segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O Papa, La Sapienza e a intolerância

Um dos grandes pilares do pensamento moderno é a defesa da liberdade. Muitos utilizam a célebre frase de Voltaire (“Não concordo com uma só palavra do que dizes mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-lo”) como uma verdadeira bandeira em defesa da liberdade de consciência. A princípio, parece difícil que alguém queira discordar desse argumento. Na prática, porém, o próprio iluminista francês foi um grande perseguidor da Igreja. Não é diferente atualmente. A “diversidade religiosa” é exaltada, as “minorias” alcançam seu espaço, as opiniões mais heterodoxas são respeitadas, mas o católico não. Esse não passa de um retrógrado, conservador, medieval, dogmático e, apesar de haver a “firme defesa” de todos os pontos de vista nesses tempos democráticos, a posição católica é rechaçada das mais diversas formas imagináveis.

Os fatos estão aí: o líder espiritual de mais de um bilhão de pessoas foi “impedido” de discursar em uma Universidade por cerca de oitenta professores (num universo de quase cinco mil) e mais um punhado de alunos. O argumento usado foi o de que Bento XVI é um obscurantista, fazendo crítica a uma suposta “visão obscurantista” do pontífice sobre a ciência, tudo baseado em um discurso no qual Ratzinger cita o filósofo Feyerabend. Esse agnóstico considerou o processo de Galileu justo. Não entrarei nessa questão, e no fim do texto coloco link de um excelente artigo sobre o tema. Mas será que os rebeldes professores e alunos de “La Sapienza” não perceberam que a citação, em seu contexto correto, não é uma defesa do erro daquele tribunal? Afinal, João Paulo II e o então Cardeal Ratzinger foram os responsáveis pela “reabilitação” de Galileu, após a revisão do processo. O que há de obscurantismo nisso? Não seria honestidade?

Pensando em outra perspectiva, o atual Papa é, sem dúvida alguma, um dos pensadores mais brilhantes da atualidade. A clareza de suas idéias, a impressionante abrangência de sua obra, a facilidade com que consegue citar em um mesmo texto, desde Kant à Dostoievski (como na encíclica “Spe Salvi”) faz com que seja uma enorme honra para qualquer instituição receber a visita de tão distinto pensador. A leitura do texto que ele escreveu para o discurso na citada Universidade exacerba esses aspectos. Há lá uma reflexão sobre o papel da universidade e da busca pela Verdade, e pelo respeito a grandes tradições culturais e religiosas. Nada de obscurantismo, pelo contrário, um convite à reflexão e uma firme defesa da liberdade.

Poderia alongar-me mais ainda, mas é desnecessário. Quanto mais se aprofunda no estudo do pensamento de Ratzinger, mais claro fica o amor à liberdade e a defesa da verdade, com clareza impressionante. Não há nada de obscurantista e intolerante em todo o pensamento do atual pontífice, como pode ser facilmente constatado. Por que então alguns professores de “La Sapienza” alegaram isso para impedir o discurso de Bento XVI? É preciso ir um pouco além para compreender.

Basta pensar no caso brasileiro, e a questão do aborto, por exemplo. Sempre que uma pessoa é identificada como “católica” em um debate, seus argumentos são desqualificados por serem considerados religiosos. Confesso que jamais vi um católico usar argumentos religiosos nesses debates por aí, como por exemplo: “o aborto vai contra a Lei Divina”. Sempre é falado em lei natural, e são usados argumentos antropológicos e filosóficos que, sendo dificílimos (para não dizer impossíveis...) de refutar, são simplesmente desqualificados. Afinal, para alguns pensar parece difícil.

