não percebem o contra-senso desta afirmação), portanto o que você diz que é verdade pode ser apenas para você, mas não necessariamente para o outro...em um mundo desses como dar valor a verdade? Quando você valoriza a verdade e busca ir fundo nisso, até a raiz da questão, é logo tachado de fanático. Well, well, well, estamos bem mal!

Que ele tenha piedade de nós!

Abraço!

Daniel Souza disse...

Rodolfo, já tomei posse do artigo!

Abraços,

Daniel Souza
VIDE

Pastel de Vento disse...

Ótimo artigo!
Certa vez ouvi que a liberdade é a auto-determinação para o bem. Logo, difere do livre-arbítrio... Então, quando fazemos escolhas, fazemos porque achamos que aquilo é o melhor, que aquilo é o bem, que aquilo está de acordo com a nossa consciência... E isso é usar da liberdade.
Abraços!

Alexandre M. F. Silva disse...

Um modelo autêntico, e bem atual, da liberdade cristã foi o beato Pier Giorgio Frassati. Um escrito seu:
"Viver sem fé, sem um patrimônio que defender, sem manter uma luta pela Verdade não é viver, mas empurrar com a barriga...".

André Luís Brandão disse...

Na verdade, esses que pregam a "liberdade" há muito se tornaram escravos.