domingo, 20 de abril de 2008

Madre Teresa e a mídia

Há uma famosa entrevista concedida por Madre Teresa de Calcutá a um jornalista britânico que revela alguns fatos muito curiosos. Ela não assistia televisão, nem lia jornais, e por isso mesmo o repórter afirmou que ela conhecia o mundo melhor do que pessoas que acompanham o noticiário. Isso pode ser sustentado por dois pilares: primeiro pelo grande contato que ela tinha com realidades muito dolorosas, que muitas vezes estão fora dos jornais; segundo: que essa santa mulher escapava da alienação que a mídia é capaz de gerar.

É impressionante como maus formadores de opinião deformam os critérios morais de toda uma sociedade. Um caso evidente é o das células-tronco embrionárias, aqui no Brasil, atualmente. Algumas pesquisas – se são confiáveis, eu não sei - mostram que boa parte dos brasileiros é a favor da destruição de embriões humanos para pesquisas. E está claro que essa opinião é formada pelos meios de comunicação, que são – em sua ampla maioria – descaradamente favoráveis a essa pesquisa. Mas, eu proporia outra pesquisa. A pergunta seria a seguinte: “Você sabe o que é uma célula-tronco?”. Da resposta a essa questão compreenderíamos como há tantas pessoas favoráveis a destruir embriões...

Em nosso país, seja pelos modelos que são apresentados às pessoas – os tais “artistas” de televisão -, seja pelo nível geral das escolas brasileiras – que lamentavelmente figuram entre as piores do planeta em diversas avaliações -, o fato é que a população, na média, não possui um senso crítico muito aguçado. Isso fica evidente com a maneira pela qual a maioria dos brasileiros reagiu aos imensos escândalos envolvendo o atual governo: reelegendo-o. Então aparecem na televisão vários deficientes, que são usados como massa de manobra para fazer pressão nos juízes e na sociedade, e diz-se que, com as pesquisas, eles terão esperança de cura. Afirmo que não se pode usar o sofrimento alheio dessa forma. E a população acaba acreditando, mesmo sem ter a menor idéia dos resultados dessa pesquisa – ou seja, nenhum - e do tipo de doença que aquelas pessoas possuem.

É mais ou menos como aquelas antigas propagandas de cigarro. O apelo é tanto, que é capaz de um ferrenho anti-tabagista ficar com vontade de acender um cigarro depois de assistir a uma imagem paradisíaca acompanhada da frase “venha para o mundo de Marlboro”. E a pessoa, movida por esse apelo, vai querer fumar sem pensar muito nas conseqüências desse ato. O mesmo ocorre com muitos assuntos expostos na mídia, conforme citei um caso ali atrás. Critérios objetivos são deixados de lado para uma manipulação grosseira, que ao invés de levar à reflexão leva à uma submissão: muitas pessoas estão submissas às “verdades” que os meios de comunicação nos impõe. A solução não é, de forma alguma, afastar-se da mídia, como Madre Teresa. Ela era religiosa e, como tal, vivia um afastamento do mundo: a escolha de vida dela exigia essa radicalidade. Quem está no meio do mundo deve, sim, informar-se, mas com muito critério. Buscar, em primeiro lugar, fontes de informação seguras e com credibilidade. E há muitas na grande mídia: pessoas como Ali Kamel, Reinaldo Azevedo e Carlos Albrto Di Franco, por exemplo. Mas, o mais importante é a formação própria da pessoa, alcançada com estudo e honestidade intelectual. Isso não nos torna, de forma alguma, imunes à manipulações ou dados controversos, mas sem dúvida alguma é o único caminho seguro. Pensar por conta própria faz com que sejamos mais do que fantoches de interesses alheios, muito embora exija mais esforço do que deixar outros pensarem por nós – e vale a pena.

4 comentários:

Evelyn Mayer de Almeida disse...

RO,

Que texto fantástico! Cada vez mais me torno sua fã!

De fato, eu não sabia desta história de Madre Tereza não assistir TV, mas ela é um grande exemplo de que a vida é curta e que perdemos mto tempo em frente à TV...

Quanto a se fazer, não?

Poxa vida, a mídia estraga mesmmo a formação de opinião. Daí que eu sempre digo: não vivemos num país democrata, mas manipulocrata!

César Kyn disse...

Muito bom o artigo. Parabéns.

Abs, César Kyn

Andrea disse...

Ah, é isso aí! Devemos sempre buscar agir a Verdade, agir com honestidade intelectual e pedir a Deus que nos ilumine!

Fique com Deus!

Rodrigo disse...

De fato, a honestidade intelectual é o mais importante em um jornalista, acadêmico ou seja lá o que for...
Abraço!