Esse episódio de “La Sapienza” demonstra a que ponto essa exclusão de determinado pensamento, no caso o católico, chegou. Os professores da citada instituição na verdade não queriam escutar o Papa pelo fato de ser o Papa, e não por qualquer outra coisa. Isso fica evidente, conforme disse acima, ao constatar a verdadeira posição de Bento XVI sobre a ciência, e especialmente Galileu, totalmente diferente do que alegavam os docentes. Movidos por um ódio semelhante ao de Voltaire e demais iluministas, essas pessoas hoje buscam marginalizar qualquer forma de pensamento que se apresente contrário ao que defendam. A posição católica, aliás, incomoda pela defesa intransigente da Verdade – o que não implica em falta de liberdade, muito pelo contrário. O pensamento moderno, dominado pelo relativismo e cientificismo, não tolera esse tipo de postura, o que não deixa de ser uma contradição para quem diz defender a liberdade e as instituições laicas. Há uma suposta liberdade apenas quando existe uma certa conveniência, sem que haja uma verdadeira diferença de idéias.

Quando alguém chega e diz: “apesar de considerar errado o que você pensa, respeito seu ponto de vista” essa pessoa é rapidamente chamada de reacionária e conservadora, e seu pensamento desqualificado antes mesmo de ser considerado. No fundo, isso é a ditadura do politicamente correto que tolera tudo, menos a verdade.

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Sobre o caso Galileu, recomendo o texto: http://www.quadrante.com.br/Pages/especiais241106.asp?id=291&categoria=Ciencia_Fe&pg=buscaartigo&campo=galileu&pagina=1

Além disso, muita coisa boa sobre o tema foi escrita por aí, vale a pena conferir o artigo de Luiz Felipe Pondé sobre o tema.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Firth of Fifth

“The sands of time were eroded by
The river of constant change” [1]

Recentemente passei um dia em uma casa na beira do Rio Ivaí. Um lugar afastado e muito belo. Quando era mais novo ia para lá com certa freqüência. Ou seja, esse meu fim de semana foi um encontro com o passado. Não sei se vocês já repararam, mas a natureza muda muito pouco com o passar dos anos. Para uma paisagem natural ser transformada significativamente, pode passar séculos ou até milênios. No caso daquele barranco de rio, quase nada mudou, exceto algumas árvores que cresceram, um pouco de mato a mais ou a menos aqui e ali. O Rio, a paisagem, as pedras, a casa, os caminhos... tudo estava lá. O Rodolfo com (pouca) barba no rosto viu o mesmo que o Rodolfo de seis anos observou tempos atrás. Quer dizer, a paisagem é a mesma, mas o que vi (não o que há para ver) mudou muito. Volto a esse ponto logo.

Ao contrário da natureza, o homem tem pressa. A nossa tendência é deixar marcas profundas por onde passamos, e quando o homem atua em conjunto, por meio de sociedades, as marcas são maiores, impressionantes e profundas. Elas podem ser tanto materiais, como as grandiosas pirâmides de Gizé, ou culturais, como a Filosofia Grega e o Direito Romano. As primeiras podem ser destruídas com o tempo (afinal, as demais maravilhas do mundo antigo o foram), já as outras são profundas e inextinguíveis em nossa cultura. Mas o que impele o homem a essa ação transformadora, que se apresenta de modos tão diversos? Não sei a resposta ao certo, mas é algo inerente à Natureza Humana. Parece-me que a brevidade da vida humana é o que nos motiva a fazer tanto. A natureza tem um período de tempo indefinido para transformar-se, ao passo que nós temos uns setenta anos, em média. E isso é um motor propulsor para mudanças. O homem atua, e rapidamente. Seja em suas relações sociais, seja no ambiente natural que o rodeia. Que diferença não faz em seu meio uma pessoa bem-humorada? Os outros rapidamente simpatizam com ela, e sua motivação os contagia. O mesmo pode ser dito de um sábio, que influencia positivamente seus amigos, mudando profundamente a vida desses. Com relação ao meio físico, notamos o mesmo: uma paisagem que demorou séculos para desenvolver-se naturalmente, com a intervenção humana rapidamente sofre alterações drásticas. É só pensar no desmatamento.

A própria natureza obriga-nos a mudar: a idade traz consigo muitas responsabilidades, faz-nos perder a inocência e muda completamente nossos paradigmas. Pensando agora no Rodolfo de seis e de vinte e um anos, no barranco do Rio Ivaí. Antes, encarava o rio como uma grande piscina, onde poderia nadar bastante e brincar com meus primos. Hoje vejo uma maravilhosa paisagem moldada pela natureza, um momento de tranqüilidade ao contemplar tudo aquilo, posso sair para pescar, ler um livro e ter o prazer de simplesmente apreciar o belo rio. As águas que correm lá, agora, não são as mesmas de antes. As idéias que passam por minha cabeça também não. Mas eu continuo sendo Rodolfo, mesmo com essas mudanças todas, e o rio continua o mesmo, apesar de novas águas passarem por lá. Acredito que isso seja Metafísica: a água do rio é acidental; logo que ela passa, é rapidamente substituída por outro volume de água. Uma determinada porção de água não é essencial para a existência do rio; a natureza do mesmo exige que haja água lá, mas não uma porção específica. Melhor deixar isso para Aristóteles e São Tomás.

As águas que passam nesse rio não voltam mais. São renovadas continuamente. O tempo que vai também não volta mais, e para o homem uma vida pode ser muito pouco. Acho que devemos ter em mente essa realidade, para não deixar que aconteça conosco o que houve com Brás Cubas, de Machado de Assis. A vida dele passou, e ele nem viu. Não fez nada de relevante nem em sua vida pessoal, nem em sua vida pública. Um medíocre por excelência. Espero que, ao chegar à foz do rio da vida, para desembocar no oceano infinito, eu consiga olhar para os caminhos percorridos com um sereno sorriso no rosto.

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[1] - Esses são os últimos versos da música “Firth of Fifth”, do grupo de rock progressivo britânico Genesis. Eu gosto bastante de algumas músicas deles, especialmente dessa. Além da brilhante introdução composta por Tony Banks, há um dos melhores solos de teclado da história do rock. A letra composta por Peter Gabriel é muito boa, e o final acima transcrito encerra com brilhantismo a emocionante canção.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Aquecendo o globo

Dia desses estava assistindo ao jornal, acompanhando o caso de praias da costa brasileira que estavam sofrendo invasão de águas-vivas e de caravelas portuguesas. Esses seres são celenterados cuja relação com o ser humano consiste em causar queimaduras na pele. Dessa forma, os banhistas de várias praias da costa brasileira sofreram ferimentos, alguns graves, e reclamavam bastante do estrago causado nas férias. O que achei mais curioso, porém, foi a explicação imediata apontada por especialistas: eles desconfiavam que a causa do excessivo número de águas-vivas era o aquecimento global. Isso sem fazer nenhum levantamento inicial, absolutamente nada. Claro, faz parte do método científico levantar hipóteses, e tudo mais. Mas a questão é que o aquecimento global está saindo do campo científico, e tornando-se um fenômeno social-político-cultural. Qualquer acontecimento acaba tendo como causa, direta ou indireta, o aquecimento global.

A personalidade do ano de 2007 foi, sem dúvida alguma, o próprio Aquecimento Global. Ele ganhou o Oscar e o Prêmio Nobel da Paz, mas foi representado por Al Gore (que poderia ser ‘Al Boring’, sem prejuízo algum para a compreensão de sua pessoa e idéias). Aliás, o premiado documentário “Uma Verdade Inconveniente” é inconveniente não por qualquer suposta verdade apresentada ali, mas pelas opiniões políticas de Gore, que não perde uma chance de ridicularizar Bush. Um porre. A maior parte do tempo é gasta com piadas sem graça, projeções questionáveis por pesquisadores [1] (e que são apresentadas como a grande verdade) e sobre a infância de Al no interior. O ex-candidato a morador da Casa Branca quer posar de cavaleiro do apocalipse, fazendo um fenômeno climático tornar-se uma agenda política. Caso o resultado das eleições americanas do ano dois mil fosse outro, hoje, ao invés de uma “Guerra contra o terror”, poderíamos estar vendo uma verdadeira “Guerra contra a fumaça”, ou coisa parecida.

Tal hipótese fez-me pensar nas vacas. Animais simpáticos, que servem para embelezar os pastos, potes de derivados de leite além, claro, de fornecerem o próprio leite. Todavia, os rebanhos são responsáveis por grande emissão de carbono, na forma de gás metano. Recuso-me a simplificar essa explicação. O fato é que a agenda política anti-aquecimento global pode, a qualquer momento, partir para o ataque contra as dóceis vaquinhas. Espero que o serviço de inteligência do Greenpeace esteja alerta, pronto para defender nossa carne e leite da ameaça iminente com tanta eficácia quanto o faz com as baleias.[2]

O problema é que o aquecimento global já invadiu o subconsciente coletivo. Esses dias têm sido excessivamente quentes por aqui. É com freqüência que ouço as pessoas culparem o aquecimento por esse fato. Eu, tolo, pensando que era simplesmente culpa da inclinação da Terra, fenômeno responsável pelas estações do ano (no momento o verão, que deve ser quente, não é mesmo?). Mas as pessoas vão mais além: já há quem associe a fome na África Subsaariana ao discutido fenômeno. Isso não tem nada de “inconveniente”, muito pelo contrário: é conveniente àqueles governos incrivelmente corruptos que a culpa seja do derretimento das calotas polares, e não deles. Até coisas mais simples, como a estiagem de inverno, agora tem por culpado o aquecimento. As impressionantes nevascas no hemisfério norte, esse ano, certamente são causadas pelo aquecimento global (sobrou até para o Irã, que está dois metros sob a neve já). Tudo é aquecimento global. Concedo que o fenômeno exista, afinal as pesquisas, o Oscar e o Prêmio Nobel da Paz indicam isso, os dois últimos quase irrefutavelmente. Agora, entrar na carruagem do apocalipse juntamente com Gore é que eu não vou.

Essa carruagem, aliás, passou outras vezes por aí desde que nasci. Lembro que marcaram já algumas datas para o fim do mundo. Nostradamus errou a sua, na virada do milênio. Este acabou, mas o mundão está aí, aquecendo. Outra profecia, tão certeira quanto à de ‘Nostra’, fazia referência ao buraco da camada de ozônio. Lembro-me perfeitamente das reportagens do Fantástico, afirmando que seria cada vez mais perigoso expor-se ao sol em regiões ao sul (ei, estamos no sul!). Eu entrei em pânico, tinha uns doze anos e pouco senso crítico. Passou o tempo, o buraco diminuiu e por conseguinte perdeu a fama. Não houve casos em massa de câncer de pele e o mundo está aí, firme e forte, com camada de ozônio e tudo. Havia necessidade para tanto alarmismo? Não era o caso de amadurecer as conclusões dos dados coletados em pesquisas?

Diminuir impactos ambientais, lutar por um uso racional do meio-ambiente e protegê-lo sempre que preciso são atos louváveis. Tornar isso por prioridade, indo à frente de questões éticas essenciais, por exemplo, é temerário. A loucura chega ao ponto de casais de ambientalistas evitarem ter filhos para defender o planeta do aquecimento e da superpopulação (outro mito). Essa agenda ecológica deve ser respeitada até o ponto em que ela respeita o ser humano. Quando o homem é rebaixado em detrimento de árvores, baleias e tartarugas então, infelizmente, é hora de pegar o ecologismo fanático e colocá-lo em seu devido lugar, que deve ser muito longe da opinião pública e agendas políticas sérias.

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[1] – Para Gore, as geleiras da Groenlândia estão para derreter. Mas isso não é consenso, como ele afirma. http://www.ordemlivre.org/?q=pmichaels-a_fria_verdade_sobre_a_groenlandia
Se esses dados estiverem errados, eu sinceramente gostaria que fosse demonstrado isso, seria de grande valia para mim e demais leitores.

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[2] – Já vi, em palestra, um representante de uma grande empresa contar um fato curioso. Foi oferecido ao Greenpeace recursos para criar um posto de trabalho na Amazônia. Oferta negada, pois eles estão interessados em mídia, e ficar ali no mato é estar longe da mídia...

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O Aquecimento Global é um fato, negá-lo é simplesmente loucura. Há muita gente séria estudando o tema; no Brasil o destaque fica para o pessoal do INPE, em São José dos Campos. Todavia, não existe consenso exato sobre até que ponto a influência antrópica é determinante no fenômeno. E por isso podemos concluir que há um alarmismo exagerado sobre o fato. Medidas como os créditos de carbono, do Protocolo de Kyoto, são boas ao criarem investimentos em fontes alternativas de energia, afinal os combustíveis fósseis não são renováveis. Estando essas medidas dentro de um contexto razoável, de valorização do homem e um adequado respeito ao meio ambiente (sem esse panteísmo disfarçado que há por aí), creio que a resistência dos chamados ‘céticos’ tende a desaparecer.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Dorian e eu

Um dos personagens mais geniais que encontrei até hoje, no mundo da literatura, é Dorian Gray. Ele é a representação ideal do hedonista, do burguês boa-vida, do aproveitador. A todo instante, Dorian busca o prazer incessante e incansavelmente, a todo custo. Porém, as conseqüências negativas de seus atos jamais recaem sobre ele, pois a partir de determinado momento de sua vida um quadro com sua imagem passou a envelhecer e a sofrer com a maldade de seus atos. Esse quadro é a própria alma de Dorian.

Na história, a cada ato vicioso de Dorian, era seu quadro que sofria. Assim, quando o jovem praticava uma maldade com outra pessoa, as feições do quadro alteravam-se. Além disso, a passagem do tempo não o atinge: ele não envelhece. O retrato sofre todas essas conseqüências em seu lugar. Para o hedonista, isso é fundamental: manter a beleza (as aparências, no sentido vulgar do termo) e não possuir consciência para incomodá-lo... sim, pois a consciência de Dorian calou-se após determinado tempo. A busca desenfreada por prazer, passando por cima de tudo e todos, é seu fim, e ele não tem escrúpulo algum em usar o meio que achar conveniente para alcançá-lo. O retrato, contudo, fica cada vez mais feio, o próprio Dorian não consegue admirar sua “obra”. Sim, pois a imagem ali retratada era a própria alma dele, manchada pelo tempo e por seus atos ignominiosos.

A verdade é que nós também não temos coragem de olhar para nosso próprio retrato, aquele que nos mostra interiormente. Preferimos buscar as aparências, ou os sentimentos, e muitas vezes não queremos admitir a pouca importância e a pequeneza que nos são próprias. Afinal, materialmente falando, não somos muito mais que um amontoado de poeira, que mais cedo ou mais tarde voltará a ser apenas poeira. Nem todos têm coragem suficiente de admitir nosso fim certo e iminente, agora ou daqui a 80 anos. Mas é inevitável. Eis, aqui, o terror do hedonista. A busca pelo prazer possui seu fim certo. A morte e o sofrimento, inerentes à condição humana, decretam o fracasso do hedonista. Dorian Gray, graças a seu retrato, conseguiu rechaçar a morte e a dor... leiam o livro, porém, e vejam seu fim. Os seus companheiros de ideais fracassam agora ou ali na esquina. Doença, morte de amigos, fracassos, frustrações, o próprio fim... como alcançar a felicidade – e a felicidade está no prazer, para o hedonista – em meio a dor?

Dorian Gray é um personagem realmente genial, mas eu tenho como objetivos não ser nem um pouco parecido com ele. Muito pelo contrário, talvez meu ideal seja justamente ser a antítese de Dorian... Dorian não trabalhou, não tinha família, não tinha princípios (ele era seu próprio deus). Principalmente, tentar não esconder o meu retrato das outras pessoas e – especialmente – de mim mesmo. É que não quero ter nenhuma surpresa ao encará-lo ou quando alguém vier a descobri-lo, pois Dorian teve, e isso pôs fim a ele.